Edmundo Fernandes Dias

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Neste dossiê,  divulgamos um conjunto de materiais (livros, artigos, entrevistas, vídeos etc.) em torno de Edmundo Fernandes Dias (1942-2013), um dos mais importantes intérpretes da obra de Antonio Gramsci no Brasil.  Com um extenso histórico de lutas na militância docente do ensino superior brasileiro, notadamente como dirigente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN), Dias procurava utilizar as categorias analíticas gramscianas também na atuação político-sindical, o que fez por meio de uma rigorosa produção teórica acerca do pensamento de Gramsci e das aplicações de seus conceitos à realidade brasileira contemporânea.

Somos gratos a Gilberto Calil e Lívia Moraes, membros do Conselho Consultivo do blog, e a Alvaro Bianchi, Fábio Villela e Renato César Fernandes, pelo envio de sugestões de textos ou de materiais que compõem o presente dossiê.

Editoria / 4 dezembro 2016

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Notas sobre a produção teórica e política de Edmundo Fernandes Dias

Edmundo Fernandes Dias foi um dos pioneiros nos estudos gramscianos no Brasil e se notabilizou por empreender uma interpretação da obra de Antonio Gramsci que contesta as leituras de viés reformista e/ou liberal, hegemônicas no país ainda hoje. As primeiras, apesar de reivindicarem o âmbito do materialismo histórico e da perspectiva da luta de classes, têm como uma de suas características principais a interpretação do conceito de “guerra de posição” como a escolha necessária de uma estratégia de “longa marcha” por entre as próprias instituições do Estado capitalista para se chegar à superação deste. Já as segundas retiram do conceito de “hegemonia” seu conteúdo classista para tratá-lo de forma livre e reelaborada, tornando a meta de construção de uma “nova hegemonia” como sinônimo de “radicalização democrática”, nova “cultura política”, etc., obviamente descartando qualquer consideração sobre a superação da sociedade do capital como possibilidade a ser levada à sério. Dias se postava contra uma e outra leituras, tentando fazer com que não se perdesse de vista o caráter estritamente revolucionário dos escritos de Gramsci e sua permanente vinculação com uma crítica radical de todas as dimensões da sociedade capitalista.

É necessário aqui fazer ao menos uma breve menção sobre a relação intelectual de Dias com o mais importante difusor da obra de Gramsci no Brasil, Carlos Nelson Coutinho. Reconhecendo seu gigante empreendimento intelectual ao traduzir parte significativa dos escritos de Gramsci no país, Dias considerava, todavia, que a interpretação de Coutinho reproduzia certo viés reformista com respeito à obra de Gramsci, reverberando no Brasil as leituras eurocomunistas que se processaram na Itália do pós-guerra. A polêmica entre ambos foi permanente, embora jamais tenha ultrapassado as raias da cordialidade e respeito mútuos, como se testemunhava em ocasiões públicas e eventos sobre o pensamento de Gramsci nos quais Dias e Coutinho se encontravam. O momento mais importante em que Dias registrou sua discordância teórica com Coutinho está numa pequena coletânea chamada O Outro Gramsci, que disponibilizamos aqui para o leitor. ler mais

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I. Livros:

Revolução passiva e modo de vida: ensaios sobre as classes subalternas, o capitalismo e a hegemonia (2012)

Revolução e história: das Teses ao Manifesto (2011)

Política brasileira: embate de projetos hegemônicos (2006)

Gramsci em Turim: a construção do conceito de hegemonia (2000)

O eterno fascínio do Florentino: para uma leitura de Maquiavel (1999)

A liberdade (im)possível na ordem do capital: reestruturação produtiva e passivização (1997)

A ofensiva neoliberal, reestruturação produtiva e luta de classes (1996)

O outro Gramsci (1996)

Para uma introdução à reflexão weberiana (1993)

 IIArtigos

Hegemonia: nova civiltà ou domínio ideológico? (2014)

Intelectuais: para que e para quem? (2013)

Educação, luta de classes e revolução (2011)

Projetos hegemônicos: a propósito da crise (2010)

Ensino superior em SP: expansão privatista e consequências na Educação básica (coautoria Lalo Watanabe Minto) (2010)

Modo de produção e educação (2009)

O Dezoito: um golpe e sua decifração (para uma crítica da política) (2008)

A questão da ideologia em Antonio Gramsci (coautoria de Nágela Aparecida Brandão) (2007)

Dinheiro, fetichismo e político: L’ homme et le citoyen: o debate nos Anais franco-alemães (2007)

Hegemonia e reforma (2005)

Estado, capital, trabalho e organização sindical: a (re)construção das classes trabalhadoras no Brasil (Coautoria de Antonio de Pádua Bosi) (2005)

Reformas ou contra-revolução? O governo Lula (2004)

Reforma da previdência ou como destruir gerações (2004)

Traição ou lógica? (2004)

Democrático e popular? (2003)

Gramsci e a política hoje (2002)

Justiça infinita: um Strange love (2002)

O possível e o necessário: as estratégias das esquerdas (1999)

Restruturação produtiva – a forma atual da luta de classes (1998)

Nota em memória a Sílvio Frank Alem (1995)

A Universidade em debate (1983)

IIIEntrevistas

Apresentação à entrevista de Edmundo Fernandes Dias, por Gilberto Calil e Antonio de Pádua Bosi (2015)

Entrevista com Edmundo Dias, por Gilberto Calil (1999, republicada em 2015)

O constante desafio de decifrar a esfinge capitalista, por Monica de Jesus Cesar (2012)

Entrevista, ADUR Informa (2011)

História, trabalho e educação, por Lucelma Braga, Paulino Orso, Celi Taffarel, Elza Peixoto, Maria de Fátima Pereira (2011)

‘No que se refere às classes, não vai haver nenhuma modificação fundamental’, por Cátia Guimarães (2010)

Edmundo Fernandes Dias (Entrevista – revista Universidade e Sociedade/2003)

IV. Homenagens

Edmundo Fernandes Dias: a pedagogia como política, Alvaro Bianchi (2016)

Retrato de uma figura exemplar: para lembrar o passamento do professor Edmundo Fernandes Dias, Leonardo Melo e Silva (2013)

À memória de Edmundo Fernandes Dias, um marxista crítico e revolucionário, Ruy Braga (2013)

Intelectual, educador e militante, Sueli Guadelupe de Lima Mendonça, Lívia de Cássia Godoi Moraes, Lalo Watanabe Minto (2013)

“Ciao Bello” ou arriverdeci ao camarada comunista Edmundo, Betto della Santa (2013)

Nota de pesar, ANDES-SN (2013)

Nota da Adunicamp (2013)

Nota da APUFPR (2013)

Edmundo Dias, exemplo de militância, Adusp (2013)

Nota do ICP e da Revista Novos Temas (2013)

Companheiro Edmundo!, Sintunesp (2013)

Nota da Apub (2013)

Homenagem a Edmundo Fernandes Dias, IV EBEM (2009)

V. Resenhas de livros de Edmundo Fernandes Dias

 Revolução passiva e modo de vida

Por Alberto Luis C. de Farias

Por Leandro de Oliveira Galastri

Por Rodrigo Duarte Fernandes dos Passos

Revolução e história: das Teses ao Manifesto

Por Antonio de Pádua Bosi

Por Maria Cristina Cardoso Pereira

Por José de Lima Soares

Política brasileira: embate de projetos hegemônicos

Por Carla Luciana Silva

VI. Vídeos

Homenagem a Edmundo Fernandes Dias (Abertura do VIII Colóquio Marx Engels)

Curso no Núcleo Piratininga de Comunicação

Educação, consciência de classe e estratégia revolucionária

30 anos de Andes

Homenagem do Histedbr-MA

 

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A PEC 241 e o desmonte do Brasil

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marxismo21 tem dado ênfase à publicação de dossiês teóricos temáticos e relativos à produção de marxistas brasileiros/as. Nem por isso se furtou ao tratamento de temas da conjuntura brasileira, como provam as publicações dos dossiês sobre: As manifestações de junho de 2013; 10 anos de governo do PT; Esquerdas e eleições de 2014; A conjuntura pós-eleitoral; Ajuste fiscal; e Crise política no Brasil: 2016.

Na conjuntura atual, o coletivo marxismo21 também denunciou o golpe de Estado perpetrado pelas forças políticas alinhadas ao governo Temer e, mais recentemente, publicou um extenso dossiê com textos críticos ao Projeto Escola Sem Partido, que visa “garantir a hegemonia do ideário conservador construído e amplamente difundido pelos aparelhos ideológicos do capitalismo brasileiro”.

Diante da nova iniciativa do governo golpista de Michel Temer de tentar aprovar a PEC-241, marxismo21 soma-se às forças progressistas e de esquerda na crítica e militância contra esta proposta que, se aprovada, representará um duro ataque às conquistas e aos direitos sociais dos trabalhadores brasileiros. Com isso, publicamos mais um extenso conjunto de textos e documentos que se orientam pela perspectiva crítica à política antipopular do atual executivo federal. Diferentemente do que prega o governo usurpador, a PEC 241 não irá “retirar o país do vermelho”, nem tampouco contribuirá para “construir o Brasil”. Na verdade, a PEC 241 é a demonstração cabal de que nos momentos de crise, deve imperar a lógica da “socialização das perdas e da privatização dos lucros”. Ou seja, quem vai “pagar o pato” da crise serão, novamente, os trabalhadores.

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O dossiê “A PEC 241 e o desmonte do Brasil” contém uma qualificada e diversificada quantidade de materiais, tais como: pesquisa de opinião, informações sobre manifestações, campanhas e notas públicas de importantes entidades contra a PEC 241, estudos, pareceres técnicos e artigos produzidos por entidades, intelectuais e militantes progressistas, assim como vídeos didáticos e de análise crítica à proposta do governo.

Somos gratos a Gilberto Calil, Gonzalo Rojas, Livia Moraes, Maurício Martins, Paulo Denisar e Virgínia Fontes, membros do conselho consultivo, e a Felipe Calabrez pelas propostas enviadas à Editoria.

Editoria / 19 de outubro de 2016

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I. Estudos e pareceres técnicos críticos sobre a PEC 241:

Andrea Barreto de Paiva, Ana Cleusa Serra Mesquita, Luciana Jaccoud, Luana Passos. Nota técnica n. 27 do IPEA – O novo regime fiscal e suas implicações para a política de assistência social no Brasil

Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação. Análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 241/2016), que trata do novo regime fiscal da União e da suspensão das vinculações de receitas para a Educação e a Saúde

Conselho Nacional de Saúde. Por uma solução das contas públicas que respeita os direitos sociais – Não à PEC 241

DIEESE. PEC nº 241/2016: o novo regime fiscal e seus possíveis impactos

Fabiola Sulpino Vieira e Rodrigo Pucci de Sá e Benevides. Os impactos do novo regime fiscal para o financiamento do Sistema Único de Saúde e para a efetivação do direito à saúde no Brasil

Fórum 21, Fundação Friedrich Ebert, GT de Macro da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP) e Plataforma Política Social. Austeridade e Retrocesso: Finanças Públicas e Política Fiscal no Brasil

Parecer técnico da Câmara dos Deputados.Estudo Técnico n.º 12/2016. Impactos do “novo regime fiscal” – subsídios à análise da proposta de Emenda à Constituição – PEC Nº 241/2016

Procuradoria Geral da República. Nota Técnica SRI n. 82/2016

Romeu Karnikowski. PEC da Nova Política Fiscal: “Mãe de todas as Reformas”. PEC da Desigualdade Social

Várias entidades. Nota Técnica ‘Inconstitucionalidade do congelamento dos pisos da saúde e da educação na PEC 241

II. Artigos:

 Aldemario Araujo Castro. Novo regime fiscal (PEC/241/2016): mais um instrumento de arrocho seletivo

Aldemario Araujo Castro. Contra a PEC 241/2016: 10 considerações e 10 links

André Augusto. PEC 241 deixará intactos os privilégios salariais milionários de deputados e juízes

André Augusto. Juízes mais caros do mundo: apoiam a PEC 241 e custam 1,3% do PIB nacional

André Forastieri. O perigo que se esconde por trás da PEC 241

Antônio Augusto de Queiroz. PEC 241 é gatilho para reforma da previdência

Antônio Augusto de Queiroz. A PEC 241 e o papel do Estado brasileiro

Antônio José de Carvalho Araújo. PEC 241 é um meteoro preste a cair no Brasil

Antonio Martins. Convite à desconstrução da PEC 241

Bruna Sartori. PEC 241 vai inviabilizar Plano Nacional de Educação

César Minto e Pedro Pomar. Real objetivo da PEC 241/2016 é desvincular saúde e educação

Daniel Arias Vazquez. O Plano Temer-Meirelles contra o povo: o desmonte social proposto pela PEC 241

Elaine Tavares. A PEC 241 é a ponte para a dor

Eric Gil Dantas e Felipe Calabrez. Quem precisa aprender, a Gazeta do Povo ou os secundaristas do Paraná?

