Edmundo Fernandes Dias

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Neste dossiê,  divulgamos um conjunto de materiais (livros, artigos, entrevistas, vídeos etc.) em torno de Edmundo Fernandes Dias (1942-2013), um dos mais importantes intérpretes da obra de Antonio Gramsci no Brasil.  Com um extenso histórico de lutas na militância docente do ensino superior brasileiro, notadamente como dirigente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), Dias procurava utilizar as categorias analíticas gramscianas também na atuação político-sindical, o que fez por meio de uma rigorosa produção teórica acerca do pensamento de Gramsci e das aplicações de seus conceitos à realidade brasileira contemporânea.

Somos gratos a Gilberto Calil e Lívia Moraes, membros do Conselho Consultivo do blog, e a Alvaro Bianchi, Fábio Villela e Renato César Fernandes, pelo envio de sugestões de textos ou de materiais que compõem o presente dossiê.

Editoria / 4 dezembro 2016

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Notas sobre a produção teórica e política de Edmundo Fernandes Dias

Edmundo Fernandes Dias foi um dos pioneiros nos estudos gramscianos no Brasil e se notabilizou por empreender uma interpretação da obra de Antonio Gramsci que contesta as leituras de viés reformista e/ou liberal, hegemônicas no país ainda hoje. As primeiras, apesar de reivindicarem o âmbito do materialismo histórico e da perspectiva da luta de classes, têm como uma de suas características principais a interpretação do conceito de “guerra de posição” como a escolha necessária de uma estratégia de “longa marcha” por entre as próprias instituições do Estado capitalista para se chegar à superação deste. Já as segundas retiram do conceito de “hegemonia” seu conteúdo classista para tratá-lo de forma livre e reelaborada, tornando a meta de construção de uma “nova hegemonia” como sinônimo de “radicalização democrática”, nova “cultura política”, etc., obviamente descartando qualquer consideração sobre a superação da sociedade do capital como possibilidade a ser levada à sério. Dias se postava contra uma e outra leituras, tentando fazer com que não se perdesse de vista o caráter estritamente revolucionário dos escritos de Gramsci e sua permanente vinculação com uma crítica radical de todas as dimensões da sociedade capitalista.

É necessário aqui fazer ao menos uma breve menção sobre a relação intelectual de Dias com o mais importante difusor da obra de Gramsci no Brasil, Carlos Nelson Coutinho. Reconhecendo seu gigante empreendimento intelectual ao traduzir parte significativa dos escritos de Gramsci no país, Dias considerava, todavia, que a interpretação de Coutinho reproduzia certo viés reformista com respeito à obra de Gramsci, reverberando no Brasil as leituras eurocomunistas que se processaram na Itália do pós-guerra. A polêmica entre ambos foi permanente, embora jamais tenha ultrapassado as raias da cordialidade e respeito mútuos, como se testemunhava em ocasiões públicas e eventos sobre o pensamento de Gramsci nos quais Dias e Coutinho se encontravam. O momento mais importante em que Dias registrou sua discordância teórica com Coutinho está numa pequena coletânea chamada O Outro Gramsci, que disponibilizamos aqui para o leitor. ler mais

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I. Livros:

Revolução passiva e modo de vida: ensaios sobre as classes subalternas, o capitalismo e a hegemonia (2012)

Revolução e história: das Teses ao Manifesto (2011)

Política brasileira: embate de projetos hegemônicos (2006)

Gramsci em Turim: a construção do conceito de hegemonia (2000)

O eterno fascínio do Florentino: para uma leitura de Maquiavel (1999)

A liberdade (im)possível na ordem do capital: reestruturação produtiva e passivização (1997)

A ofensiva neoliberal, reestruturação produtiva e luta de classes (1996)

O outro Gramsci (1996)

Para uma introdução à reflexão weberiana (1993)

 IIArtigos

Hegemonia: nova civiltà ou domínio ideológico? (2014)

