Neste dossiê, marxismo21 reúne e divulga uma seleção da produção intelectual, didática e política de Manoel Maurício de Albuquerque, professor, historiador e geógrafo influenciado pelo marxismo, cuja trajetória esteve estreitamente vinculada ao ensino de História, à pesquisa sobre a sociedade brasileira e à elaboração de materiais destinados à formação histórica de estudantes e do público não especializado.
A Editoria é grata ao trabalho de pesquisa de Sérgio Braga – docente da UFPR e membro do Conselho Consultivo de marxismo21 – pela proposta e elaboração deste primoroso dossiê que homenageia Manoel Maurício de Albuquerque, qualificado e combativo historiador. Sua intensa e criativa atividade intelectual merece ser conhecida, pois, na melhor tradição do marxismo clássico, esteve sempre comprometido com as lutas de seu tempo.
Editoria de marxismo21
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Apresentação
Nascido em Alagoas, em 1º de dezembro de 1927, Manoel Maurício formou-se bacharel e licenciado em História e Geografia, em 1954, pela antiga Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, posteriormente incorporada ao Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ). Sua atividade docente desenvolveu-se em diferentes níveis de ensino. Lecionou em escolas secundárias, cursos preparatórios e instituições de ensino superior, tendo sido professor assistente de História do Brasil no atual IH/UFRJ, titular de História Econômica do Brasil na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e professor de História Diplomática do Brasil e História da América no Instituto Rio Branco. Também atuou como geógrafo do Conselho Nacional de Geografia e como documentarista do antigo Instituto Nacional de Imigração e Colonização.
Sua produção intelectual abrangeu livros, manuais escolares, atlas, dicionários, artigos históricos e geográficos, verbetes enciclopédicos, mapas, roteiros cinematográficos, apostilas e materiais de apoio ao ensino. Entre seus trabalhos encontram-se o Atlas Histórico Escolar, Invasões Francesas, o 2º Caderno de História do Brasil, o Pequeno Dicionário de História do Brasil, a Pequena Bibliografia de História do Brasil e diferentes versões de livros e exercícios destinados ao ensino de História. Destaca-se, nesse conjunto, a Pequena História da Formação Social Brasileira, sua obra magna, publicada em 1981, obra na qual o autor procurou apresentar, de forma sintética e acessível, uma interpretação estrutural e dialética da formação histórica brasileira, influenciada pelos trabalhos de Louis Althusser e seus colaboradores. ler mais
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1) Livros e capítulos:
– Albuquerque, M. M. (1950). As Invasões Francesas. Coleção Brasil, 12. Rio de Janeiro: MEC.
– Albuquerque, M. M. (1963). Atlas histórico e geográfico brasileiro. Rio de Janeiro: MEC.
– Albuquerque, M. M. (1984). Pequena História da Formação Social Brasileira. São Paulo: Graal. 3 ed.
– Albuquerque, M. M. (1984). Pequena História da Formação Social Brasileira. São Paulo: Graal. 1 ed. [Fac-símile da 1 Edição com sublinhados e notas de Sérgio Braga]
– Albuquerque, M. M. (1987). Mestre-escola bem-amado; historiador maldito. Rio de Janeiro: Zahar. [Depoimentos e artigos com várias informações de Maria Bárbara Levy e Eulália; artigos no final com testemunhos sobre os verbetes que ele escreveu para a enciclopédia dos municípios]
– Albuquerque, M. M. (1977). Atlas histórico escolar [por]Manoel Maurício de Albuquerque, Arthur Cézar Ferreira Reis [e]Carlos Delgado de Carvalho. 7. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro, FENAME, 1977.
– IBGE. Conselho Nacional de Geografia. (1960). Atlas do Brasil; Geral e Regional. Prefácio de Jurandir Pires Ferreira. Introdução de Manoel Maurício de Albuquerque, p. 03-08.
– IBGE. Grande Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Comentários a fotos e textos produzidos. [Compiladas de colorizadas por Sérgio Braga]
– IBGE. (1958). Grande Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. IV. Grande Região Nordeste. Autor da parte referente ao Povoamento do Litoral e do Agreste, pp. 150-226; 517-535.
– IBGE. (1958). Grande Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. V. Grande Região Nordeste. Autor da parte referente ao Povoamento do sertão e da Chapada Diamantina, pp. 282-324; 587-607.
– IBGE. (1964). Grande Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, vol. XIII. Grande Região Nordeste. Autor da parte referente a Formação Territorial do Brasil (Administração Nacional e Difusão Cultural). População, Imigração e Colonização (Grupos étnicos do Brasil), p. 19-33; 200-231.
2) Material do Arquivo Público do Rio de Janeiro [AGPRJ]
– AGRJ. Inventário dos materiais contidos nos arquivos sobre Manoel Maurício.
– AGRJ. Coleção Particular Manoel Mauricio de Albuquerque
– AGRJ. Guia de Fundos do AGRJ.
– C01P04. Apostilas sobre temas diversos de História. 23 p.
– C02P01. Resenhas & Prefácios. Apresentação Carlos Escobar. 12p.
– C02P03. Pequeno Dicionário História Brasil.Verbetes. 63p.
– C02P05. Texto da HQ “Esmeraldas Vivas”.8p.
– C02P06. Artigos Magazines. 41p.
– C02P06. Paper sobre Transformações Culturais na Formação Social Brasileira. 32p.
– C03P01: Vida profissional. Debates sobre o papel do Historiador [debates com Hélio Silva e outros sobre o papel do historiador]47p.
– C03P03. Programas Curso. 23p. [um junto com Eulália Maria Lobo]
– C04P01. Documentação Pessoal. Currículo e fotos.29p.
