A tolice da inteligência brasileira

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Tolice int bras

SOUZA, Jessé. A tolice da inteligência brasileira. 1a. edição, Editora Leya, São Paulo, 2015.

Renato Nucci Jr., Conselho Consultivo de marxismo21 e Organização Comunista Arma da Crítica

O que faz o Brasil ser o Brasil? Por que um país com riqueza natural abundante, dotado de grandes reservas minerais, com extensa área agricultável, com amplas reservas de água doce, com um povo dotado de imenso potencial, tem sua existência marcada por desigualdades sociais e disparidades regionais gritantes? Por que um país com tantas vantagens naturais não está entre os “desenvolvidos”? Gerações de brasileiros e brasileiras se perguntam as razões de sermos tão “atrasados” econômica, política e culturalmente. Autêntica preocupação popular faz parte de todo tipo de roda de conversa. Nos pontos de ônibus, nos botequins, nos encontros de família, enfim, em todos os espaços públicos onde o povo trabalhador se reúne a existência de contradições sociais e regionais gritantes é tema de conversa. O tema faz parte do cotidiano e do imaginário popular do povo brasileiro por décadas.

Dentre aqueles dedicados ao estudo sistemático da realidade brasileira, pensadores da estatura de Caio Prado Junior, Sérgio Buarque de Hollanda, Darcy Ribeiro, Celso Furtado, Florestan Fernandes, entre tantos outros, a partir de ferramentas teóricas distintas, buscaram entender as causas dessa nossa condição. Não se limitaram, contudo, a entendê-las, mas utilizaram suas conclusões para apontar saídas de nossa condição, “subdesenvolvida” para uns, “dependente” para outros, e mesmo “reflexa” para outros mais. No caso dos pensadores brasileiros, em suas mais diversas vertentes, suas conclusões apontam quase sempre para um “vício de origem”. Seria uma espécie de “pecado original” cuja magnitude teria deixado marcas profundas na consciência nacional. As conseqüências seriam sentidas até hoje. Dentre elas destacamos o patrimonialismo, o nepotismo, ambos reflexos de uma incapacidade de todas as classes sociais internalizarem valores culturais e comportamentais baseados em uma postura racional e impessoal, característica que seria intrínseca aos países desenvolvidos.

Jessé Souza apresenta uma crítica contundente sobre o porquê de o Brasil ser assim. Em seu novo livro, A Tolice da Inteligência Brasileira, Souza empreende um esforço de desconstrução das principais teses explicativas sobre a condição do Brasil. Para Souza, autores como Sérgio Buarque, Raymundo Faoro, Gylberto Freire e Roberto DaMatta, teriam feito uma “leitura” do Brasil cujo objetivo seria o de consagrar as virtudes do mercado e da iniciativa privada sobre o Estado. Todos os piores vícios da vida nacional, atingindo indistintamente a “elite” e o “povo”, causas da nossa condição subdesenvolvida, estariam no fato de não termos absorvido um conjunto valorativo de normas como racionalismo, eficácia e impessoalidade. ler mais

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