Lênin Leitor de Marx: Dialética e determinismo na história do movimento operário.

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FRESU, Gianni. Lênin Leitor de Marx: Dialética e determinismo na história do movimento operário. 1ª. Edição. São Paulo: Anita Garibaldi; Fundação Maurício Grabois, 2016.

 Luciana Aliaga, Profa. Depto. Ciências Sociais – UFPB

Lênin leitor de Marx, fruto da tese de doutorado de Gianni Fresu, originalmente publicada na Itália, não apenas resgata o pensamento de Lênin dos porões da propaganda reacionária, mas, a partir da imersão numa complexa teia de conexões teóricas e políticas, lança luz sobre a intrincada história do movimento socialista e sobre a recepção do pensamento de Marx e Engels no final do século XIX e início do século XX. Este quadro histórico e político possui o mérito de mostrar ao leitor, sobretudo, que a tradição marxista e o movimento socialista, longe de serem homogêneos e unívocos como frequentemente leituras vulgarizadas os apresentam, estiveram sempre permeados por grandes disputas teóricas e desafiadores problemas políticos para os quais buscou-se dar respostas a altura de sua importância histórica. Contudo, o fio vermelho que percorre toda a obra diz respeito à dialética hegeliana como divisor de águas, isto é, a contribuição de Hegel e de sua lógica da contradição como elemento fundamental – que aqui encontra em Lênin seu vigoroso intérprete – para distinguir e criticar as leituras mecanicistas, dogmáticas, que vicejaram, nomeadamente, durante os anos da II Internacional. A tese central da obra sustenta, portanto, que Lênin teria chegado a Hegel por meio da leitura do pensamento de K. Marx e de F. Engels e que este percurso teve como consequência a “completa superação do determinismo positivista da II Internacional” (cf. p. 18).

A análise do movimento operário nos anos da II Internacional é justamente o tema que abre o primeiro capítulo da obra. Fundamental ressaltar – e Fresu o faz logo no início do capítulo – a hegemonia intelectual e cultural exercida pelo pensamento de Darwin, Spencer e Haeckel na Europa Ocidental nos anos de formação e desenvolvimento do movimento socialista e de afirmação do marxismo como sua doutrina preponderante na segunda metade do século XIX. Destarte, a inevitável penetração dos paradigmas científicos das ciências naturais na análise social e histórica teve como consequência a consolidação, no interior da II Internacional, de uma interpretação do marxismo que reivindicava um caráter científico da história que se fazia acompanhar para uma concepção evolucionista dos sistemas de produção econômica. ler mais

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