– C04P05. Mandatos, Prisão & Processo. 41p. [vários depoimentos a favor e uma declaração dele]
– C04P08. Notícias sobre o falecimento. 14p.
– C04P10. Recortes – Jornais & Entrevistas. 54p.
– C05P04. Cartas& Bilhetes Alunos. 14p.
– C06P02. Fotografias. 54p.
3) Artigos em Periódicos e Prefácios.
– Albuquerque, M. M. & Silva, J. L. W. (1972). Sétima aula; o período pré-colonizador do Brasil. Sugestões para a sua análise. Revista do IHGB, volume 287, abril-junho, p. 217-231.
– Albuquerque, M. M. (1975). Reformas na América Latina. Ensaios de Opinião. N. 2, p. 32-35.
– Albuquerque, M. M. (1978). A propósito de Rebelião e Trabalho Escravo. Encontros com a Civilização Brasileira, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, p. 79-90.
– Albuquerque, M. M. (1979). Prefácio a “História Financeira do Brasil”, de Maria Bárbara Levy. Rio de Janeiro: IBMEC, p. 11-12.
– Albuquerque, M. M. (1979). Prefácio a “Ciência da História e Ideologia”, de Carlos Henrique Escobar. Rio de Janeiro: Graal, p. 09-10.
4) Material do SIAN, arquivos da repressão.
– SIAN.SNI. 1979.“Punidos recebem homenagem” [informe do SNI baseado em recorte da FSP]
– SIAN. DOPS-GB. 1972. “Os cientistas sociais no Hotel Nacional”.
– SIAN. SNI. CIE. CENIMAR. DSI/MEC. 1972. “Prof. Manoel Maurício de Albuquerque” [dossiê com artigo acusando-o de participar da célula “O encouraçado Potenkim”]
– SIAN. SD. Edição Fac-similada do “Atlas Histórico Escolar”.
– SIAN. CISA/RJ. SNI. 1979. “Manoel Maurício de Albuquerque. Curso de História” [cópia de panfleto anunciando curso no Teatro Casa Grande]
– SIAN. SNI. CIA. CISA. 1972. “Infiltração e atuação comunista no ensino superior” [informe sobre a atuação de vários professores no ensino superior, incluindo MMA].
5) Sobre MMA. Artigos e livros que mencionam o autor.
– Associação dos Docentes da USP. 2004. O controle ideológico na USP: 1964-1978. São Paulo: Adusp [menção ao decreto que puniu Manoel Maurício e outros intelectuais durante a ditadura militar].
– Barros, F. R. A. de. (2005). ABC das Alagoas: Dicionário biobibliográfico, histórico e geográfico de Alagoas (Tomo I, A–F; Edições do Senado Federal, Vol. 62-A). Senado Federal, Conselho Editorial.
– Braga, S. 2026. O Materialismo Histórico do Maneco na Pequena História da Formação Social Brasileira. Texto elaborado para o dossiê de marxismo21.
– Centro Acadêmico Manoel Maurício de Albuquerque [@UFRJCAMMA]. (2021, 1 de dezembro). Hoje Manoel Maurício de Albuquerque completaria 94 anos. Quer conhecer mais da história da pessoa que dá nome ao nosso CA? [Thread]. Twitter.
– Gomes, A. de C., & Vainfas, R. (1992). Entrevista com Eulália Maria Lahmeyer Lobo. Estudos Históricos, 5(9), 84–96.
– Liblik, C. S. da F. K. (2016). Trajetória de Maria Yedda Linhares: Notas sobre a construção de um devir. História da Historiografia, (22), 116–133.
– Lobo, E. M. (1999). Maria Bárbara Levy; seu papel na historiografia econômica do Brasil. Revista de História Econômica e de Empresas. II.2, p. 63-82. [várias passagens sobre MMA]
– Martins, I. de L., & Kocher, B. (Orgs.). (2024). Vida e obra de Eulália Lobo: Uma artesã de Clio. Hucitec Editora.
– Monteiro, F. (2010, 1 de novembro). Manoel Maurício de Albuquerque (1927–1981). SINTECT Alagoas.
– Oliveira, Manke & Santos. (2020). Histórias do Ensino de História. Recife: EDUFPE. [menciona os manuais redigidos por MMA para o MEC]
– Peixoto, R. A. (2022). Desconstruindo os atlas históricos brasileiros: Do Parergon ao Atlas Histórico Escolar. História (São Paulo), 41.
– Peixoto, Renato Machado. (2019). A elaboração do Atlas Histórico Escolar do MEC: entrevista com a historiadora Miridan Britto Falci. Antíteses, Londrina, v.12, n. 23, p. 818-838, jan-jul. 2019. [várias passagens onde menciona o invulgar talento de MMA na elaboração do Atlas]
– Peixoto, Renato Machado. (2022). Desconstruindo os Atlas históricos; do Paregon ao Atlas Histórico Escolar. [Menciona os materiais preparatórios para a elaboração do Atlas contidos no APRJ]
– Tenorio, T. da S. (2019). Esquadrinhando a nação: A formação da identidade nacional em A Independência do Brasil em quadrinhos (1972) [Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Norte].
– Tenório, D. A. (2000). Presença de Alagoas. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, 161(408), 179–190.
6) Outros materiais. Filmes, roteiros, consultorias históricas.
– Filme: “Jornalismo e Independência”. Direção: Nelson Pereira dos Santos. [MMA aparece a partir do minuto 3:40]
– Peça Teatral: “Ópera do Malandro”. Chico Buarque de Holanda.
– Filme: “Getúlio Vargas, Imagens de Um Mito”. Direção: Ana Carolina.
– Filme: “Joana Angélica”. Direção de Walter Lima Jr.