Florestan Fernandes

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Florestan Fernandes figura entre os mais destacados marxistas brasileiros, não só por seu rigor teórico e pela abrangência e originalidade de sua obra, mas também por seu compromisso militante com uma ciência social crítica. Ao longo de cinco décadas Florestan Fernandes buscou articular, direta e indiretamente, pesquisa, reflexão e consciência crítica com engajamento politico e social, estabelecendo um diálogo rico e inovador entre o marxismo e outras contribuições teóricas. Como professor, pesquisador, militante e politico profissional Florestan foi um intelectual socialista vinculado às lutas sociais e aos interesses dos “de baixo”, resgatando historicamente a organização social das sociedades indígenas, denunciando a situação social dos negros e despossuídos, analisando a dinâmica, os limites e as contradições do Estado e do capitalismo no Brasil, apontando os desafios e os impasses das lutas sociais em favor de profundas transformações sociais.

Por conta disto, ao se completar vinte anos de seu falecimento, marxismo21 publica um novo dossiê sobre a obra e a trajetória deste rigoroso e radical intelectual, em especial neste momento, em que as ilusões acerca das soluções políticas estritamente institucionais, tantas vezes por ele denunciadas, voltam a ameaçar os trabalhadores.

Os editores são gratos a seus leitores e membros do Conselho Consultivo pelo envio de novos materiais (artigos, trabalhos acadêmicos, entrevistas e vídeos) que ampliam o primeiro dossiê publicado em 2012.

10 de agosto de 2015

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Florestan Fernandes marxista

Antonio Candido

              É significativo e oportuno que seja prestada homenagem a Florestan Fernandes no quadro de um simpósio dedicado a celebrar o centenário da morte de Friedrich Engels, pois Florestan era um marxista convicto, embora não dogmático. Mesmo porque chegou ao marxismo, no curso de um processo intelectual completo, que não anulou, mas incorporou outras linhas teóricas. Basta dizer que ao mesmo tempo em que estudava a obra de Marx, nos anos 40, pautava a sua investigação pelos princípios do positivismo sociológico francês e do funcionalismo anglo-americano. Àquela altura, de um lado traduziu e fez uma sólida introdução à Contribuição à crítica da economia política, de Marx; de outro lado, usou o arsenal teórico do funcionalismo para desvendar a organização social dos tupinambá. Além disso, era militante no grupo trotskista liderado por Hermínio Sacchetta, que tentou em 1945 formar uma frente ampla com o nome de Coligação Democrática Radical, que não deu certo, mas à qual o jovem Florestan dedicou muito esforço durante certo tempo. Diante disso, pode-se perguntar: era um eclético? Não. Em primeiro lugar, notem que estou descrevendo a fase inicial de uma formação que ainda não amadurecera por completo. Em segundo lugar, porque vendo as coisas de hoje percebe-se que estava explorando como socialista linhas teóricas de maneira, por assim dizem paralela, acabando por extrair da sua interação uma visão coerente e flexível. Assim foi que ao cabo de certo número de anos o seu paralelismo teórico chegou ao que se poderia chamar de marxismo enriquecido, que foi a sua fórmula pessoal. Marx também explorou diferentes linhas, por vezes potencialmente conflitantes, com a economia liberal, inclusive a teoria de Ricardo, o radicalismo democrático francês, o materialismo filosófico alemão, e nem por isso foi eclético.

            Florestan Fernandes pode, portanto, ser considerado um marxista de formação lenta e compósita, mas muito pessoal. O seu grande feito sob este aspecto consistiu em fundir harmonicamente o rigor da sociologia acadêmica com a perspectiva politica. Quando chegou a isto, estava pronto o Florestan Fernandes que instituiu no Brasil um novo tipo de sociologia, transformando a sociologia científica neutra em sociologia participante, sem perder nada do rigor metodológico e da objetividade na investigação. Creio que ele foi o primeiro e até hoje o maior praticante no Brasil desse tipo de ciência sociológica, que é ao mesmo tempo arsenal da práxis, fazendo o conhecimento deslizar para acrítica da sociedade e a teoria da sua transformação. O texto continua à p. 58 

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I, Obras de Florestan Fernandes

A função social da guerra na sociedade Tupinamba

A integração do negro na sociedade de classes (vol. I)

Comunidade e Sociedade como entidades típico-ideais

Significado do protesto negro

 Mudanças sociais no Brasil

Capitalismo dependente e classes sociais na América Latina

 Família patriarcal e suas funções econômicas

Padrões de dominação externa na América Latina

 Fundamentos empíricos da explicação sociológica (Parte 1)

 A revolução burguesa no Brasil

O negro no mundo dos brancos

Circuito fechado

Que tipo de República?