Felipe Calabrez. Para subverter o nosso debate econômico rasteiro

Fernando Silva. Uma reacionária e ilegítima Constituição está sendo reescrita no país

Flavia Biroli. A PEC 241 é a contra-face da “defesa da família”

Gerson Teixeira. PEC-241: e agora, Bancada Ruralista?

Gibran Jordão. Sobre a PEC 241 e a nossa força para lutar

Grazielle David. PEC 241 é uma bomba contra os direitos constitucionais da população brasileira

Grazielle David. A opção da Justiça Fiscal

Grazielle David. Brasil: o grande ataque aos serviços públicos

Guilherme Boulos. PEC 241, o Brasil de volta à senzala

Guilherme Boulos. PEC 241: a Desconstituinte de 2016

Guilherme C. Delgado. A PEC do Teto (241/2016) – como ficará?

Gustavo Freire Barbosa. PEC 241 como única saída para a crise é uma falácia contada repetidas vezes

Ítalo Gimenes. PEC 241: Câmara comemora aprovação de golpe contra saúde e educação por 20 anos

João Sicsú. A PEC 241 não é para equilibrar as contas públicas

Jorge Luiz Souto Maior. PEC 241: uma questão de poder

José Álvaro de Lima Cardoso. A PEC do teto de gastos e a soberania do Brasil

José Celso Cardoso Jr. e Paulo Kliass. A PEC 241 e as três liberais equivocadas sobre o Estado brasileiro

José Celso Cardoso Jr. e Paulo Kliass. Do golpe (e da PEC 241/2016) à desconstrução da nação

José Celso Cardoso Jr. Uma análise técnica das justificações da PEC 241

Juliano Giassi Goularti. PEC 241: Saturno devorando o seu filho

Laio Rocha. MP, PL e PEC: Entenda o que significam essas siglas e quais podem causar enormes retrocessos ao país

Laura Carvalho. PEC 241 pode prolongar a crise

Laura Carvalho. Dez questões que desmontam a PEC 241

Laura Carvalho. PEC 241: o verdadeiro sentido

Laura Carvalho Desmontando a PEC em 10 etapas

Leonardo Sakamoto. PEC 241: Deputados terão coragem de dizer que defendem Educação e Saúde?

Luciano Martins Costa. Manual do perfeito midiota – 45: PEC 241 é ponte para o passado

Luís Felipe Miguel. A ofensiva do capital

Luis Nassif. Xadrez do Supremo e a PEC 241

Luiz Carlos Bresser-Pereira. PEC 241, carga tributária e luta de classes inversa

Luiz Carlos Bresser-Pereira. Bresser desmonta a farsa da PEC241

Luiz Gonzaga Belluzzo e Gabriel Galípolo. PEC 241: a moratória do contrato social

Marcelo Zero. A PEC 241 e suas falácias

Marcelo Zero.  Possível Impacto da PEC 241 na Defesa Nacional

Marcelo Zero. Possível Impacto da PEC 241 na Política Externa do Brasil

Márcio Berclaz. A quem interessa a PEC 241?

Márcio Sotelo Felippe. A morte de uma Constituição

Marcos Villas-Bôas. 4 estratégias maliciosas para manipular a sociedade a acreditar na PEC 241

Marcos Villas-Bôas. Limitar gastos de educação e saúde é uma péssima ideia

Marcos Villas-Bôas. O teto de gastos e a proteção dos pobres

Marcos Villas-Bôas. A PEC 241 e as suas principais falácias

Mari Mendes. A PEC 241 e os impactos à saúde pública: um cortar na carne das crianças cardiopatas congênitas

Maria Cristina Fernandes. O pai da PEC dos gastos

Maria Lucia Fatorelli, Carmen Bressane, Gisela Collares e Rodrigo Ávila. PEC 241: teto para investimentos sociais essenciais e garantia de recurso para o esquema fraudulento que o PLS 204/2016, o PLP 181/2015 e o PL 3337/2015 visam “legalizar”

Maria do Rosário. Um teto para o seu futuro

Matheus Correia. Entenda a PEC que congelará direitos até 2036

Maurilio Lima Botelho. A aprovação do fim do mundo

Mauro Iasi. A PEC 241 e o Estado

Nelson Cardoso Amaral. PEC 241: a “morte” do PNE (2014-2024) e o poder de diminuição dos recursos educacionais

Oscar Vilhena Vieira. A PEC 241 não foi capaz de distinguir entre direitos e privilégios

Otaviano Helene. PEC 241 torna inconstitucional o desenvolvimento social e cultural

Paulino Fernandes de Lima. PEC 241 representa uma falência múltipla dos órgãos e entidades públicas

Paulo Sena. Impactos da PEC n. 241 no financiamento da Educação

Pedro Paulo Zahluth Bastos e Luiz Gonzaga Beluzzo. Uma crítica aos pressupostos do ajuste econômico

Potiguara Lima. Sobre o sentido perverso e melancólico de ataques como a PEC 241

Raquel Júnia. PEC 241 ou o fim do SUS e da escola pública

Rejane Carolina Hoeveler. PEC 241: de volta à terapia de choque

Roberto Requião. Temer e a PEC 241: entre o engodo e a guerra civil

Ursula Dias Peres e Fábio Pereira dos Santos. PEC 241: um teto para a despesa, sem limites para a desigualdade

Vanessa Grazziotin. A PEC 241 é contra o Brasil

Vladimir Safatle. Junta financeira comanda o Brasil e impõe ditames a toque de caixa

III. Entrevistas:

Guilherme Delgado. PEC 241 inverte o princípio da justiça distributiva e instaura a canibalização dos mais fracos

Jaime Ramirez. PEC 241 terá ‘efeito devastador’ sobre todas as dimensões da Universidade

José Gomes Temporão. PEC 241 é condenação de morte para milhares de brasileiros

Júlio Miragaya. Não, a PEC do teto não é “o melhor que temos para hoje” – existem alternativas

Paulo Sena. PEC 241

Reinaldo Gonçalves. PEC 241: “Temer deve manter as transformações estruturais fragilizantes dos governos do PT”

Renato Janine Ribeiro. No Brasil, os gastos mais justos são os primeiros a serem cortados

Ronald dos Santos. A 241 é a PEC da Morte

IV. Manifestações populares contra a PEC241

OcupaParaná. Acompanhamento das ocupações de escolas no Paraná contra a PEC 241 e a reforma do ensino médio

Mídia Ninja. ocupação de escolas no Paraná (06/10/16)

Mídia Ninja. Ocupação do escritório da presidência em São Paulo (10/10/2016)

Portal Vermelho. Manifestações ocorrem em todo país para dizer não à PEC 241 (12/10/2016)

Jornalistas Livres. Seletividade marca os atos contra Michel Temer (15/10/2016)

El País. Mobilização contra a PEC 241 tem primeiro teste de força nas ruas

 (17/10/2016)

Mídia Coletiva, Ato contra a PEC241 no Rio: das redes para as ruas (vídeo completo). (17/10/2016)

Mídia Ninja. Primeiro ato contra a PEC241 reúne milhares em São Paulo(17/10/2016)

Mídia Ninja. A velha polícia mostrou sua covardia no Rio de Janeiro (17/10/2016)

Mídia Ninja. Mais de sete mil pessoas no centro do Rio contra a PEC241. (17/10/2016)

UNE. Estudantes já ocupam 18 Universidades contra a PEC do congelamento (18/10/2016)

V. Campanhas e notas contra a PEC 241:

ANDES

ANPEd, ANFOPE, ANPAE, CEDES, FINEDUCA

Associação Advogadas e Advogados Públicos para a Democracia (APD)

Associação Brasileira de Ensino de Biologia

Associação Brasileira de Rede Unida

Associação Brasileira de Saúde Coletiva

Associação dos Juízes Federais do Brasil

Associação dos Magistrados Brasileiros

Associação Nacional dos Auditores da Receita Federal do Brasil

Auditoria Cidadã da Dívida

Conselho Deliberativo da Fiocruz

Conselho Federal de Economia (COFECON)

Conselho Nacional de Assistência Social

Conselho Nacional de Saúde

Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS); União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME); Colegiado Nacional de Gestores Municipais de Assistência Social (CONGEMAS)

Conselho Regional de Serviço Social de São Paulo – 9ª. Região

Curso de Gestão de Políticas Públicas da USP

Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (FEBRAFITE-CE)

FINEDUCA e Campanha Nacional pelo Direito à Educação

Fórum Estadual de Educação de Minas Gerais

Fórum Nacional dos Secretários de Estado da Assistência Social (FONSEAS)

Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (FONASEFE)

Fórum das Seis

Frente Mineira de Defesa dos Serviços Públicos

Fundação Abrinq

GEPT-UnB

MAIS

Ministério Público do Espírito Santo

Moção do Conselho Universitário da UFES

Moção do Conselho Universitário da UFMG

Moção do Conselho Universitário da UFRJ

Não à PEC 241

Pastoral DST/AIDS

Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior

Confederação Nacional dos Bispos do Brasil

Moção do Conselho Universitário da Universidade Federal da Fronteira Sul

Moção do Conselho Universitário da Universidade Federal de São Paulo

Ordem dos Advogados do Brasil

Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

PCdoB

Juventude PCB

Petição pública: Contra aprovação da PEC 241/2016

PSOL

PSTU

Sinasefe

Somos todos contra a PEC 241

Universidade Federal Fluminense

Vamos quebrar esse gelo!

VI. Vídeos e materiais didáticos sobre a PEC 241:

APUFPR. Você sabe o que é a PEC 241?

Aula pública (Unioeste). O desmonte do Ensino médio… e a destruição do Serviço Público

Auditoria cidadã da dívida. PEC 241 Esconde esquema fraudulento

ASDUERJ. E se Jonas fosse filho da 241?

Campanha Nacional pelo direito à educação. Entenda os perigos da PEC 241/2016

Campanha Nacional pelo direito à educação. Alerta à sociedade: PEC 241/2016

CNTE. PEC 241: o desmonte do Estado

Comitê Pró-democracia. PEC 241: o seu futuro congelado

CUT. Contra a PEC 241: faça a sua parte

Estudante secundarista defende ocupação e questiona a PEC 241

MTST. Querem que você pague a conta da crise

SindSaúde. PLC 257/PEC 241

The Intercept  Brasil. O congelamento do retrocess

VII. Vídeos com análises de conteúdo da PEC 241:

 Audiências no Senado:

Laura Carvalho e Jessé de Souza. Novo regime fiscal e Pedro Rossi. Crítica à PEC 241

Slide da apresentação. PEC 241: Muito além de uma reforma fiscal

Antonio Martins (Outras Palavras). Convite à desconstrução da PEC-241:  Parte 1 e Parte 2

Bohn Gass. O crime bilionário da PEC 241

Carlos Amaral. Dissecando a PEC 241

Cristina Reis e Salomão Ximenes. Programa Melhor e Mais Justo (TVT): PEC 241, Parte 1 , Parte 2

Frederico Melo. Seminário sobre a PEC241/16, Reforma da Previdência e Análise de Conjuntura

Gilson Burigo. PEC 241 e PLP 257 e a Destruição dos Direitos Sociais

João Sicsú. PEC do governo trará arrocho salarial e reduzirá a capacidade do Estado

Laura Carvalho. Seminário PEC 241 e a dimensão fiscal da crise. parte 1 , parte 2

Laura Carvalho. PEC 241 supera primeira batalha na Câmara, mas tem longo caminho pela frente (Globo News)

Márcia Abreu. Seminário “Os Impactos do PL 257/2016 e a PEC 241/2016 no Funcionalismo Público”

Maria da Conceição Tavares. A PEC 241 é uma invenção demoníaca

Nildo Ouriques. Crise financeira do Estado e a PEC 241

Pedro Rossi. Teto de gastos

Pedro Rossi. PEC 241: governo vende gato por lebre

Róber Iturrier. PEC 241: entenda como ela pode afetar saúde e educação

Roberto Leher. A concepção de Estado por trás da PEC 241

Thiago Luiz Rodarte. Seminário “Os Impactos do PL 257/2016 e a PEC 241/2016 no Funcionalismo Público”

Victor Hugo Tonin. O impacto da PEC-241 na classe trabalhadora

VIII. Outros dossiês e matérias:

Blog da Boitempo

 BBC Brasil

Carta Capital

El Pais

Nexo

A Pública

The Intercept

 UFMG

IX. Proposta, tramitação e votação da PEC 241 no Congresso Nacional

Proposta

Tramitação da PEC 241

Como votaram os deputados federais

X. Pesquisa de opinião sobre a PEC 241

70% dos brasileiros rejeitam PEC (Vox Populi)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Escola Sem Partido

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A ofensiva da direita no Brasil contemporâneo tem se manifestado em diferentes planos; na economia, por meio da defesa de políticas neoliberais e questionamento das – ainda que moderadas – tentativas de avanços sociais que beneficiem os trabalhadores e setores populares; na política, por ações, fora e dentro do parlamento, que visam a regressão de liberdades políticas e direitos sociais previstos pela Carta de 1988; no plano das ideias, pela realização de reformas educacionais que impeçam a formação crítica dos educandos (em todos os níveis da educação formal).

