Jacob Gorender

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gorender 3Divulgando a produção intelectual e política de relevantes autores do pensamento marxista brasileiro, marxismo21 publica esta página especial sobre  Jacob Gorender, recentemente falecido. Como mostra este extenso dossiê, Gorender participou ativamente dos principais debates e lutas político-sociais que atravessaram a sociedade brasileira, desde a década de 40, na condição de jornalista, dirigente comunista e intelectual. Autor de vasta e variada obra, marcada pelo rigor teórico e pela pesquisa exaustiva, Gorender abordou desde temas de história e historiografia, problemáticas de natureza política, social, cultural e epistemológica. Nesta página publicamos uma pequena parte de sua produção, além de entrevistas e vídeos onde aborda diferentes questões, inclusive sua trajetória pessoal de vida; igualmente trabalhos de autores que discutem e comentam sua obra são divulgados pelo blog.

Somos gratos a David Maciel, membro do Conselho Consultivo, pela organização desta página especial.

Editores / agosto de 2013

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A atualidade de O Capital

Jacob Gorender

A minha conferência hoje é o início de um ciclo. Ninguém aqui deve esperar que eu ofereça um painel completo de uma obra como O Capital (…) Hoje pretendo apresentar um quadro geral dessa obra de Karl Marx, referir-me à sua atualidade e chamar a atenção para algumas questões que dizem respeito exatamente ao seu caráter geral. Os aspectos mais particulares, as muitas contribuições especiais dessa obra ficarão a cargo dos conferencistas seguintes.

Falarmos na atualidade de O Capital, porventura, uma arrogância depois dos desmoronamentos dos regimes do Leste Europeu que se diziam baseados na teoria marxista, tanto em Marx, quanto em seus principais seguidores, particularmente em Lenin (daí ter se criado o termo marxismo-leninismo)? Ou depois do sucedido nesses países e do fato de que, em todos eles ou na grande maioria, se faz um esforço enorme para a implantação do capitalismo? Como então afirmar que a obra de Marx tem atualidade? Não será ela uma obra ultrapassada, que os fatos desmentiram e, com isso, merece a atenção apenas dos eruditos como um capítulo encerrado na história das ideias? Será isso? Obviamente, a ofensiva do neoliberalismo, tanto prática como teórica e ideologicamente, desde os fins dos anos 70, quer fazer com que acreditemos na falência do marxismo. E o que sucedeu nesses últimos anos, com o esfacelamento dos regimes dirigidos pelos partidos comunistas do Leste Europeu e a dissolução da própria União Soviética, parece confirmar o prognóstico do neoliberalismo. Quero frisar, aqui, que me refiro precisamente ao neoliberalismo e não ao liberalismo do século XVIII. Embora um provenha do outro, eles pertencem a épocas muito diferentes e têm sinais diferentes. ler mais

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Jacob Gorender, intérprete do Brasil

David Maciel

Faleceu no último dia 11 de junho, o grande historiador e intelectual marxista brasileiro  Jacob Gorender. Participante ativo dos principais debates políticos e teóricos que marcaram a esquerda brasileira nos últimos 60 anos, por meio de sua militância política e de uma infinidade de artigos e livros, Jacob Gorender se notabilizou no cenário intelectual brasileiro pela elaboração de duas referências fundamentais para a historiografia brasileira e internacional nos temas que discute, os livros O Escravismo Colonial, de 1978, sobre o caráter da formação social brasileira nos períodos colonial e imperial; e Combate nas Trevas, de 1987, sobre a ação da esquerda armada durante a Ditadura Militar.