Nem federação, nem democracia

Depoimento – Memória viva da educação brasileira

Depoimento – História, histórias

Reflexiones sobre las revoluciones interrompidas

Ciências sociais na ótica do intelectual militante

Democracia e Socialismo

Sobre o trabalho teórico 

Entrevista, Tempo Social, 1993

Depoimento – História, histórias

Depoimento – Memória viva da educação brasileira

Depoimento Sobre Hermínio Sacchetta

Significado Atual de José Carlos Mariátegui

Revolução, um fantasma que não foi esconjurado

Prestes, O Herói Sem Mito

A ciência aplicada e a educação como fatores de mudança cultural provocada

A percepção da Assembleia Nacional Constituinte

Sumário do Curriculum de Florestan Fernandes

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II. Textos sobre a obra de Florestan Fernandes

Sociólogo conciliou ciência e política, Emília Viotti Costa

Florestan Fernandes: 20 anos depois. Um exercício de memória, Vera Cepêda e  Thiago Mazucato

O intelectual Florestan Fernandes e seus diálogos intelectuais, Vera Cepêda e Thiago Mazucato

Celebrando Florestan Fernandes e a questão da educação brasileira , Amone Inacia Alves

Um breve depoimento, Maria Arminda do Nascimento Arruda

A sociologia de Florestan Fernandes, Maria Arminda do Nascimento Arruda

O mito da burguesia nacional no pensamento de esquerda no Brasil pré-64: a crítica de Caio Prado Junior e Florestan Fernandes, Mabelle Bandoli

Apontamentos sobre a Revolução burguesa em Florestan Fernandes, Gilcilene de Oliveira Barão

A Função Social da Guerra na Sociedade Tupinambá, Paula Beiguelman

Florestan Fernandes e os Sem Terra, Ademar Bogo

O nome verdadeiro, Márcia Camargos

Lembrando Florestan Fernandes, Antonio Candido

Florestan Fernandes: a criação de uma problemática, Miriam Limoeiro-Cardoso

FF e a crítica da economia política desenvolvimentista, Rodrigo Castelo

A “transição transada”. Florestan Fernandes e a democratização 1984-1994), Rodrigo Chagas

Florestan Fernandes e o radicalismo plebeu em Sociologia, Gabriel Cohn

Florestan Fernandes Grande Mestre e Lutador do Povo, Consulta Popular

Marxismo e “imagem do Brasil em FF”, Carlos Nelson Coutinho

Florestan, um intelectual do povo, Glauco Faria

Democracia e educação em Florestan Fernandes , Osmar Fávero (org.).

Vinte anos sem Florestan, Heloísa Fernandes

Florestan e a educação, Heloísa Fernandes

Em busca da universidade pública e popular: a Escola Nacional Florestan Fernandes, Heloisa Fernandes

A atualidade da interpretação sociológica de Florestan Fernandes, Heloisa Fernandes

Florestan Fernandes, Um Sociólogo Socialista , Heloísa Fernandes

As três casas de Florestan Fernandes, Heloísa Fernandes

As chaves do exílio e as portas da esperança, Heloisa Fernandes

Capitalismo selvagem e revolução dentro da ordem, Heloisa Fernandes

Florestan Fernandes: revisitado – Barbara Freitag

A Sociologia de Florestan Fernandes, Octavio Ianni

Florestan Fernandes e a defesa da escola pública, Roberto Leher

A leitura sociológica do folclore paulistano: a contribuição de Florestan Fernandes, Débora Mazza

Capitalismo dependente e reforma universitária consentida, Kátia Regina de Souza Lima

Florestan Fernandes e a contra-revolução Brasileira, Rogério Fernandes Macedo e
Roziane da Silva Cerqueira