Este dossiê – artigos, entrevistas, depoimentos, manifestos, notas e vídeos – examina de forma ampla e crítica o Projeto Escola Sem Partido, uma ostensiva iniciativa da direita brasileira que visa garantir a hegemonia do ideário conservador construído e amplamente difundido pelos aparelhos ideológicos do capitalismo brasileiro.

Somos gratos a Lalo Watanabe Minto, Fabiana Cássia Rodrigues e Anibal Gonzalez, pesquisadores da Unicamp, pela iniciativa de organizar este dossiê. Dispensável dizer que, nestes tempos de obscurantismo político e cultural, o dossiê visa também apoiar todos os que, hoje, se empenham na defesa da escola pública, democrática e fundamentalmente crítica.

Editores / outubro de 2016

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Notas sobre “Escola Sem partido

Lalo Watanabe Minto, Fabiana de Cássia Rodrigues e Jeferson Anibal Gonzalez

Surgido em 2004, o Projeto Escola Sem Partido (ESP) foi idealizado pelo advogado Miguel Nagib; ao longo dos últimos anos, contou com a ativa colaboração de dois militantes de direita, os irmãos deputados Flávio e Carlos Bolsonaro. Nos últimos anos, com o acirramento da crise econômica e a crescente instabilidade política, suas ideias se fortaleceram. A partir de 2014, o ESP passou a influenciar projetos de lei (PL) em âmbito municipal, estadual e federal, tendo atualmente 11 PLs em tramitação nos estados. Na Câmara dos Deputados tramita o PL 867/2015, apensado ao PL 7180/2014, de autoria do deputado Erivelton Santana (PSC/BA), ao passo que, no Senado, está em tramitação o PLS n. 193/2016.

Os proponentes do ESP partem da premissa de que ocorre nas escolas públicas uma “doutrinação ideológica de esquerda”, contra a qual o poder público deveria se opor por meio de impedimento legal e controles ao trabalho dos/as professores/as. Noutras palavras, sua estratégia é “inventar” uma escola que não existe nem nunca existiu – espaço por excelência do proselitismo político de esquerda, antirreligioso, de promoção das frentes mais avançadas das lutas sociais pela igualdade em questões como gênero e sexualidade.

Não é necessário dizer que os proponentes do ESP desconhecem a realidade das escolas públicas brasileiras. Estas, com sua heterogeneidade ideológica, política e religiosa, sua infraestrutura precária, submetidas a pressões privatistas/mercantilistas, enfrentando escassez sistemática de recursos financeiros e convivendo com condições inadequadas de trabalho dos/as professores/as, são instituições distantes de qualquer possibilidade de autonomia efetiva. Quiçá de um projeto político favorável a ideias de esquerda, haja vista os muitos controles a que o trabalho didático-pedagógico é submetido.

Esse falseamento da realidade da escola, porém, é um ponto de partida estratégico para difundir os propósitos reacionários do ESP. Não expressa sua ignorância, embora eles, de fato, o sejam em relação a problemas educacionais. Por meio desse falseamento, os PLs 7180/2014 e 867/2015 vão ao encontro de outras tendências da política educacional brasileira dos últimos anos, em que pesem as propostas de esvaziamento do ensino e de seus conteúdos (por proibir o que é ‘político’ ou por indicar que ‘não há verdade’), a tendência de intensificação dos instrumentos de controle sobre o trabalho docente (por exigência de ‘produtividade’), as noções superficiais que desistoricizam o sujeito-educando (por valorizar sua individualidade “moral” ou por conceber uma aprendizagem como produto natural e direto de sua condição vital). Trata-se, assim, de um projeto deliberadamente construído na base da desqualificação sistemática da escola e dos seus profissionais. ler mais

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I. Artigos

Ditadura militar e trabalho docente, de Moacyr Salles e Inêz Stampa

“Escola Sem Partido”. Imposição da mordaça, de Gaudêncio Frigotto

Educação e exigência partidária, de Ademar Bogo

Escola Sem Partido e a falsa ideia de neutralidade, de Ivanilda Figueiredo

Ensino de geografia: novos e velhos desafios, de Tulio Barbosa

 “Escola Sem Partido”: a criminalização do trabalho pedagógico, de Marise Ramos

“Escola Sem Partido”. Escola silenciada, de Cleomar Manhas

“Escola Sem Partido” ou pensamento único?, de Pedro Henrique Oliveira Gomes

Escola tem que ter partido, de Bruno Vieira

A falácia da Escola Sem Partido, de Daniel Ferraz Chiozzini

Programa ““Escola Sem Partido”: uma ameaça à educação emancipadora, de Fernando Penna

Torre de marfim acossada e “Escola Sem Partido”. de Priscila Figueiredo

Escola sem Partido: a lei da mordaça, Ângelo Durval

Veneno antidemocracia: conspiracionismo, ideologia e política, Ricardo Figueiredo Castro

Escola sem partido” é mordaça contra realização plena do educando, Plínio, Gentil

A batalha pelo futuro: contra o projeto Escola Sem Partido, Demian Melo

Proibir o debate é ter partido: gênero e educação em direitos humanos, Natalia de Oliveira

II. Um texto clássico

A Formação Política e o trabalho do professor, de Florestan Fernandes

III, Entrevistas, debates e vídeos

Escola Sem Partido – Debate com Fernando Penna e Miguel Nagib (criador do Movimento Escola sem Partido)

A Escola necessária, Caminhos da Reportagem, TV Brasil

Bom Para Todos: Escola Sem Partido (TVT) – Parte 1

Bom Para Todos: Escola Sem Partido (TVT), Parte 2

Aprender a aprender: um slogan para a ignorância, entrevista com Dermeval Savian

As consequências do projeto Escola Sem Partido para a Educação brasileira, Debate com Ana Carolina Araújo, Joseanne Cerasoli, Jeferson Gonzalez e Ana Flávia Magalhães Pinto, FE e IFCH/Unicamp

Contraponto: Escola Sem Partido, entrevista com José Luiz Quadros de Magalhães

Dois lados da moeda. Escola Sem Partido, Debate Thiago Cortêz, militante do movimento Escola sem Partido, e Daniel Cara

Entre aspas, debate entre Lisete Arelaro e Thiago Cortês (ESP)

Escola democrática versus “Escola Sem Partido “ – Mesa com Fernando Penna, João Paulo Rillo, Paulo Carrano e Paulo Dias de Mello, PUC-SP.

Escola Sem Partido, comentários de Lisete Regina Arelaro

Escola Sem Partido, comentários de Ocimar Munhoz Alavarse

Escola Sem Partido como chave de leitura do fenômeno educacional, aula na FE da UFF, por Fernando Penna

Laicidade na educação, entrevista com Luiz Antônio Cunha

Ameaça à liberdade de cátedra, entrevista com Éder Silveira

O que está por detrás do Projeto Escola Sem Partido, entrevista com Fernando Penna

Sobre o ódio ao professor, entrevista com Fernando Penna

IV. Matérias da imprensa

Escola sem Partido, caça a bruxas nas salas de aula

Ameaças, ofensas e sindicâncias

Existe ideologia de gênero

A única cidade a adotar o Escola sem Partido

Quem defende pauta do Escola sem Partido pensa que tem filhos idiotas, Ricardo, Lísias

Educação sitiada: escolas a serviço da militarização

A escola faz doutrinação? por Cátia Guimarães

Criminalização do “assédio ideológico” nas escolas

Goiás: comunidade se mobiliza contra a militarização da escola

Militarização de escola pública?

V. Páginas e especiais

Professores contra o Escola Sem Partido

Frente Nacional Escola Sem Mordaça

Escola Sem Partido: entender para combater

Site Esquerda Diário

VI. Manifestos, Notas e Moções de entidades e instituições

UERJ

FFLCH/USP

FE UNICAMP

SBPC

ABEP, ABRAPEE e FENAPSI

ABRAPEC e SBEnBio

ANFOPE

ANPED

ANPUH

CONIF

FEMEI

GMARX-USP

CNTE

Frente Gaúcha Escola sem mordaça

Frente goiana Escola sem mordaça

Frente Nacional contra o Projeto ESP

Frente Paraibana Escola Sem Mordaça

Rede Emancipa – Educação Popular

 

 

 

 

 

 

 

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Contra o Golpe

golpe

O golpe está consumado!

A partir de hoje, os golpistas e seus aliados buscarão – nos planos político-institucional e ideológico – avançar no combate aos interesses dos trabalhadores e setores populares que, na ordem capitalista, sempre estão comprometidos com a luta pela ampliação e consolidação da democracia. Por meio de contrarreformas neoliberais, os golpistas – como se comprova nos primeiros meses do governo interino Michel Temer –, aprofundarão o ataque aos direitos civis, aos direitos sociais, aos direitos trabalhistas; em suma, buscarão impedir as reivindicações e demandas pela construção de uma democracia de natureza popular.

O coletivo de marxismo21 – cujo trabalho editorial, desde o primeiro momento, denunciou o golpe parlamentar em curso – se solidariza com todas as organizações e entidades que devem se articular e unir suas forças na resistência ao regressismo social e político que os usurpadores buscam impor ao Estado e à sociedade brasileira.

Nesta longa e árdua guerra em andamento, é urgente que o conjunto dos setores democráticos e progressistas ocupe todos os espaços políticos e ideológicos possíveis e crie novas frentes de lutas: nas fábricas, nos sindicatos de trabalhadores rurais e urbanos, nas associações de moradores das periferias, nos coletivos (de mulheres, negros, LGBT, indígenas etc.), nos movimentos de juventude, nas entidades culturais populares, nas escolas, nas universidades, etc.

Com determinação e sem tréguas, impõe-se ocupar, resistir e, sobretudo, lutar por uma democracia popular que apenas será possível com a realização de radicais transformações sociais e econômicas da ordem capitalista brasileira. Para que esses objetivos ocorram, a derrota política e ideológica dos golpistas é uma condição fundamental e decisiva!

Editoria

Agosto de 2016

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Carlos Nelson Coutinho

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Neste 28 de junho de 2016, dia em que Carlos Nelson Coutinho completaria  73 anos, marxismo21 homenageia o autor com a publicação de um extenso dossiê sobre  a sua obra teórica. Nesta página são divulgados livros, artigos, entrevistas etc. bem como diversos textos e vídeos que examinam o profícuo trabalho intelectual desse pensador. Com satisfação, informamos que nesta mesma data está sendo criado o Centro de Estudos e Pesquisas Carlos Nelson Coutinho na Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Somos gratos a Victor Neves, organizador deste extenso dossiê, pesquisador da UFRJ que, recentemente, produziu uma volumosa e competente tese acadêmica sobre o pensamento político de Carlos Nelson Coutinho. Ele é também o autor do elucidativo ensaio que abre este valioso dossiê para a pesquisa sobre a produção teórica marxista no Brasil.

Por último, lembramos que, poucos dias antes de marxismo21 ser lançado em agosto de 2012, Carlos Nelson Coutinho, de forma simpática e generosa, nos escreveu: “A difusão do marxismo no Brasil do século XXI é um fato indiscutível. Já são muitas as publicações (revistas, editoras) que compravam isso. Estou certo de que o blog marxismo21, do qual participam brilhantes intelectuais marxistas de nosso País, contribuirá ainda mais para ampliar esta difusão“.

Editoria

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Carlos Nelson Coutinho, filósofo democrático.

