Reforma e crise política no Brasil

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Reforma e crise política no Brasil: os conflitos de classe nos governos do PT, Armando Boito Jr., Unicamp/Unesp, 2018; por Alexandre Marinho Pimenta, Mestre em Sociologia pela UnB. Membro do Conselho Consultivo do marxismo21.

 Reforma e crise política no Brasil: os conflitos de classe nos governos do PT (2018), do professor titular de Ciência Política da UNICAMP, Armando Boito Jr., desponta como importante tentativa de interpretação da era petista sob uma orientação marxista. A obra reúne suas produções recentes, mas pode ser entendida como uma obra coletiva: escrito no âmbito de um projeto de pesquisa coordenado pelo autor, vários colegas seus são coautores de capítulos e outros tantos colaboraram de alguma forma em sua elaboração. A dimensão política do livro também é inegável: a compilação envolve artigos publicados anteriormente em revistas e espaços políticos, além de um apêndice cujo conteúdo é uma comunicação interna no âmbito da organização Consulta Popular. Sendo assim, podemos considerar a crítica a tal obra como política e acadêmica concomitantemente.

O livro é dividido em duas partes. A primeira, dedicada à “reforma”, é subdividida em seis capítulos e possui o grosso das teses de Boito sobre o referido momento nacional, que, de certa forma, só serão atualizadas para a recente conjuntura de crise política na segunda parte, por sua vez, subdividida em 5 capítulos. Tal organização “diacrônica” do livro, no entanto, não elimina sérias barreiras em sua compreensão e entendimento.

Primeiro chama a atenção o grande intervalo temporal dos textos, produzidos ao longo de uma década. Várias teses, de momentos diferentes da pesquisa do autor, convivem sem reelaboração ou síntese. Entende-se a pretensão de manter a integralidade dos artigos, já publicados em outros lugares, mas as repetições presentes no livro chegam ao extremo de uma nota de rodapé permitindo o leitor pular páginas inteiras de texto integralmente copiado de páginas anteriores (BOITO JR., 2018, p. 158). A sensação que fica para o leitor é da necessidade de uma revisão que tornasse o texto em algo coeso e objetivo. O autor se mostra consciente desses problemas, e tenta saná-los na apresentação — onde mapeia rapidamente a evolução de aspectos centrais de seu argumento. Mas essa ciência pouco altera o fato em tela. ler mais

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