Nascido em Salvador, em 1923, cedo Gorender se engaja no movimento estudantil e no Partido Comunista Brasileiro, na Bahia, e logo em seguida, em 1943, abandona o curso de direito na Faculdade de Direito de Salvador e alista-se na Força Expedicionária Brasileira (FEB), indo lutar na Itália no final da Segunda Guerra. De volta ao Brasil após a guerra, desloca-se a São Paulo e depois ao Rio de Janeiro e a partir daí passa a atuar organicamente na imprensa do partido, tornando-se um dos seus principais intelectuais, assumindo funções diretivas até a ascensão ao comitê central, em 1960. Entre os anos de 1955 e 1957 frequenta o curso de formação de quadros do PCUS, em Moscou, consolidando sua formação intelectual nos marcos da tradição stalinista. Como fruto deste processo, integra a comissão que elaborou a famosa Declaração de Março de 1958, que fundamenta programaticamente a estratégia reformista de aliança com as forças ditas “progressistas”, inclusive a burguesia nacional, em favor de uma revolução nacional e democrática de perfil antiimperialista e anti-latifundiário. Esta estratégia, que influenciou os partidos comunistas pelo mundo afora por décadas, tem origem nas formulações do VI Congresso da Internacional Comunista (1928) para os países coloniais e semi-coloniais e baseou-se numa compreensão unilinear e teleológica da evolução histórica humana, equivocadamente atribuída a Marx, segundo a qual as sociedades deveriam passar necessariamente pela sequência feudalismo-capitalismo-socialismo. Esta formulação originou uma visão etapista do processo revolucionário, que propugnava ao movimento operário e aos partidos comunistas destes países o apoio às suas respectivas burguesias nacionais em favor de uma revolução burguesa contra o imperialismo e os resquícios feudais e pré-capitalistas. Somente depois disto deveria se desencadear a luta pela revolução socialista propriamente dita. ler mais

******Escr colonial

I. Livros e artigos

Apresentação a O Capital  de Karl Marx

A burguesia brasileira

“Modo de Produção e História”

“O conceito de modo de produção e a pesquisa histórica”

Combate nas trevas

“Coerção e consenso na política”

“Sobre a dissolução da União Soviética”

“Graciliano Ramos: lembranças tangenciais”

“Estratégias dos Estados nacionais diante do processo de globalização”

“Globalização, tecnologia e relações de trabalho”

“Hegemonia burguesa reforçada pela prova eleitoral de 94”

“O que está vivo e o que está morto no Manifesto Comunista?”

“Desafios para um força social emergente”

“O épico e o trágico na história do Haiti”

Trajetória de um herói

 COMBATE_NAS_TREVAS_1233712642P

II. Entrevistas

“Uma vida de Teoria e práxis”  (Arrabaldes)

“Liberalismo e Escravidão” (Estudos Avançados)

“Entrevista ao Programa Roda Viva

“Entrevista” (Margem Esquerda)

“O socialismo como força de massa”, Brasil Revolucionário

Entrevista ao projeto Marcas da Memória

“Memórias de um aprendiz de russo” (OESP)

Jacob Gorender (Teoria&Debate)

Testemunha da história (T&D)

“Depoimento de Jacob Gorender” (Seja realista, peça o impossível)

III. Vídeos e entrevista sonora com Jacob Gorender

Entrevista sobre a militância juvenil, Carolina Ruy e Fernando Faria

A esquerda revelada

Ato em Defesa do Marxismo

I Curso Livre Marx & Engels

Historiador Jacob Gorender e a tese do Escravismo Colonial

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IV.  Trabalhos sobre a obra de Jacob Gorender

“A revolução copernicana de Jacob Gorender”, Mário Maestri.

Marxismo sem classe operária é possível?, Duarte Pereira

Marxismo, aposta e crítica, João Antônio de Paula

Sobre a trajetória teórica e política de J. Gorender, Caio N. de Toledo

“O Escravismo Colonial e um debate ainda atual”, Bruno A. Picoli

“A escravidão colonial brasileira na visão de C. Prado Jr. e J. Gorender: uma apreciação crítica”, Andrés Ferrari e Pedro Cézar Fonseca

“A revolução epistemológica de Jacob Gorender”, Tiago Pansera

“A polêmica historiográfica como um espaço de embate teórico e político: O caso de Jacob Gorender, S. Chalhoub e S. Lara”, Carlos Fernando de Quadros

Jacob Gorender, Lincoln Secco

“Resenha de Marxismo sem utopia”, A. Boito Jr. e C. N. Toledo

 

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