Victor Neves

Carlos Nelson Coutinho, filho de Nathan Coutinho do Rosário e Elza de Souza Coutinho, nasceu em Itabuna, no sul da Bahia, no dia 28 de junho de 1943 – que ele viria a recordar, em sua maturidade, como o “glorioso ano da batalha de Stalingrado” – e faleceu em sua casa na madrugada de 20 de setembro de 2012, após cerca de meio século de militância e atividade intelectual marxista.
Foi, sem sombra de dúvida, um dos mais importantes intelectuais brasileiros de sua geração, assim como um dos mais destacados defensores da articulação entre democracia e revolução. Essa posição política, combinada às profundas unidade e coerência de seu pensamento e à sua produtividade como intelectual orgânico da classe trabalhadora (atuou em diversas frentes, desde a tradução e a divulgação até a elaboração teórica original, tendo traduzido mais de 60 livros – boa parte dos quais portando significativa contribuição ao debate marxista –, além de ter visto publicados 13 livros e centenas de artigos e pequenos textos de sua autoria), o tornaram uma figura de referência na esquerda brasileira, assim como em diversas áreas acadêmicas como o Serviço Social, a Educação e as Ciências Sociais.
Apesar da vastidão e da variedade da produção coutiniana, sua problemática fundamental jamais se alterou: a atividade intelectual do marxista baiano esteve sempre escorada sobre a necessidade de contribuir, no plano teórico, para a superação da ordem burguesa. Fundada sobre essa base, desenvolveu-se uma concepção de mundo unitária capaz de mobilizar e combinar coerentemente desde pensadores partidários do que Perry Anderson definiu como o “marxismo
ocidental” a outros vinculados à tradição teórico-prática vigente no movimento comunista internacional – especialmente nos PCs brasileiro, italiano e francês (e também, ainda que em menor medida, soviético). Os pensadores-síntese que, para Coutinho, estabeleceram a ponte entre essas duas vertentes no campo do marxismo constituíram suas principais referências teóricas ao longo de
toda a vida adulta: Lukács e Gramsci.
Ao contrário de boa parte de seus companheiros de viagem dentre os assim chamados “renovadores” do PCB, jamais renegou sua vinculação à teoria social marxista, nem o reconhecimento da necessidade de uma revolução social – entendida por ele enquanto paulatina, progressiva e profunda transformação que superasse os impasses e as contradições da sociabilidade fundada sobre o modo de produção capitalista numa sociedade sem classes. Sua adesão a essas posições nada teve de superficial: reafirmou seu pertencimento ao campo marxista não só através do recurso a refinadas exposições quanto ao método em Marx, mas principalmente a robusto arsenal categorial haurido em variadas fontes da tradição teórica inaugurada pela crítica da economia política marxiana, buscando sempre fundamentar sua análise da vida social e cultural nos desdobramentos ou prosseguimentos desta vertente teórico-política considerados por ele os mais autorizados e atualizados. ler mais

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I. Livros de Carlos Nelson Coutinho online:

O estruturalismo e a miséria da razão. http://book4you.org/book/1218132/e52e74

Marxismo y politica: La dualidade de poderes y otros ensayos. http://book4you.org/book/2594877/ebfe0a

Cultura e sociedade no Brasil. http://book4you.org/book/2594879/b1a4b6  

Gramsci’s political thought. http://book4you.org/book/2336577/0e6bfa

II. Artigos avulsos disponíveis online:

A democracia como valor universal. https://www.marxists.org/portugues/coutinho/1979/mes/democracia.htm

Em pdf (versão de 1979, da Revista Encontros Com a Civilização Brasileira, 09): http://www.danielherz.com.br/system/files/acervo/ADELMO/Artigos/A%2BDemocracia%2Bcomo%2BValor%2BUniversal.pdf

A época neoliberal: revolução passiva ou contrarreforma? Revista Novos Rumos, v. 49, n. 1 (2012). http://www2.marilia.unesp.br/revistas/index.php/novosrumos/article/view/2383

A hegemonia da pequena política. Publicado no livro coletivo “Hegemonia às avessas”, às pp. 29-43.

A presença de Gramsci no Brasil. Revista Em Pauta, n. 22 (2008). http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revistaempauta/article/view/50

Notas sobre cidadania e modernidade. http://www.rabaneda.adv.br/download/Ciencias%20Pol%EDticas/NOTAS-SOBRE-CIDADANIA-E-MODERNIDADE-Carlos-Nelson-Coutinho.pdf

 Como pensar o Brasil. http://www.scielo.br/pdf/ln/n54/a05n54.pdf

Crítica e utopia em Rousseau. Revista Lua Nova, n. 38. http://www.scielo.br/pdf/ln/n38/a02n38.pdf

Hegel e a democracia. Revista do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo. http://www.iea.usp.br/publicacoes/textos/coutinhohegel.pdf

 O conceito de vontade coletiva em Gramsci. Publicado na revista Katálysis, vol. 12, n. 01 (2009). https://periodicos.ufsc.br/index.php/katalysis/article/view/S1414-49802009000100005

 Gramsci e o Sul do mundo: entre Oriente e Ocidente. Publicado na Revista Margem Esquerda, n. 5 (2012). https://boitempoeditorial.files.wordpress.com/2012/09/artigo-de-carlos-nelson-coutinho-gramsci-e-o-sul-do-mundo-margem-esquerda-5.pdf

Cidadania Publicado. Revista Perspectivas, da UNESP, v. 22 (1999). http://seer.fclar.unesp.br/perspectivas/article/view/2087/1709  

O Estado brasileiro: gênese, crise, alternativas. Publicado no livro coletivoFundamentos da educação escolar do Brasil contemporâneo”. http://www.epsjv.fiocruz.br/upload/d/CAPITULO_5.pdf  

Socialismo e democracia: a atualidade de Gramsci. Publicado no livro coletivoGramsci. A vitalidade de um pensamento”. http://www.afoiceeomartelo.com.br/posfsa/Autores/Aggio,%20Alberto/Gramsci%20-%20A%20Vitalidade%20de%20um%20pensamento.pdf

Introdução aos Cadernos do Cárcere. Publicado na edição brasileira dos “Cadernos do Cárcere” sob a responsabilidade de Coutinho. http://www.rabaneda.adv.br/download/Ciencias%20Pol%EDticas/Gramsci-Cadernos-Do-Carcere-Vol-I.pdf

Lukács et la literature du XXème siècle. Publicado na Revista Actuel Marx, n. 45, 2009/1, às pp. 36-51. https://gyorgylukacs.wordpress.com/2014/12/14/lukacs-et-la-litterature-du-

 Atualidade de Gramsci. 1997. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=293

Gramsci e o serviço social. 1997. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=200

Uma nova edição de Gramsci no Brasil. 1998. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=296

FHC e a “reforma” do Estado. 1998. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=349

Um filósofo democrático. Outubro de 1998. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=68

 O pensador hegemônico (com Guido Liguori, Michael Löwy e Sérgio Paulo Rouanet). 1999. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=326

Uma entrevista sobre os Bálcãs. Maio 1999. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=307

Os enigmas da modernidade, segundo Octavio Ianni. 2000. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=153

Marxismo e “imagem do Brasil” em Florestan Fernandes. 2000. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=90

Contra a corrente. 2000. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=179

Gramsci e a sociedade civil. 2000. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=209

A gênese do Capital, segundo Rosdolski. 2001. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=89

O socialismo liberal em questão. Com Marco Aurélio Nogueira. Abril de 2002. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=86

O governo Lula ou o estreito fio da navalha. Dezembro de 2002. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=132

Paixão por Gramsci. Setembro de 2003. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=224

Uma entrevista para Reportagem. Novembro de 2003. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=158

Uma entrevista para o Jornal do Brasil. Dezembro de 2003. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=67

O PT está perdendo a identidade. Fevereiro de 2004. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=63

É indispensável construir um novo partido de esquerda. Maio de 2004. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=43

Falar em golpe é mistificação. Agosto de 2005. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=404

Discutindo sociedade civil e democracia. Setembro de 2007. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=781

A época neoliberal. Outubro de 2007. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=790

IV. Entrevistas de Carlos Nelson Coutinho disponíveis online (exceto aquelas em “Gramsci e o Brasil”):

Entrevista a Dênis de Moraes. Intelectuais, luta política e hegemonia cultural. In: Revista Praia Vermelha, v. 22, nº 2, jan.-jun. 2013, Especial Carlos Nelson Coutinho. Pp. 87-100.

Entrevista a Néstor Kohan. A filosofia da práxis no Brasil. Tradução de Victor Neves. In: Revista Praia Vermelha, v. 22, nº 2, jan.-jun. 2013, Especial Carlos Nelson Coutinho. Pp. 101-107.

Revista Caros Amigos, Entrevista com Carlos Nelson Coutinho. http://www.carosamigos.com.br/index.php/politica/983-carlos-nelson-coutinho-leia-entrevista-na-integra

 Entrevista a Sérgio Granja. Carlos Nelson Coutinho: reformas geram revolução? http://laurocampos.org.br/portal/images/stories/documentos/Entrevista_Carlos_Nelson_Coutinho.pdf

Entrevista a Álvaro Bianchi. Revista CULT, Entrevista com Carlos Nelson Coutinho. http://revistacult.uol.com.br/home/2010/03/entrevista-com-carlos-nelson-coutinho/

Entrevista a José Corrêa Leite e Emiliano José. Publicada na Revista “Teoria e Debate” em junho de 2002. http://www.dotecome.com/politica/Textos/teoriadebate.htm

V. Artigos e textos curtos sobre Carlos Nelson Coutinho disponíveis online:

Antunes, Ricardo. Notas de memória: as primeiras influências de Carlos Nelson Coutinho no marxismo brasileiro. In: Revista Praia Vermelha, v. 22, nº 2, jan.-jun. 2013, Especial Carlos Nelson Coutinho. Pp. 27-31. https://mega.nz/#!LsR3zALJ!mFRKXlyaY2iWwSCMy7smlNwthoJ5kLDkAyRMshgD75w

 Manzano, Sofia e Pinheiro, Milton. Carlos Nelson Coutinho e a polêmica criadora. Considerações preliminares. In: Revista Praia Vermelha, v. 22, nº 2, jan.-jun. 2013, Especial Carlos Nelson Coutinho. Pp. 33-40. https://mega.nz/#!CxpnkRZS!Sbp5SU-1w_GXmDydqorGdiM1eJPLrl2UVqcIiDwK9Aw

Naves, Márcio. Contribuição ao debate sobre a democracia, Revista Temas de Ciências Humanas, no. 10, 1981.

Lessa, Sérgio. Vivemos tempos difíceis! In: Revista Praia Vermelha, v. 22, nº 2, jan.-jun. 2013, Especial Carlos Nelson Coutinho. Pp. 41-48. https://mega.nz/#!HhIzSYJY!a-afIgbSGiQE3wponFxphIWZhqV53VfJWvCWFkTz8uA

Neves, Victor. Um marxista na batalha das ideias: Carlos Nelson Coutinho e os caminhos da revolução brasileira. In: Revista Praia Vermelha, v. 22, nº 2, jan.-jun. 2013, Especial Carlos Nelson Coutinho. Pp. 49-75. https://mega.nz/#!3sJgmaxJ!TAIGckyP1OMSnlmzpKyCMAzLce2BufmZduKu54ziny8

 Ramos, Maria Helena Rauta. Memórias do processo de renovação da Escola de Serviço Social da UFRJ e da contribuição de Carlos Nelson Coutinho. In: Revista Praia Vermelha, v. 22, nº 2, jan.-jun. 2013, Especial Carlos Nelson Coutinho. Pp. 77-85. https://mega.nz/#!D8hAUJwK!Li_kt75zYve4OWeX7OcoPdGM6eJYATG_orymncCyY_4

 Praia Vermelha v 22, n. 2, Especial Carlos Nelson Coutinho. Contendo diversos artigos sobre ele, assim como versão de seu curriculum vitae elaborada por José Paulo Netto a partir de material compilado pelo próprio Coutinho. https://drive.google.com/file/d/0B0–tS_Kbeq-Z3ZFQnZvQkItVC16REp4c1RzRW9DYW9OWDlF/edit

Sarapegbe, Rivista di cultura e società del Brasile e altri mosaici, numero speciale, Anno II, n. 5, gennaio-marzo 2013. Com artigos de Giorgio Baratta, Florisvaldo Mattos e outros.  http://www.sarapegbe.net/sommario_rivista.php?quale=16

Sobre Carlos Nelson: de Adelmo Genro Filho. A democracia como valor operário e popular (resposta a Carlos Nelson Coutinho). http://www.danielherz.com.br/system/files/acervo/ADELMO/Artigos/A+Democracia+como+Valor+Operario+e+Popular.pdf

 Sobre Carlos Nelson: de Luiz Sérgio Henriques e Marco Aurélio Nogueira. O Gramsci de Carlos Nelson Coutinho. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=210  

Sobre Carlos Nelson: de Marco Aurélio Nogueira. De Rousseau a Gramsci, na visão de C.N. Coutinho. http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=1490  

Sobre Carlos Nelson: de Mozart Silvano Pereira (resenha). De Rousseau a Gramsci: ensaios de teoria política. http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/resenha2015_06_06_23_22_3133.pdf  

Sobre Carlos Nelson: de Jaldes Reis de Meneses. Carlos Nelson Coutinho: a hegemonia como contrato. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-66282013000400006

Sobre Carlos Nelson: de Giovanni Semeraro. Coutinho, un maestro alla scuola di Gramsci. In: Critica Marxista, n. 3-4 / 2013, pp. 35-44. Roma: Critica Marxista, 2013. http://www.igsitalia.org/5.%20SEMERARO.pdf

