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A trajetória de Carlos Henrique Escobar *

Luiz Eduardo Motta (UFRJ)

No campo científico/intelectual (na acepção dada por Pierre Bourdieu), há sempre uma divisão entre os dominantes (o saber “legítimo” e “legitimado”) e aqueles que se encontram numa posição dominada, pois são aqueles que navegam contra a corrente dominante. O nome de Carlos Henrique Escobar, sem dúvida, sempre pertenceu ao segundo grupo. Estar numa posição dominada num determinado campo não significa que o autor seja um desconhecido nesse campo. Contrariamente a isso, o nome de Escobar marcou o cenário intelectual brasileiro durante a segunda metade dos anos 1960 até a primeira metade dos anos 1990, sendo a cidade do Rio de Janeiro e o meio intelectual carioca o seu principal palco. De fato, o seu nome foi eclipsado a partir da virada de século, dando a impressão de que toda a sua polêmica obra tivesse desaparecido já que praticamente não havia citações ou referências aos seus trabalhos.

O fato é que durante 15 anos o nome de Escobar esteve inteiramente associado ao de Althusser e de sua escola, visto que ele foi o intelectual brasileiro que mais divulgou as polêmicas teses de Althusser e do conjunto de seus seguidores na formação social brasileira (Badiou, Balibar, Rancière, Bettelheim, Pêcheux, Poulantzas etc.), e foi o mais conhecido membro do grupo “Tempo Brasileiro”[1] (que contava com os nomes de Eginardo Pires, Marcou Aurélio Luz, Alberto Coelho e Souza, entre outros). A posição política de Escobar convergia com as teses radicais de Althusser: na contramão da intelectualidade ligada ao PCB (Carlos Nelson Coutinho, Leandro Konder, Luiz Werneck Vianna, Caio Prado Jr.) e daquela vinculada à USP (Fernando Henrique Cardoso, José Arthur Giannotti, Francisco Weffort, Marilena Chauí). Nos anos 1960 até meados dos anos 1970, Escobar defendeu a via revolucionária e de ruptura por meio da luta armada, indo de encontro à concepção gradual de democratização. E a materialização dessa posição não se limitou à elaboração de artigos, mas orientou a sua prática política quando participou de uma organização clandestina MAR (Movimento Armado Revolucionário) de tendência brizolista, não obstante Escobar nunca tivesse pertencido às fileiras do brizolismo no pré-1964, como também posteriormente não se vinculou ao PDT, já que foi um dos fundadores do PT no Rio de Janeiro. Ler mais

* Nota dos Editores: agradecendo a colaboração de Luiz Eduardo Motta, somos também reconhecidos a Clodoaldo Lino e Lidiane Soares Rodrigues por terem disponibilizado ao blog alguns textos digitalizados.

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Livros

Proposições para uma semiologia e uma linguística (1973)

As Ciências e a Filosofia (1975)

Discursos, Instituições e História (1975)

Epistemologia das Ciências – Hoje (1975)

Ciência da História e Ideologia (1979)

Marx Trágico (O Marxismo de Marx) (1993)

Marx: Filósofo da Potência (1996)

Livros organizados

Psicanálise e ciência da história – “Introdução” (1974)

Semiologia e Linguística Hoje – “Introdução” (1975)

Artigos

De um marxismo com Marx (1966-1967)

Resposta a Carpeaux: Estruturalismo (1968)

Leitura de Saussure: Proposições Semiológicas (1972)

As Instituições e o Poder (1974)

Da Categoria da Cultura: Do Aparelho Cultural do Estado (1979)

Quem tem medo de Louis Althusser? (1979)

Auguste Comte: um enfoque crítico (1999)

Direitos humanos. Com Marx (2008)

Filme

Os dias com ele (2013)

Entrevista/Depoimento

Oposição e Democracia no Brasil: A Hora das Decisões

Retrato de um contestador – entrevistado por Márcio Salgado

Textos sobre C. H. Escobar

João Marcos Tadeu Kogawa. Por uma arqueologia da Análise do Discurso no Brasil

João Marcos Tadeu Kogawa. Carlos Henrique de Escobar por ele mesmo: tragicidade e teoria do discurso

Luiz Eduardo Motta. Sobre “quem tem medo de Louis Althusser”? de Carlos Henrique Escobar