A Revolução Burguesa no Brasil

0

Revolução Burguesa FF

A Revolução Burguesa no Brasil, Florestan Fernandes. Editora Zahar, 1975. Por Paulo Silveira

Os comentários surgidos até agora sobre este último livro de Florestan Fernandes, independentemente de seu teor crítico (e, portanto, político) têm concordado com a dificuldade da leitura do texto. Por que A Revolução Burguesa no Brasil é um texto difícil?

Esta dificuldade provém principalmente dos níveis em que trabalha o Autor: o da história e o da estrutura. Confundi-los não só acarreta dificuldades de leitura, mas, o que é pior, interpretações errôneas.

Com efeito, a arquitetura profunda deste trabalho está fundada na distinção que o Autor faz entre história e estrutura. Elas são como que os pilares que sustentam e que fundam todo o discurso. Esta importância requer que se medite um pouco sobre essa distinção.

Por estrutura Florestan Fernandes entende a configuração mais profunda da sociedade brasileira, a um tempo capitalista – e como tal implicando nas contradições fundamentais do MPC – e dependente – nesse caso imbricada na maneira pela qual se expande o capitalismo, em particular, com os laços que se estendem necessariamente a partir das nações capitalistas hegemônicas. Mas pensar a estrutura da sociedade brasileira apenas nestes termos é ainda permanecer num nível muito abstrato. De um lado este caráter capitalista implicando na contradição entre as classes sociais, e de outro, o caráter dependente suscitando as formas de dominação externa, que frequentemente são denominadas abstratamente de imperialismo. De outro ângulo, seria tentar resolver por aglutinação, a polêmica que se tem travado sobre a abordagem mais adequada – teórica e politicamente – à análise das sociedades capitalistas dependentes. ler mais

Comments are closed.

Powered by themekiller.com