Sobre Carlos Nelson: de César Toledo e Jarbas Gomes. O leitor de Gramsci. In: Revista Contemporânea de Educação, vol. 07, n. 14, agosto/dezembro de 2012.

https://revistas.ufrj.br/index.php/rce/article/viewFile/1681/1530]

VI. Teses e dissertações sobre Carlos Nelson Coutinho:

 Adriano Nascimento Silva. A “via democrático ao socialismo” na obra de Carlos Nelson Coutinho. http://www.liber.ufpe.br/teses/arquivo/20031104151947.pdf

Rafael da Rocha Massuia. Marxismo e literatura: A recepção do pensamento de Gyorgy Lukács em Leandro Konder e Carlos Nelson Coutinho.

http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/109298/ISBN9788579834790.pdf?sequence=1

 Victor Neves, Democracia e revolução: um estudo do pensamento político de Carlos Nelson Coutinho. Contém Apêndice com levantamento de textos publicados sobre Coutinho em diversos meios e suportes, e, dentre os Anexos, a reprodução de seu curriculum vitae elaborado por José Paulo Netto a partir de material compilado pelo próprio Coutinho. https://mega.nz/#!DpZywBqI!_WLppa5GA3SzB7R-uKV9lcgkmqAUAqdVOMSYqRtMOyQ

VII. Vídeos com intervenções de Carlos Nelson Coutinho:

 Gramsci e a Comuna de Paris: https://www.youtube.com/watch?v=S_F8_1QblkI  

Os Grundrisse de Marx. Com Carlos Nelson Coutinho, José Paulo Netto e Virgínia Fontes: https://www.youtube.com/watch?v=cuDSsZ2JQz0

 Entrevista com Carlos Nelson Coutinho para a GloboNews, programa Milênio. https://www.youtube.com/watch?v=hyjTsPSi-Sg

 Entrevista Carlos Nelson Coutinho, Partidos e Movimentos. Com Milton Temer. https://www.youtube.com/watch?v=DgMhScIVgds

 Intervenção sobre o “Cesarismo Periférico” no Seminário “Teoria Política do Socialismo: Antonio Gramsci, as periferias e os subalternos”. https://www.youtube.com/watch?v=iiEyE2SjmZY

 Mesa redonda Política e democracia em Lukács, Partes I a V. Link para a Parte I: https://www.youtube.com/watch?v=4En5T3jpr0k ; https://www.youtube.com/watch?v=otZds3m6UH8&list=PL4HMODm7Kt25Jh_ne5bEV1BB5ORTX9_wO ; https://www.youtube.com/watch?v=kLcxw9feLM0 ; https://www.youtube.com/watch?v=Ww4FmKUd-Wc ; https://www.youtube.com/watch?v=xcFdV6U6Upo

 Valentino Gerratana, filosofo democratico. https://www.youtube.com/watch?v=d1ftf7DXjz0&list=PLTILxwyFpZwlok1ObDKYm9etdOoTdUuUx

Eu apoio o MST – Carlos Nelson Coutinho, professor da UFRJ. https://www.youtube.com/watch?v=k0oX99XvWQk&list=PLTILxwyFpZwlok1ObDKYm9etdOoTdUuUx&index=2

 Carlos Nelson Coutinho saúda o VI Congresso da UJC.  https://www.youtube.com/watch?v=Rk98RlTxxf8&index=4&list=PLTILxwyFpZwlok1ObDKYm9etdOoTdUuUx

 Palestra sobre a obra de Nelson Werneck Sodré. Partes I a VI.  https://www.youtube.com/watch?v=Ma6w-WlP–s

 VIII. Vídeos com intervenções sobre Carlos Nelson Coutinho:

 Homenagem a Carlos Nelson Coutinho, pela Academia de Letras da Bahia. https://www.youtube.com/watch?v=AMQ-asEKLow  

Seminário Internacional Carlos Nelson Coutinho Evento ocorrido no Rio de Janeiro entre os dias 11 e 13 de novembro de 2013 no Salão Pedro Calmon, no campus da Praia Vermelha da UFRJ.

Conferência Inaugural

Carlos Nelson Coutinho e a renovação do marxismo – Michael Löwy – Brasil/França. Mediação Prof: Roberto Leher.

Link do vídeo: http://youtu.be/KXUTM7YF9L8

Mesa redonda 1:

Carlos Nelson Coutinho e a renovação do marxismo no Brasil: Carlos Nelson e o marxismo brasileiro – Antonio Carlos Mazzeo Link do vídeo: http://youtu.be/PzcI284z7II

O marxismo de Carlos Nelson Coutinho – Marcelo Braz Link do vídeo: http://youtu.be/oAMuCbBJobQ

O debate sobre Gramsci no Brasil e o legado de Coutinho – Giovanni Semeraro Link do vídeo: http://youtu.be/Y7y3qVQpxak

Mesa redonda 2:

Carlos Nelson Coutinho e o Brasil. Mediação: Agnaldo Fernandes Carlos Nelson Coutinho: intérprete do Brasil – Virginia Fontes Link do vídeo: http://youtu.be/Sr7AbSdKF7Y

O “nacional-popular” na cultura brasileira – Eduardo Granja Coutinho Link do vídeo: http://youtu.be/Qc3NDZLc0jM

Mesa redonda 3:

Carlos Nelson Coutinho e o Brasil: a crítica da cultura. Mediação: Henrique Wellen O lugar de Carlos Nelson na cultura brasileira contemporânea – Celso Frederico Coutinho e a crítica literária – Ranieri Carli Link do vídeo: http://youtu.be/2BRT7WH8660

A atualidade de “O estruturalismo e a miséria da razão” para a crítica do pós-moderno – Mavi Rodrigues Link do vídeo: http://youtu.be/8SmTgVOQXHE

Mesa Temática 1:

As ideias de Coutinho e a estratégia da revolução brasileira: ontem e hoje. Mauro Iasi e Milton Temer Debatedor: Neuri Rosseto – A contribuição histórica do MST Coordenação: Luiz Eduardo Motta Link do vídeo: http://youtu.be/17PRSocsmxM

Mesa Temática 2:

Carlos Nelson Coutinho: influência na Educação e no Serviço Social. Coordenação: Cezar Maranhão. Gaudêncio Frigotto e Ivete Simionato/ Debatedores: Marilda Iamamoto e Lucia Neves Link do vídeo: http://youtu.be/AQQdpyPNfcI

Mesa Temática 3:

A crise mundial, as lutas de classes e o papel dos intelectuais. Marcos Del Roio, Marildo Menegat e Milton Pinheiro. Debatedor: Cristina Bezerra. Coordenação: Representante da turma de Assentados da Reforma Agrária da ESS/UFRJ – Turma Carlos Nelson Coutinho. Link do vídeo: http://youtu.be/ZbLeVTF8iHA

Conferência de Encerramento

Jose Paulo Netto e Francisco Louçã – Portugal. Mediação: Luis Acosta. Link do vídeo: http://youtu.be/I4szVT6b1us

Seminário Internacional Tra Brasile ed Europa: In memoria di Carlos Nelson Coutinho. Promovido pela International Gramsci Society [IGS]. Com intervenções de Guido Liguori, Giovani Semeraro, Pasquale Voza, Valeria Ribeiro, Victor Neves, Raul Burgos, Francesca Chiarotto, Lea Durante, Antonino Infranca, Manuela Ausilio, Angelo D’Orsi, Eleonora Forenza, Andrea Teixeira.

Informações, textos preparatórios e áudios das intervenções no evento em: http://www.igsitalia.org/index.php?option=com_content&view=article&id=231:seminario-tra-brasile-e-europa&catid=69:in-memoria-di-carlos-nelson-coutinho&Itemid=115

 Homenagem de José Paulo Netto a Carlos Nelson Coutinho. https://www.youtube.com/watch?v=aV3Jjqkp818&spfreload=5

Democracia e socialismo: homenagem a Carlos Nelson Coutinho por Marco Aurélio Nogueira. https://www.youtube.com/watch?v=J-rDS0huLHg

Homenagem Boitempo a Carlos Nelson Coutinho 2012. https://www.youtube.com/watch?v=W88Ht_S-m5o&index=5&list=PLTILxwyFpZwlok1ObDKYm9etdOoTdUuUx

 Homenagem feita a Carlos Nelson Coutinho (por Mauro Iasi – in memoriam).https://www.youtube.com/watch?v=znuZ6GAPzZEc

Homenagem feita ao professor Carlos Nelson Coutinho (por Ricardo Antunes – in memoriam). https://www.youtube.com/watch?v=NY8FQc2KzK4

IX. Notas de homenagem a CNC por ocasião de sua morte

 

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crise política no Brasil: 2016

frente-brasil-popular

Buscando contribuir para a pesquisa e o debate sobre a atual conjuntura política brasileira – configurada pelo processo de impeachment contra o governo da presidente Dilma Rousseff –, a Editoria de marxismo21 organizou o presente dossiê. Nele são divulgadas diferentes matérias: Resoluções de partidos políticos e Notas de movimentos sociais e de entidades culturais de esquerda; textos de acadêmicos e jornalistas (do Brasil e exterior); o debate institucional que implicou o impeachment do governo Dilma Rousseff, entrevistas e vídeos. A observar que, em meados de março, a Editoria do blog divulgou pela internet uma Nota “Em defesa da democracia”, questionando a ação golpista da direita ainda em curso no país.

Pela valiosa colaboração à organização do dossiê, somos gratos a Adriano Nascimento, Augusto Buonicore, Lívia Moraes, Maria Orlanda Pinassi, Milton Pinheiro e Paulo Denisar – membros do Conselho Consultivo de marxismo21.

2 junho de 2016

Editoria

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I. Partidos políticos e organizações

Partido Comunista Brasileiro

Partido Comunista do Brasil

Partido do Movimento Democrático Brasileiro

Partido da Causa Operária

Partidos dos Trabalhadores

Articulação Esquerda/PT

Partido Socialismo e Liberdade

Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado

Movimento Revolucionário dos Trabalhadores

Consulta Popular

Nova organização socialista

Cem Flores

Organização Comunista Arma da Crítica

Brigadas Populares

Podemos (Espanha)

II. Movimentos sociais

Caderno Especial Brasil de Fato [A seção NOTAS traz links que permitem o acesso a Notas de entidades diversas (culturais, científicas, feministas, associações acadêmicas, de juristas, religiosas etc.) e movimentos sociais contra o golpe.]

Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

CSP-Conlutas. Central Sindical e Popular

Central Única dos Trabalhadores

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

Movimento dos Trabalhadores Sem Teto

União Nacional dos Estudantes

Levante Popular da Juventude

Frente Brasil Popular

Bloco da Esquerda Socialista

Ordem dos Advogados do Brasil

III. Notas de entidades marxistas e esquerda (pdf)

Blog marxismo21, Cemarx-Unicamp, Gemarx-USP, Niep-Marx/UFF, Neils e Revista Lutas Sociais e Revista Margem esquerda

Opinião Socialista

IV. O processo político do impeachment

A petição de impeachment impetrada na Câmara Federal pelo PSDB

Parecer da Comissão Especial Câmara Federal

Relatório da Comissão Especial do Senado

Argumentação de defesa do governo Dilma Rousseff no Senado

Debate do impeachment no Senado

Carta de Dilma Rousseff ao Senado em 16 de agosto de 2016

V. Livro

Golpe en Brasil, vários autores

VI. Textos de acadêmicos e jornalistas

a) Antes do Golpe parlamentar (17 de abril)

O que é um golpe de Estado – Alvaro Bianchi  

Nota sobre a atual conjuntura política, David Maciel e Walmir Barbosa

Impeachment, crise e golpe, Osvaldo Cogiolla

Um ponte para o abismo, Luiz Bernardo Pericás

Lula e o PT há muito se esgotaram como via legítima de um projeto popular, M. Orlanda Pinassi

O Golpe de abril de 2016, Lincoln Secco

É preciso defender a democracia: que democracia? – Jorge Luiz Souto Maior

A crise, a deposição de Dilma Rousseff e a fragilidade da democracia, Flávia Biroli

A agenda das contrarreformas no Congresso: 63 ataques aos direitos sociais, e contando,  Rejane Hoeveler

O pântano no volume morto: degradação institucional brasileira atinge seu ponto mais agudo – Ricardo Antunes

Um golpe e nada mais – Vladimir Safatle

A “revolução” do Brasil começa a revelar suas verdadeiras cores – Pepe Escobar

A última criação de Langley: a revolução do pato amarelo no Brasil – Wayne Madsen

