Clóvis Moura

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Nesta página, marxismo21 publica um dossiê sobre Clóvis Moura (1925-2003), escritor e ativo intelectual-militante comunista que se destacou pelos estudos sobre a questão racial e a luta e a resistência do negro no Brasil. Neste dossiê, divulgamos vários artigos e livros de Clóvis Moura e trabalhos sobre sua obra, assim como vídeos e áudios que procuram revelar suas contribuições para a história e para o pensamento social brasileiros.

Somos gratos a Érika Mesquita (IFAC) pela elaboração do texto de apresentação e a outros valiosos colaboradores que se envolveram na construção deste extenso dossiê: Augusto Buonicore, José Carlos Ruy, Mário Augusto Medeiros da Silva, Mário Maestri, Renata Gonçalves e Soraya Moura.

 Editoria

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Clóvis Moura: por uma sociologia da práxis negra

Érika Mesquita

Revisitar a obra de Clóvis Moura é repensar a história social do Brasil. É com um sentimento saudoso e de enorme gratidão que inicio uma sucinta apresentação de sua obra, construída ao longo de sua trajetória, quer sobre estudos sobre o negro da qual trata esse dossiê ou como exímio poeta. Clóvis Moura, em nossas conversas, sempre ressaltava a importância de se transformar o conhecimento livresco em arma para revolução, e essa acepção perpassa sua obra na categoria de análise basilar que é a práxis negra.

Como outros intérpretes contemporâneos do Brasil, Clóvis Moura lançou mão da análise marxista, mas ao contrário de outros autores, ele buscou se aprofundar sobre um assunto repleto de subterfúgios, que era a luta dos escravos contra o cativeiro. Moura estabeleceu, através da análise dos quilombos e das numerosas insurreições escravas, uma nova interpretação da formação da sociedade brasileira.

Observou ele que a sociedade brasileira se formou através de uma contradição fundamental, senhores versus escravos, e em sendo as demais contradições decorrentes dessa, pautadas por extrema violência, aspecto central do sistema escravista. Clóvis Moura remete ao pensamento marxista quando relaciona o negro como o sujeito histórico da sua própria transformação e quando observa que as relações de produção têm como base o racismo como elemento estrutural e estruturante no Brasil. Portanto, da mesma forma que Marx entendia a classe operária como sujeito da revolução, e esta descoberta foi feita a partir da experiência com os movimentos sociais mais avançados de sua época, Clóvis coloca no negro o sujeito revolucionário e protagonista de sua auto-emancipação dentro de uma práxis histórica negra.

 Dessa forma, Clóvis conclui que todos os movimentos que desejam mudança social são movimentos políticos apesar do fato dos seus agentes coletivos não terem total consciência disso. Logo, esse fenômeno se apresenta pelo nível de consciência social de cada um e as propostas subsequentes para a mudança projetada, mas todos se enquadram (com maior ou menor nível de consciência social) na proposta da transformação revolucionária (ou não) da sociedade.

Como já mencionado, a noção de práxis é a categoria-chave para pensar uma tradução do marxismo europeu para um, pode-se dizer, marxismo enegrecido. É a práxis – considerada como ação de rebeldia e resistência ao escravismo – que confere ao negro o papel de sujeito de sua própria história. Para Moura, o exemplo desse fenômeno máximo do negro como sujeito é Palmares que se colocou, simultaneamente, como uma síntese entre república e monarquia: República, pois cada quilombo que integrava Palmares tinha seu representante, e este decidia de forma autônoma, ou seja, conjuntamente com o seu povo, como solucionar problemas incidentes em seu reduto, e monarquia, porque possuíam um rei com toda distinção hierárquica-social, muitas vezes não só social como também religiosa e que em tempos de guerra exercia poderes absolutos. Era dessa forma um modelo singular de governar o povo.  ler mais

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Fundo DEOPS/SP:

Ficha Clóvis Moura 1

Ficha Clóvis Moura 2

 Livros:

A encruzilhada dos orixás: problemas e dilemas do negro brasileiro

A imprensa negra

A sociologia posta em questão

As injustiças de Clio: o negro na historiografia brasileira

Brasil, raízes do protesto negro 

Dialética racial do Brasil negro

Dicionário da escravidão negra no Brasil

História do negro brasileiro

Introdução ao pensamento de Euclides da Cunha

O preconceito de cor na literatura de cordel: tentativa de análise sociológica

Os quilombos e a rebelião negra

Os quilombos na dinâmica social do Brasil

Quilombos: resistência ao escravismo

Rebeliões da senzala

Sociologia do negro brasileiro

Sociologia política da guerra camponesa de Canudos

 Artigos:

As atrocidades da burguesia

Atritos entre a história, o conhecimento e o poder

Cem anos da abolição do escravismo no Brasil

Devoremos a esfinge antes que ela nos decifre

Escravismo, colonialismo, imperialismo e racismo

Estratégia do imobilismo social contra o negro no mercado de trabalho

Florestan Fernandes e o negro – uma interpretação política

Graciliano Ramos e o Partido Comunista

Lila Ripoll (co-autoria com José Carlos Ruy)

Lima Barreto e a militância literária

Nascimento, paixão e ressureição de “Casa Grande & Senzala”

