Valsa Brasileira

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Valsa brasileira: do boom ao caos econômico, de Laura de Carvalho.Todavia, 2018. Por Alexandre Marinho Pimenta, Mestre em Sociologia pela UnB.

“Como a economia de um país continental evoluiu, em apenas sete anos, da euforia de um    cenário de crescimento bem acima da média das últimas décadas, com vigorosa geração de empregos formais e alguma redução das desigualdades, para uma das maiores crises de sua história?

Esta é a pertinente pergunta que abre e mobiliza mais uma intervenção de Laura Carvalho no debate público, por meio do livro Valsa brasileira: do boom ao caos econômico, lançado em maio de 2018.

Economista de destaque cada vez maior no cenário nacional, professora da USP e colunista da Folha de S. Paulo, Carvalho desponta também como emergente figura política de esquerda. Atualmente coordenadora da equipe econômica da pré-candidatura de Guilherme Boulos (PSOL), a jovem autora pretende com o livro não apenas realizar uma análise econômica de nossa tragédia ao alcance do grande público, mas também esboçar um protótipo de programa de governo – como se percebe indiretamente durante todo o livro e de maneira mais explícita no capítulo 4 – Acertando os passos.

A dimensão pragmática não só é considerada pela pretensão política do livro, mas é elevada como eixo analítico privilegiado. O que caracteriza sua análise do período petista e pós-petista é focar na política econômica nacional como fator explicativo fundamental. Ou seja, trata-se, por um lado, de um livro que não compra as teses explicativas a partir de um primado do cenário externo e seu ciclo das commodities; ou da crise como fruto do excessivo uso do Estado e abandono contínuo das bases econômicas dos anos 1990; nem mesmo do primado da oposição política das elites para gerar a recessão.

Opõe-se, assim, a economistas e demais cientistas sociais das mais variadas matrizes. O panorama que pretende montar se faz através da conjunção entre contextos, mais ou menos favoráveis, e decisões e linhas da política econômica, com as quais concorda ou critica. Isso, inclusive, lançando mão de uma literatura não econômica no sentido estrito, um dos aspectos mais interessantes do livro. ler mais

 

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