Retomando o fio da meada – Silvio Caccia Bava

Golpismo ontem e hoje – Jessé Souza

Fascismo no Brasil – Helcio Kovaleski

A disputa é nas ruas – Silvio Caccia Bava

A natureza da crise política – Armando Boito Júnior

No Brasil, só há esquerda fora do governo – Henrique Carneiro

Protesto e repressão – Angela Alonso

A marcha sobre Brasília – Lincoln Secco

Impeachment do processo civilizatórioEduardo Fagnani

 A crise política: uma grande farsa, Dermeval Saviani

 Para entender o golpe em curso no Brasil, Carlos Eduardo Martins

A crise brasileira atual – Rogério Castro

2) Após o golpe parlamentar  

Dossiê especial: golpe, resistência e alternativas – blog Outras Palavras

Crise no Brasil Perry Anderson

O golpe é outro, César Benjamim

Movimento contra a corrupção ou golpe de Estado disfarçado?Laurent Delcourt  

Uma encruzilhada política, Felipe Calabrez

Maiores riscos – Silvio Caccia Bava

O sono da política produz monstros – Gabriel Cohn

Golpe: a diplomacia cifrada de Washington – Mark Weisbrot

Golpe no Brasil: a conexão internacional – Pedro Marin

Feitiçaria, golpe e fim de ciclo – Ricardo Cavalcanti Schiel

As duas faces da resistência ao golpe – Antônio Martins

Nós acusamos – Vladimir Safatle

O Golpe de Estado de 2016 no Brasil, Michael Löwy

O esgotamento da democracia liberal no Brasil, Christian Dunker

Governo Barack Obama disfarça apoio ao golpe – Eduardo Maretti

O usurpador e o caminho da usurpação – Mauro Luís Iasi

Da experiência petista às lutas de hoje – Luís Fernando e Arthur Aquino

A “retórica da intransigência” outra vez na liquidação da política social – Guilherme C. Delgado

O golpeachment no Brasil, a nova revolução colorida – Pepe Escobar

Afinal, o que quer a burguesia? – Paulo Passarinho

Jogo jogado? – Marcelo Badaró Mattos

Dirigimo-nos para um governo chantagista que vai implantar o programa da grande rapinagem – Virgínia Fontes

O colapso final do sistema de representação política tradicional – Ruy Braga

Derrubar governos pela ação militar não interessa mais aos Estados Unidos – Moniz Bandeira

Sobre o fascismo e o fascismo no Brasil de hoje – Demian Melo

Reflexões sobre a ascensão da direita, Gilberto Calil

Reflexões sobre a reestruturação política e a crise social, Maria Orlanda Pinassi e Felipe Duarte

A agenda das contrareformas no Congresso: 63 ataques aos direitos sociais, Rejane Carolina Hoeveler

Descortinando o impeachment: contribuições para entender a crise – Morena Gomes Marques

E o Estado de exceção avança – Jorge Luiz Souto Maior

O Day After: estrategistas de uma guerra social iminente – Rejane Carolina Hoeveler

Um golpe nas ilusões democráticas, Marcelo Braz

Desafios da democracia no Brasil, Wellington Menezes

Democracia. Que regime político é esse?, Dermeval Saviani

Um Golpe Parlamentar e a volta reacionária da Religião, da Família, de Deus e contra a Corrupção, Leonardo Boff

Sobre a crise política e o golpe em curso no Brasil, Alessandro de Moura

As raízes da escalada conservadora no Brasil atual – Rogério Castro

Economia política dos governos Dilma, acumulação e crise, Eduardo Costa Pinto e outros

Golpes: a permanência autoritária na política brasileiraManoel Dourado Bastos, Miguel Enrique Stédile e Rafael Villas Boas

Sean Purdy, Rouseff and the Right, https://www.jacobinmag.com/2015/10/dilma-rousseff-impeachment-pt-petrobas-brazil/

Sean Purdy, Hypocrisy Wins the Day, https://www.jacobinmag.com/2016/04/dilma-rousseff-impeachment-coup-temer-bolsonaro/

Sean Purdy, Brazil on Edge, https://www.jacobinmag.com/2016/03/rousseff-lula-pt-petrobras-coup-brazil/

Sean Purdy, The Coup in Brazil: What It Means for Workers, http://lawcha.org/wordpress/2016/06/28/coup-brazil-means-workers/

Sean Purdy, Brazil at the Precipice, http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/10714839.2016.1201264?journalCode=rnac20

Sean Purdy, A Corrupt Alliance with Brazil’s Coup Makers, https://socialistworker.org/2016/07/26/a-corrupt-alliance-with-brazil

VIII. Análises geopolíticas

Imperialism’s Junior Partners,  BOND, Patrick

BRICS Under Attack: The Empire Strikes Back In Brazil.” , DRAITSER, Eric http://www.mintpressnews.com/brics-attack-empire-strikes-back-brazil/214943/

The New Normal: Cold War 2.0, ESCOBAR, Pepe

Brazil, like Russia, under attack by Hybrid War. ESCOBAR, Pepe

 Is It A Coup? What Is Happening in Brazil Is Much Worse Than Donald Trump, GREENWALD, Glenn

The Constitutional Coup-Color Revolution Two-Step In Brazil. KORYBKO, Andrew

A Coup in Brazil? SAAD-FILHO, Alfredo

A ‘Silent Coup’ for Brazil? , SNIDER, Ted

IX. Entidades acadêmicas e associações de pesquisadores

ANPUH: Associação Nacional de História (27 de março)

http://site.anpuh.org/index.php/2015-01-20-00-01-55/noticias2/diversas/item/3381-pela-defesa-da-democracia-e-pela-ampliacao-de-direitos-contra-o-golpe-em-curso

ABCP: Associação Brasileira de Ciência Política

http://www.cienciapolitica.org.br/nota-abcp-expressa-preocupacao-e-perplexidade-com-a-aceitacao-do-pedido-de-impeachment-do-mandato-de-dilma-rousseff/#.V1L0YiEjO2m

X. Manifestos de pesquisadores, artistas, feministas, blogueiros etc.

Lista de manifestos

http://www.naovaitergolpe.com/category/manifestos/

Poesia pela Democracia

https://ninja.oximity.com/article/Manifesto-Poesia-pela-Democracia-1

Ex-constituintes

https://ninja.oximity.com/article/Ex-Constituintes-divulgam-manifesto-1

Trabalhadores da Arte e da Cultura da Baixada Santista

https://ninja.oximity.com/article/Manifesto-dos-Trabalhadores-da-Arte-e-1

Sambistas contra o golpe e pela democracia

https://ninja.oximity.com/article/Manifesto-dos-sambistas-contra-o-golpe-2

Carta dos artistas de Minas Gerais

https://ninja.oximity.com/article/Carta-dos-Artistas-de-Minas-Gerais-1

Manifesto feminista pela sororidade e democracia

https://ninja.oximity.com/article/Manifesto-feminista-pela-sororidade-e-1

Carta de BH (blogueiros e ativistas digitais)

https://ninja.oximity.com/article/Carta-de-BH-5%C2%BA-Encontro-Nacional-1?faid=952555

http://www.naovaitergolpe.com/category/manifestos/

XI. Páginas no facebook contra o golpe

Universidade contra o golpe

https://www.facebook.com/Universidade-Contra-o-Golpe-521341374732870/?fref=ts

UFRJ contra o golpe

https://www.facebook.com/groups/ufrjcontraogolpe/?fref=ts

Unicamp contra o golpe

https://www.facebook.com/UnicampContraOGolpe/

USP contra o golpe

https://www.facebook.com/uspcontraogolpe/

UERJ pela democracia e contra o golpe

https://www.facebook.com/uerjpelademocraciaecontraogolpe/?fref=ts

Departamento de Ciência Política da UFRJ

https://www.facebook.com/groups/2352608243/permalink/10153481645578244/

Mackenzie contra o golpe

https://www.facebook.com/mackenziecontraogolpe/?fref=ts

Gaúchos contra o golpe da direita

https://www.facebook.com/groups/208888799262642/?fref=ts

Golpe nunca mais

https://www.facebook.com/golpenuncamais.br/

Contra o golpe fascista

https://www.facebook.com/contragolpefascista/?fref=ts

Periferias contra o golpe

https://www.facebook.com/periferiascontraogolpe/

Não quero o golpe

https://www.facebook.com/NaoVouDeixarTerGolpe/?fref=ts

Imprensa internacional denuncia o golpe

https://www.facebook.com/ImprensaInternacionalDenunciaOGolpe/

XII. Vídeos

Debate sobre o Golpe: G. Boulos e D. Magnoli

Debates sobre a Crise Política na USP

A crise política brasileira, José Paulo Netto

A crise política e social no Brasil, Valério Arcary

Entrevista com Pepe Escobar

Ato de repúdio na LASA 2016 contra o golpe

Fora Temer

https://youtu.be/gBUiD8Ab4OI

Entrevista de Glenn Greenwald com Dilma Rousseff:

Entrevista de Glenn Greenwald com Lula da Silva

XIII. Wikipedia

Verbete: Processo de impeachment de Dilma Rousseff

https://pt.wikipedia.org/wiki/Processo_de_impeachment_de_Dilma_Rousseff

Verbeto: Processo de impeachment contra Michel Temer

https://pt.wikipedia.org/wiki/Processo_de_impeachment_de_Michel_Temer

Verbete: linha de tempo do processo de impeachment contra Dilma Rousseff

https://pt.wikipedia.org/wiki/Linha_de_tempo_do_processo_de_impeachment_contra_Dilma_Rousseff

 

 

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Imperialismo, ontem e hoje

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Com o advento da chamada globalização, não foram poucos – inclusive no seio das esquerdas – os que decretaram o fim da dominação imperialista, pretensamente substituída pelo livre trânsito de bens, ideias e pessoas e pela cooperação entre países. A rigor, com a globalização o imperialismo não só não desapareceu, como assumiu formas mais sofisticadas de dominação, baseadas em diversos mecanismos de controle econômico, político e ideológico sem, no entanto, abandonar – quando necessários – o tradicional uso da força e a ocupação militar. Neste dossiê marxismo21 busca contribuir para o debate e a reflexão sobre este fenômeno tanto em sua trajetória histórica, quanto em sua manifestação contemporânea. Publicam-se aqui textos clássicos sobre o tema e o debate sobre os mesmos, além de análises sobre as formas atuais do imperialismo, tanto nos países centrais como nos países periféricos, como indicam as formulações sobre a teoria da dependência.

Editoria

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I. O debate sobre o imperialismo clássico:

a) Clássicos:

O Imperialismo e a Economia Mundial – N. Bukharin

https://www.marxists.org/portugues/bukharin/1917/imperialismo/index.htm

Prefácio de Lênin a O Imperialismo e a Economia Mundial de N. Bukharin

https://www.marxists.org/portugues/bukharin/1917/imperialismo/prefacio.htm

Ultra-Imperialismo – Karl Kautsky

https://www.marxists.org/portugues/kautsky/1914/09/11-1.htm

Imperialismo e a Guerra – Karl Kautsky

https://www.marxists.org/portugues/kautsky/1914/09/11.htm

O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo – Vladimir Ilitch Lenine

https://www.marxists.org/portugues/lenin/1916/imperialismo/index.htm

El capital financiero e las crisis (cap. 4 de El capital Financiero) – Rudolf Hilferding

O imperialismo e a revolução – Enver Hoxha

Ponto de vista antiimperialista – José Carlos Mariátegui

http://www2.marilia.unesp.br/revistas/index.php/novosrumos/article/view/2068/1700

b) Contemporâneos:

 Lenin, imperialismo e revoluções, Valério Arcary

Globalização : a nova retórica do velho imperialismo – José Rubens Mascarenhas de Almeida

http://www.sapientia.pucsp.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=9434

Democracia totalitaria: Teoria e Prática da Empresa Soberana, João Bernardo

John A. Hobson: a evolução do capitalismo moderno. Um estudo da produção mecanizada – Fernando Nogueira Costa

https://fernandonogueiracosta.files.wordpress.com/2015/08/john-a-hobson-a-evolucao-do-capitalismo-moderno-os-economistas.pdf

Breve nota sobre a teoria do imperialismo – Marcos del Roio

O Imperialismo: de Lenin aos dias atuais – Virgínia Fontes,

http://www.ocomuneiro.com/nr18_11_virginiafontes.htm

Desenvolvimento desigual e combinado e imperialismo – Michael Löwy

La teoría clásica del imperialismo, Claudio Katz, http://www.rebelion.org/noticia.php?id=128564

La era del imperialismo, Harry Magdoff

Interpretações clássicas do imperialismo – Eduardo Barros Mariutti

Hilferding e o nexo imperialista entre capital financeiro e exportação de capital – Fábio Antonio de Campos Mauricio de Souza Sabadini

Hilferding – El Capital Financiero: Herramienta de Trabajo Analítica, Paulo L.dos Santos

http://www.observatoriodelacrisis.org/2011/02/hilferding-el-capital-financiero-herramienta-de-trabajo-analitica/

Teoría del desarollo capitalista – Paul Sweezy

http://resistir.info/livros/sweezy_teoria_del_desarrollo_capitalista.pdf

Imperialismo e capital financeiro – Larissa Veiga

O anti-imperialismo de Stálin e a questão chinesa , Danilo Martuscelli

Apresentação de “Imperialismo, etapa superior do capitalismo” de V. I. Lênin – Plínio de Arruda Sampaio Jr.