Florestan Fernandes e a profissionalização da Sociologia,  Jacob Carlos Lima

Florestan Fernandes e a questão do transformismo na transição democrática brasileira, David Maciel

A revolução burguesa sob o olhar de um socialista revolucionário, Mário Maestri

A Educação segundo Florestan Fernandes, Iziane Andrade Maia

Pensar o capitalismo contemporâneo a partir da obra de FF, Thiago Mandarino

Florestan: sociologia e consciência social no Brasil, José de Souza Martins

Conceito de integração em Florestan Fernandes, Duarcides Ferreira Mariosa

Florestan Fernandes: a vitalidade de um pensamento político, Paulo Henrique Martinez

Florestan Fernandes e a Consolidação das Ciências Sociais no Brasil,  Thiago Pereira da Silva Mazucato

Florestan Fernandes, clássico da interpretação do Brasil, Jaldes Menezes

Florestan Fernandes e o negro: uma interpretação política, Clóvis Moura

Interpretando a Modernização Conservadora: A Imaginação Sociológica Brasileira em Tempos Difíceis, Fernando Perlatto

Florestan Fernandes: Elementos para uma reflexão militante, Adelar Pizetta

O legado de Florestan Fernandes, Adelar Pizetta

Florestan Fernandes: La historia y la sociologia como conciencia, Julio Le Riverend

Indivíduo e sociedade: Florestan Fernandes e Nobert Elias, Marcelo Rosa

Florestan Fernandes, o sociólogo militante, Vladimir Sachetta

Universidade e o papel do intelectual em Florestan Fernandes, Zuleide Silva

A Questão Racial Analisada por Florestan Fernandes, Cleito Pereira dos Santos

Partido Político em Florestan Fernandes, Michael Silva

F. Fernandes e os dilemas intelectuais contemporâneos, Eliane Veras Soares

Florestan Fernandes: Questão Racial e Democracia – Rafael Marchesan Tauil

Sociologia e Socialismo na obra de Florestan Fernandes, Caio N. de Toledo

A questão democrática em Florestan Fernandes, Silvana Tótora

O Retorno dos Ancestrais, ou Alguma Coisa Que Sei Sobre o Florestan dos Antropólogos,  Felipe Vander Velden

III. Trabalhos acadêmicos

Caminhos para uma sociologia pública: Pierre Bourdieu e Florestan Fernandes, Keila Lúcio de Carvalho

Florestan Fernandes em questão: um estudo sobre as interpretações de sua sociologia, Diogo Valença Costa

As raízes ideológicas da Sociologia de Florestan Fernandes, Diogo Valença Costa

Florestan Fernandes e a sociologia como críticas dos processos sociais, Duarcides Ferreira Mariosa

Desvendando mitos: as relações entre raça e classe na obra de Florestan Fernandes, Daniele Cordeiro Motta.

A crítica do capitalismo dependente, Plínio Arruda Sampaio Jr.

Capitalismo dependente e (contra) revolução burguesa no Brasil, Carlos Paiva

Florestan Fernandes e Guerreiro Ramos : um debate, Tatiana Martins

Sociologia de F. Fernandes e a questão educacional, Debora Mazza

Florstan Fernandes : pedagogia nova e a centralidade da categoria Revolução, Gilcilene Barão

Florestan Fernandes e a questão da intelectualidade, Tatiana Martins

Revista Florestan

IV. Vídeos

 “O mestre”, TV Câmara Federal

Entrevista Roda Viva, 1984

Depoimento: “Em defesa do marxismo”1991,  USP

Antonio Candido: homenagem a Florestan Fernandes

“Capitalismo dependente e classes sociais no Brasil

Florestan Fernandes: programa RodaViva, 1994

Pensando com Florestan Fernandes, programa Realidade Brasileira.

Florestan Fernandes e a Escola Paulista de Sociologia

50 Anos de “A Integração do Negro na Sociedade de Classes”

Cordel na Praça da Sé sobre Florestan Fernandes – Evocações na Contramão

Florestan Fernandes e a Escola Paulista de Sociologia

Florestan Ferrnandes comenta Plano Cruzado

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