O racismo como arma ideológica de dominação

O significado político da guerra de Canudos

Organizações negras

Os quilombos e a luta de classes no Brasil

Particularidades do racismo brasileiro

População e miscigenação no Brasil

Reflexão sobre o racismo

Sacco e Vanzetti – um crime que gerou protestos no Brasil

Trajetória da abolição em São Paulo: do quilombismo racial à conciliação

Resenhas:

A escravidão na ótica do escravo

A generosa luta da guerrilha do Araguaia

Uma luz no fim do túnel

Prefácio:

Prefácio do livro A imprensa negra paulista (1915-1963), de Miriam Nicolau Ferrara

Entrevistas:

A história do trabalho no Brasil ainda não foi escrita (com José Carlos Ruy)

Memória – entrevista com Clóvis Moura (1981) – Revista Movimento (UNE)

Sociólogo critica “cinismo étnico” no país (com ANotícia)

Poemas:

Rio Seco

O Rio Parnaíba

Trabalhos sobre Clóvis Moura:

Alessandro Moura de Amorim. MNU representa Zumbi (1970-2005): cultura histórica, movimento negro e ensino de história

Ana Boff de Godoy. Os dilemas da negritude

Augusto Buonicore. O pensamento radical de Clóvis Moura

Célia Regina Tokarski, Domingos Leite Lima Filho, Ivo Pereira de Queiroz, Mariana Prohmann. O sujeito negro e a educação tecnológica: potencialidades a partir de aproximações conceituais de Clovis Moura e Andrew Feenberg

Christian Carlos Rodrigues Ribeiro. Considerações iniciais sobre a produção histórico-sociológica de Clóvis Moura

Danilo Ramos Silva. Clóvis Moura e a sua rebelião (Resenha de Rebeliões da Senzala)

Dennis de Oliveira. Uma análise marxista das relações raciais

Diego Ricardo Pacheco. Clóvis Moura e Florestan Fernandes: O protesto escravo na derrocada do sistema escravista nas obras Rebeliões da senzala e brancos e negros em São Paulo

Diorge Alceno Konrad. Clóvis Moura: 5 anos sem o “pensador quilombola”

Diorge Alceno Konrad. Na senzala a resistência, no quilombo a liberdade: a obra de Clóvis Moura

Encarte especial da Revista Princípios (textos de Augusto Buonicore, Clóvis Moura, Martiniano J. Silva, José Carlos Ruy, Soraya Moura e Edson França)

Érika Mesquita. Clóvis Moura (1925-2003)

Érika Mesquita. Clóvis Moura e a sociologia da práxis

Érika Mesquita. Clóvis Moura: uma visão crítica da história social brasileira

Fábio Nogueira de Oliveira. Clóvis Moura e a sociologia da práxis negra

Fábio Nogueira de Oliveira. Modernidade, política e práxis negra no pensamento de Clóvis Moura

GT Clóvis Moura. Quem foi Clóvis Moura?

Gustavo Orsolon de Souza. Clóvis Moura e o livro Rebeliões da Senzala: um breve panorama sobre o debate da resistência escrava

Gustavo Orsolon de Souza. “Rebeliões da senzala”: diálogos, memória e legado de um intelectual brasileiro.

João Baptista Jorge Pereira. O último legado de Clóvis Moura

José Carlos Ruy. Clóvis Moura investigava o passado histórico para melhor compreender as lutas do presente

José Carlos Ruy. Um intelectual marxista engajado e generoso

José Carlos Ruy. Um clássico sobre a luta de classes no Brasil

José Maria Vieira de Andrade. Cidadania e questões raciais na produção intelectual de Clóvis Moura, na segunda metade do século XX

José Maria Vieira de Andrade. Clovis Moura, engajamento, escrita e crítica literária

Karin Sant’Anna Kössling. As lutas anti-racistas de afro-descendentes sob vigilância do DEOPS/SP (1964-1983)

Márcio Farias. Pensamento social e relações raciais no brasil: convergências e divergências nas obras de Clóvis Moura e Octavio Ianni

Márcio Farias. Classe e raça no pensamento de Clóvis Moura

Mário Maestri. Brasil: A visão germinal de Clóvis Moura

Mário Maestri. Dez anos sem Clóvis Moura

Mário Maestri. Silêncio, Marginalização, Superação e Restauração. O Cativo Negro na Historiografia Brasileira

Talita dos Santos Molina. Clóvis Moura. Vida intelectual e arquivo pessoal (1925-2003)

Walber Monteiro. Clóvis Moura e sua visão sobre o negro na dinâmica da luta de classes no Brasil

Weber Lopes Góes e Renato Pereira Correia. Clóvis Moura: delineamentos gerais para a superação do racismo à brasileira

Vídeos:

Dialética radical do negro brasileiro – debate

O pensamento radical de Clóvis Moura – debate

Vida e obra de Clóvis Moura (parte 1)

Vida e obra de Clóvis Moura (parte 2)

Áudio:

Clóvis Moura: um pensador das raízes da opressão no Brasil (por Soraya Moura)

 

 

1 comentário

  1. Christian Ribeiro on

    Honrado em fazer parte deste dossie e muito feliz pela realização desta iniciativa em se fazer divulgar, em tornar presente, o pensamento social mouriano.

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