O imperialismo: os teóricos precursores e o debate contemporâneo – Paulo S. Souza (M21)

Análisis de sistema-mundo: uma introducción – Immanuel Wallerstein

http://perio.unlp.edu.ar/catedras/system/files/historia_xx_2013_analisis_del_sistema_mundos-parte1.pdf

Entrevista a Immanuel Wallerstein: Sistema-Mundo y Movimientos Sociales, lo que viene

http://www.infoamerica.org/documentos_pdf/wallerstein2.pdf

II. O debate sobre o novo imperialismo:

O vislumbre de uma nova fase do imperialismo diante da financeirização do capitalismo contemporâneo – Marisa Silva Amaral e Leda Maria Paulani

http://www.sep.org.br/artigos/download?id=2487

O Que é a Mundializaçao do Capital –  Giovanni Alves

Trabalho e Mundialização do Capital A Nova Degradação do Trabalho na Era da Globalização – Giovanni Alves

http://www.giovannialves.org/LivroTMC.pdf

Apontamentos sobre imperialismo, soberania e antiimperialismo na alvorada do século XXI – alvorada do século XXI, Lúcio Flávio de Almeida

http://revistas.pucsp.br/index.php/ls/article/view/18976/14136

Nacionalitarismo, antiimperialismo e democracia: um desafio teórico-prático que se repõe para o marxismo no século XXI – Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida

http://revistas.pucsp.br/index.php/ls/article/viewFile/18558/13767

A vigência do imperialismo na globalização – Carlos César Almendra

O Imperialismo, Passado e Presente  –  Samir Amin

http://www.scielo.br/pdf/tem/v9n18/v9n18a05.pdf

Geopolítica do imperialismo contemporâneo – Samir Amin

http://www2.marilia.unesp.br/revistas/index.php/novosrumos/article/view/2128/1755

Imperialismo e globalização – Samir Amin

http://resistir.info/samir/imperialismo_globalizacao.html

A senilidade do capitalismo – Entrevista ao economista egípcio Samir Amin

http://resistir.info/samir/s_amin.html

O imperialismo americano, a Europa e o Médio Oriente – Samir Amin

http://resistir.info/samir/samir_nov04_port.html

Transnacionalização do capital e fragmentação dos trabalhadores. Ainda Há Lugar para os Sindicatos? – João Bernardo

https://comunism0.wordpress.com/transnacionalizacao-do-capital-e-fragmentacao-dostrabalhadores/

Imperio & imperialismo (uma lectura crítica de Michael Hardt y Antonio Negri)  – Atilio Borón

http://www.rebelion.org/docs/141116.pdf

Hegemonia e imperialismo no sistema internacional – Atilio A. Boron

A questão do imperialismo – Atilio A. Boron

http://biblioteca.clacso.edu.ar/clacso/formacion-virtual/20100715085933/cap23.pdf

O imperialismo e a economia política global – Alex Callinicos

https://socialismosemfronteiras.wordpress.com/2014/04/21/o-imperialismo-e-a-economia-politica-global-alex-callinicos-2/

Notas sobre o imperialismo hoje – Wilson Cano

Tendencias profundas del imperialismo y realidad de las relaciones políticas mundiales – François Chesnais

Mundialização: o capital financeiro no comando – François Chesnais

http://outubrorevista.com.br/wp-content/uploads/2015/02/Revista-Outubro-Edic%CC%A7a%CC%83o-5-Artigo-02.pdf

Guerra e globalização – Michel Chossudovsky

http://resistir.info/livros/guerra_e_globalizacao.pdf

Globalização e imperialismo – Edmilson Costa

O Estado militarista estadunidense ou a imposição armada do “mercado” – Gilson Dantas

Globalização e imperialismo: a globalização é uma fase do capitalismo em processo
Marcos Del Roio

Imperialismo e o problema da Palestina – Marcos Del Roio

http://www.espacoacademico.com.br/032/32ip_roio.htm

Mundializaçao imperialista – Marcos Del Roio

O imperialismo na era neoliberal – Gérard Duménil e Dominique Lévy

http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/artigo186artigo1.pdf

“O poder global e a nova geopolítica das nações” – José Luis Fiori

http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/secret/CyE/CyE2/06opo.pdf

Marx, expropriações e capital monetário: notas para o estudo do imperialismo tardio – Virgínia Fontes

http://www.ocomuneiro.com/nr07_06_virginiafontes.html

A nova era do imperialismo – John Bellamy Foster

http://resistir.info/mreview/nova_era_do_imperialismo.html

O redescobrimento do imperialismo – John Bellamy Foster

Anna Saggioro Garcia – Hegemonia, imperialismo e capitalismo no pós-guerra

http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=1211

O “novo” imperialismo: acumulação por espoliação – David Harvey

http://biblioteca.clacso.edu.ar/ar/libros/social/2004pt/05_harvey.pdf

Entrevista con David Harvey. Nuevo imperialismo y cambio social: Entre el despojo y la recuperación de los bienes comunes

http://www.herramienta.com.ar/entrevistas/entrevista-con-david-harvey-nuevo-imperialismo-y-cambio-social-entre-el-despojo-y-la-rec

Sob o véu da mundialização. Crise, imperialismo e guerra Rémy Herrera

http://www.sep.org.br/revista/download?id=118

Globalização e imperialismo, Octavio Ianni

http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/debate13Deb1.1.pdf

Teorias da globalização, Otavio Ianni

http://docslide.com.br/documents/ianni-otavio-teorias-da-globalizacao.html

Vencer a mundialização – Georges Labica http://www.odiario.info/?p=641

A financeirização no capitalismo contemporâneo: uma discussão das teorias de François Chesnais e David Harvey – Ilan Lapyda

http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-30092011-095732/pt-br.php

Sobre as teorias do imperialismo contemporâneo: uma leitura crítica – Leonardo de Magalhães Leite

http://www.scielo.br/pdf/ecos/v23n2/0104-0618-ecos-23-02-0507.pdf

Revolução chinesa, anti-imperialismo e luta pelo socialismo hoje – Domenico Losurdo, http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/entrevista9enrevista1.pdf

Panamá, Iraque, Iugoslávia: Os Estados Unidos e as guerras coloniais do século XXI – Domenico Losurdo

O subimperialismo, etapa superior do capitalismo dependente – Mathias Seibel Luce

Aspectos económicos del ¡mperialismo norteamericano – Harry Magdoff ,http://www.filosofia.org/rev/pch/1967/pdf/n08p015.pdf

Globalização: nova fase do capitalismo? – Jorge Miglioli

Miragem global e imperialismo – J. Quartim de Moraes

Imperio – Hardt e Negri.

http://www.ddooss.org/articulos/textos/Imperio_Negri_Hardt.pdf

El Imperio después del imperialismo Toni Negri

http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=30500419

¿Hacia una agonía de los estados-nación? El imperio, fase superior del imperialismo – Toni Negri

http://www.lainsignia.org/2001/febrero/cul_010.htm

O Novo Desafio Imperial – Leo Panitch e Colin Leys (organizadores) (Dossiê Socialist Register)

http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/social/2004pt/social.html

Entrevista. “Los Estados son los ‘autores’ de la globalización capitalista” – Leo Panitch

http://www.laizquierdadiario.com/spip.php?page=movil-nota&id_article=9471

El liderazgo del capital global – Leo Panitch y Sam Gindin

https://drive.google.com/file/d/0B8JpZL2RhZRpWWNKdWthNWZpdGM/edit?pref=2&pli=1

Relendo Lênin: um balanço do debate contemporâneo sobre o imperialismo – Marcos Vinícius Pansardi

A “Nova Ordem Mundial” e o Consenso de Washington – Marcos Cordeiro Pires

http://www2.marilia.unesp.br/revistas/index.php/novosrumos/article/view/2123/1751

As classes sociais no capitalismo hoje – NicosPoulantzas

La teoría del imperialismo de Rosa Luxemburg y sus críticos: la era de la Segunda Internacional – Manuel Quiroga y Daniel Gaido

http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/artigo300Artigo6.pdf

Globalização e imperialismo – David Ruccio

http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/artigo111artigo2.pdf

Lênin e a interpretação do imperialismo nos séculos XX e XXI – Roberta Traspadini e Fábio Marvulle Bueno

http://rebela.emnuvens.com.br/pc/article/view/174

Imperialismo dos EUA: Hegemonía económica e poder militar – Ellen M. Woods

http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/critica19-A-wood.pdf

 III. Imperialismo hoje na América Latina

Actualidad del pensamiento de Ruy Mauro Marini – Cecilia Allami

http://www.iela.ufsc.br/rebela/revista/volume-4-numero-3-2014/rebela/revista/artigo/actualidad-del-pensamiento-de-ruy-mauro

Breves considerações acerca das teorias do imperialismo e da dependência ante a financeirização do capitalismo contemporâneo –  Marisa Silva Amaral

http://www2.unifesp.br/revistas/pensata/wp-content/uploads/2011/03/7Amaral.pdf

Teorias do imperialismo e da dependência & a financeirização do capitalismo contemporâneo – Marisa S. Amaral e Leda Paulani

Teoría de la dependencia: una Anticrítica – Vania Bambirra

https://drive.google.com/file/d/0B0eSnYD-sJTwcjRILXgtZ0xXM0E/view?pref=2&pli=1

Brasil hoje e amanhã: teia do novo imperialismo – João Bernardo

http://www.passapalavra.info/2011/09/44120

A tese do imperialismo brasileiro em questão – Tatiana Berringer

Imperialismo brasileiro? Uma polêmica teórica e política – Armando Boito Jr.

Marxismo e teoria da dependência – Alvaro Bianchi

http://blogjunho.com.br/marxismo-e-teoria-da-dependencia/

Imperialismo e subimperialismo brasileiro? – C. Bugiato e T. Berringer (M21)

Imperialismo_colapso_formacao_economica_brasileira, Fábio Antonio de Campos

O capital internacional no desenvolvimento capitalista brasileiro (1951-1992), Fabio Antonio De Campos

Imperialismo e internacionalização dos mercados latino-americanos nos anos 1950 – Fábio A. de Campos

A Teoria da dependência: Interpretações sobre o (sub)desenvlvimento na América Latina – Pedro Henrique Evangelista Duarte e Edílson José Graciolli

http://www.unicamp.br/cemarx/anais_v_coloquio_arquivos/arquivos/comunicacoes/gt3/sessao4/Pedro_Duarte.pdf

Capital-Imperialismo subalterno e dependente e Programa Democrático Popular – Isabel Figueiredo

http://www.iela.ufsc.br/artigo/capital-imperialismo-subalterno-e-dependente-e-programa-democr%C3%A1tico-popular

A incorporação subalterna brasileira ao capital-imperialismo – Virgínia Fontes

http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/dossie61merged_document_275.pdf

O Brasil e o capital imperialismo: teoria e História – Virgínia Fontes

http://resistir.info/livros/brasil_capital_imperialismo.pdf

O Imperialismo e a Transformação dos Modos de Produção na Asia, Africa e America Latina, 1870-1930 – André Gunder Frank

Imperialismo e Mercado Mundial – André Gunder Frank

http://lh.eng.br/ocapitaldesvelado/tag/gunder-frank/

Imperialismo contemporâneo: Notas – Virgínia Fontes

O antiimperialismo revolucionário de José Carlos Mariátegui – Leandro de Oliveira Galastri

http://www.ifch.unicamp.br/ojs/index.php/cemarx/article/view/1281/859

Imperialismo, dependência e revolução na AL – João P. Hadler

Imperialismo na Venezuela – Mariana Lopes

El Bolívar de Carlos Pereyra, Marx y el antiimperialismo latinoamericano – Andrez Kozel

Imperialismo e democracia na AL nos anos 90 – Eliel Machado

Imperialismo e lutas sociais na América Latina – Eliel Ribeiro Machado

O Haiti é Aqui: Sub Imperialismo Brasileiro e Imigrantes Haitianos em Santa Catarina – SC – Luis Felipe Aires Magalhães