Intelectuais: para que e para quem? (2013)

Educação, luta de classes e revolução (2011)

Projetos hegemônicos: a propósito da crise (2010)

Ensino superior em SP: expansão privatista e consequências na Educação básica (coautoria Lalo Watanabe Minto) (2010)

Modo de produção e educação (2009)

O Dezoito: um golpe e sua decifração (para uma crítica da política) (2008)

A questão da ideologia em Antonio Gramsci (coautoria de Nágela Aparecida Brandão) (2007)

Dinheiro, fetichismo e político: L’ homme et le citoyen: o debate nos Anais franco-alemães (2007)

Hegemonia e reforma (2005)

Estado, capital, trabalho e organização sindical: a (re)construção das classes trabalhadoras no Brasil (Coautoria de Antonio de Pádua Bosi) (2005)

Reformas ou contra-revolução? O governo Lula (2004)

Reforma da previdência ou como destruir gerações (2004)

Traição ou lógica? (2004)

Democrático e popular? (2003)

Gramsci e a política hoje (2002)

Justiça infinita: um Strange love (2002)

O possível e o necessário: as estratégias das esquerdas (1999)

Restruturação produtiva – a forma atual da luta de classes (1998)

Nota em memória a Sílvio Frank Alem (1995)

A Universidade em debate (1983)

IIIEntrevistas

Apresentação à entrevista de Edmundo Fernandes Dias, por Gilberto Calil e Antonio de Pádua Bosi (2015)

Entrevista com Edmundo Dias, por Gilberto Calil (1999, republicada em 2015)

O constante desafio de decifrar a esfinge capitalista, por Monica de Jesus Cesar (2012)

Entrevista, ADUR Informa (2011)

História, trabalho e educação, por Lucelma Braga, Paulino Orso, Celi Taffarel, Elza Peixoto, Maria de Fátima Pereira (2011)

‘No que se refere às classes, não vai haver nenhuma modificação fundamental’, por Cátia Guimarães (2010)

Edmundo Fernandes Dias (Entrevista – revista Universidade e Sociedade/2003)

IV. Homenagens

Edmundo Fernandes Dias: a pedagogia como política, Alvaro Bianchi (2016)

Retrato de uma figura exemplar: para lembrar o passamento do professor Edmundo Fernandes Dias, Leonardo Melo e Silva (2013)

À memória de Edmundo Fernandes Dias, um marxista crítico e revolucionário, Ruy Braga (2013)

Intelectual, educador e militante, Sueli Guadelupe de Lima Mendonça, Lívia de Cássia Godoi Moraes, Lalo Watanabe Minto (2013)

“Ciao Bello” ou arriverdeci ao camarada comunista Edmundo, Betto della Santa (2013)

Nota de pesar, ANDES-SN (2013)

Nota da Adunicamp (2013)

Nota da APUFPR (2013)

Edmundo Dias, exemplo de militância, Adusp (2013)

Nota do ICP e da Revista Novos Temas (2013)

Companheiro Edmundo!, Sintunesp (2013)

Nota da Apub (2013)

Homenagem a Edmundo Fernandes Dias, IV EBEM (2009)

V. Resenhas de livros de Edmundo Fernandes Dias

 Revolução passiva e modo de vida

Por Alberto Luis C. de Farias

Por Leandro de Oliveira Galastri

Por Rodrigo Duarte Fernandes dos Passos

Revolução e história: das Teses ao Manifesto

Por Antonio de Pádua Bosi

Por Maria Cristina Cardoso Pereira

Por José de Lima Soares

Política brasileira: embate de projetos hegemônicos

Por Carla Luciana Silva

VI. Vídeos

Homenagem a Edmundo Fernandes Dias (Abertura do VIII Colóquio Marx Engels)

Curso no Núcleo Piratininga de Comunicação

Educação, consciência de classe e estratégia revolucionária

30 anos de Andes

Homenagem do Histedbr-MA

 

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