La dialéctica del desarrollo capitalista em Brasil – Rui Mauro Marini

https://drive.google.com/file/d/0B0eSnYD-sJTwaHZ4dy1EYXVKRzQ/view?pref=2&pli=1

Dialéctica de la dependência – Rui Mauro Marini

https://drive.google.com/file/d/0B0eSnYD-sJTwSlc3cFRIdWR3dTQ/view?pref=2&pli=1

Em torno a La dialéctica de La dependência (postscriptum) – Rui Mauro Marini

https://drive.google.com/file/d/0B0eSnYD-sJTwSkZza3EycXJpcmc/view?pref=2&pli=1

La acumulación capitalista mundial y el subimperialismo – Ruy Mauro Marini

https://drive.google.com/file/d/0B0eSnYD-sJTwX1IycXJNR1NodTQ/view?pref=2&pli=1

Desenvolvimento e dependência – Ruy Mauro Marini

https://drive.google.com/file/d/0B0eSnYD-sJTweHA5dE9sRXpfTFE/view?pref=2&pli=1

El desarrollo del capitalismo mundial y su impacto en América Latina – Ruy Mauro Marini

https://drive.google.com/file/d/0B0eSnYD-sJTwRWE0c1VERzJFZGc/view?pref=2&pli=1

Proceso y tendências de La globalización capitalista – Ruy Mauro Marini

https://drive.google.com/file/d/0B0eSnYD-sJTwUXBjZUoydjRYUFk/view?pref=2&pli=1

Sobre “Brasil e o capital imperialismo” – Iraldo Matias (M21)

Bolívar en Sandino: una propuesta de unión antiimperialista desde Las Segovias en Nicaragua – Rafael Cuevas Molina

http://www.iela.ufsc.br/rebela/revista/volume-1-n%C3%BAmero-1-2011/rebela/revista/artigo/bol%C3%ADvar-en-sandino-una-propuesta-de

Reflexiones en torno al Pensamiento de Augusto César Sandino – Rafael Cuevas Molina e Paulette Barberousse

http://www.iela.ufsc.br/rebela/revista/volume-2-n%C3%BAmero-2-2012/rebela/revista/artigo/reflexiones-en-torno-al-pensamiento-de

Império, guerra e terror – João Q. Moraes

O estatuto teórico da noção de dependência – João Quartim de Moraes

A posição do Brasil no campo imperialista – J. Quartim de Moraes

Che Guevara: o antiimperialismo em atos  -J. Quartim de Moraes

http://www.ifch.unicamp.br/criticamarxista/arquivos_biblioteca/dossie17Dossie.pdf

Dialéctica de la dependencia y transferencia de valor: el caso uruguayo – Angela Analía G. Patrón

http://www.iela.ufsc.br/rebela/revista/volume-4-numero-3-2014/rebela/revista/artigo/dialectica-de-la-dependencia-y

Vânia Bambirra e o marxismo crítico latino-americano – Fernando Correa Prado

http://www.iela.ufsc.br/rebela/revista/volume-1-n%C3%BAmero-1-2011/rebela/revista/artigo/v%C3%A2nia-bambirra-e-o-marxismo-cr%C3%ADtico

La falacia del desendeudamiento – Alejandro Olmos

http://www.iela.ufsc.br/volume-3-n%C3%BAmero-1-2013/rebela/revista/artigo/la-falacia-del-desendeudamiento

Integración latinoamericana: una interpretación desde la Teoría marxista de la dependência – Angela Analía G. Patrón

http://www.iela.ufsc.br/rebela/revista/volume-5-numero-1-2015/rebela/revista/artigo/integracion-latinoamericana-una

El rescate de la teoría marxista de la dependencia en el siglo XXI – Bernardo Salgado Rodrigues

http://www.iela.ufsc.br/rebela/revista/volume-4-numero-3-2014/rebela/revista/artigo/el-rescate-de-la-teoria-marxista-de-la

Guatemala, América Central y la asistencia estadounidense: ¿Fracasó la guerra contra el “crimen organizado”? – Silvina Romano

http://www.iela.ufsc.br/rebela/revista/volume-2-n%C3%BAmero-3-2012/rebela/revista/artigo/guatemala-am%C3%A9rica-central-y-la

A relação Brasil-EUA: o mito da política externa independente – Plínio de Arruda Sampaio Junior

http://www.iela.ufsc.br/rebela/revista/volume-5-numero-1-2015/rebela/revista/artigo/relacao-brasil-eua-o-mito-da-politica

Imperialismo y dependência – Theotonio dos Santos

http://ru.iiec.unam.mx/3096/1/ImpDep.pdf

Economía mundial Integración regional y desarrollo sustentable: las nuevas tendencias y la integración latinoamericana – Theotonio dos Santos

http://ru.iiec.unam.mx/3091/1/EcoMun.pdf

A Teoria da dependência: Balanço e perspectivas – Theotônio Dos Santos

https://drive.google.com/file/d/0B0eSnYD-sJTwR0dXSXZZb2trYjQ/view?pref=2&pli=1

Práticas imperialistas e o petróleo amazônico – Sara Santos, Joana Vergotti, Artur Moret e Sinclair Guy Guerra

http://www.iela.ufsc.br/rebela/revista/volume-5-numero-2-2015/rebela/revista/artigo/praticas-imperialistas-e-o-petroleo

El protagonismo brasileño en el siglo XXI: ¿subimperialismo o semiperiferia? , Raphael Seabra e Fabio Bueno

http://www.iela.ufsc.br/rebela/revista/volume-2-n%C3%BAmero-2-2012/rebela/revista/artigo/el-protagonismo-brasile%C3%B1o-en-el-siglo

Acumulação, centralização e imperialismo na AL – Cristiano M. da Silva

Textos atuais em torno à Teoria Marxista da Dependência

https://imperialismoedependencia.org/blog/textos-para-baixar/textos-atuais-em-torno-a-tmd/

Crítica à noção de subimperialismo – Angelita Matos Souza

Reestructuracion Laboral Neoliberal y Pobreza: dos dimensiones gemelas de la globalizacion excluyente en México (en el contexto Latino Americano y Caribeño) – Adolfo Morales Valladares

Nildo Ouriques, discípulo de Ruy Mauro Marini, detona os cipayos esclarecidos de São Paulo – Gilberto F. Vasconcellos

http://www.iela.ufsc.br/rebela/revista/volume-4-numero-3-2014/rebela/revista/artigo/nildo-ouriques-discipulo-de-ruy-mauro

IV) Vídeos:

Che: Sobre o imperialismo

A verdade sobre os piratas da Somália

O poder americano, José Luis Fiori

O poder americano 2, J. L. Fiori

Lenin, o imperialismo e as guerras , Domenico Losurdo

Marx , Imperialismo e Racismo, D. Losurdo

Imperialismo e o Comunismo no Mundo, D. Losurdo

América Latina en la geopolítica del imperialismo Atílio Borón

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Clóvis Moura: marxismo e questão racial

foto clóvis 2

Nesta página, marxismo21 publica um dossiê sobre Clóvis Moura (1925-2003), escritor e ativo intelectual-militante comunista que se destacou pelos estudos sobre a questão racial e a luta e a resistência do negro no Brasil. Neste dossiê, divulgamos vários artigos e livros de Clóvis Moura e trabalhos sobre sua obra, assim como vídeos e áudios que procuram revelar suas contribuições para a história e para o pensamento social brasileiros.

Somos gratos a Érika Mesquita (IFAC) pela elaboração do texto de apresentação e a outros valiosos colaboradores que se envolveram na construção deste extenso dossiê: Augusto Buonicore, José Carlos Ruy, Mário Augusto Medeiros da Silva, Mário Maestri, Renata Gonçalves e Soraya Moura.

 Editoria

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Clóvis Moura: por uma sociologia da práxis negra

Érika Mesquita

Revisitar a obra de Clóvis Moura é repensar a história social do Brasil. É com um sentimento saudoso e de enorme gratidão que inicio uma sucinta apresentação de sua obra, construída ao longo de sua trajetória, quer sobre estudos sobre o negro da qual trata esse dossiê ou como exímio poeta. Clóvis Moura, em nossas conversas, sempre ressaltava a importância de se transformar o conhecimento livresco em arma para revolução, e essa acepção perpassa sua obra na categoria de análise basilar que é a práxis negra.

Como outros intérpretes contemporâneos do Brasil, Clóvis Moura lançou mão da análise marxista, mas ao contrário de outros autores, ele buscou se aprofundar sobre um assunto repleto de subterfúgios, que era a luta dos escravos contra o cativeiro. Moura estabeleceu, através da análise dos quilombos e das numerosas insurreições escravas, uma nova interpretação da formação da sociedade brasileira.

Observou ele que a sociedade brasileira se formou através de uma contradição fundamental, senhores versus escravos, e em sendo as demais contradições decorrentes dessa, pautadas por extrema violência, aspecto central do sistema escravista. Clóvis Moura remete ao pensamento marxista quando relaciona o negro como o sujeito histórico da sua própria transformação e quando observa que as relações de produção têm como base o racismo como elemento estrutural e estruturante no Brasil. Portanto, da mesma forma que Marx entendia a classe operária como sujeito da revolução, e esta descoberta foi feita a partir da experiência com os movimentos sociais mais avançados de sua época, Clóvis coloca no negro o sujeito revolucionário e protagonista de sua auto-emancipação dentro de uma práxis histórica negra.

 Dessa forma, Clóvis conclui que todos os movimentos que desejam mudança social são movimentos políticos apesar do fato dos seus agentes coletivos não terem total consciência disso. Logo, esse fenômeno se apresenta pelo nível de consciência social de cada um e as propostas subsequentes para a mudança projetada, mas todos se enquadram (com maior ou menor nível de consciência social) na proposta da transformação revolucionária (ou não) da sociedade.

Como já mencionado, a noção de práxis é a categoria-chave para pensar uma tradução do marxismo europeu para um, pode-se dizer, marxismo enegrecido. É a práxis – considerada como ação de rebeldia e resistência ao escravismo – que confere ao negro o papel de sujeito de sua própria história. Para Moura, o exemplo desse fenômeno máximo do negro como sujeito é Palmares que se colocou, simultaneamente, como uma síntese entre república e monarquia: República, pois cada quilombo que integrava Palmares tinha seu representante, e este decidia de forma autônoma, ou seja, conjuntamente com o seu povo, como solucionar problemas incidentes em seu reduto, e monarquia, porque possuíam um rei com toda distinção hierárquica-social, muitas vezes não só social como também religiosa e que em tempos de guerra exercia poderes absolutos. Era dessa forma um modelo singular de governar o povo.  ler mais

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Fundo DEOPS/SP:

Ficha Clóvis Moura 1

Ficha Clóvis Moura 2

 Livros:

A encruzilhada dos orixás: problemas e dilemas do negro brasileiro

A imprensa negra

A sociologia posta em questão

As injustiças de Clio: o negro na historiografia brasileira

Brasil, raízes do protesto negro 

Dialética racial do Brasil negro

Dicionário da escravidão negra no Brasil

História do negro brasileiro

Introdução ao pensamento de Euclides da Cunha

O preconceito de cor na literatura de cordel: tentativa de análise sociológica

Os quilombos e a rebelião negra

Os quilombos na dinâmica social do Brasil

Quilombos: resistência ao escravismo

Rebeliões da senzala

Sociologia do negro brasileiro

Sociologia política da guerra camponesa de Canudos

 Artigos:

As atrocidades da burguesia

Atritos entre a história, o conhecimento e o poder

Cem anos da abolição do escravismo no Brasil

Devoremos a esfinge antes que ela nos decifre

Escravismo, colonialismo, imperialismo e racismo

Estratégia do imobilismo social contra o negro no mercado de trabalho

Florestan Fernandes e o negro – uma interpretação política

Graciliano Ramos e o Partido Comunista

Lila Ripoll (co-autoria com José Carlos Ruy)

Lima Barreto e a militância literária

Nascimento, paixão e ressureição de “Casa Grande & Senzala”

O racismo como arma ideológica de dominação

O significado político da guerra de Canudos

Organizações negras

Os quilombos e a luta de classes no Brasil

Particularidades do racismo brasileiro

População e miscigenação no Brasil

Reflexão sobre o racismo

Sacco e Vanzetti – um crime que gerou protestos no Brasil

Trajetória da abolição em São Paulo: do quilombismo racial à conciliação

Resenhas:

A escravidão na ótica do escravo

A generosa luta da guerrilha do Araguaia

Uma luz no fim do túnel

Prefácio:

Prefácio do livro A imprensa negra paulista (1915-1963), de Miriam Nicolau Ferrara

Entrevistas:

A história do trabalho no Brasil ainda não foi escrita (com José Carlos Ruy)

Memória – entrevista com Clóvis Moura (1981) – Revista Movimento (UNE)

Sociólogo critica “cinismo étnico” no país (com ANotícia)

Poemas:

Rio Seco

O Rio Parnaíba

Trabalhos sobre Clóvis Moura:

Alessandro Moura de Amorim. MNU representa Zumbi (1970-2005): cultura histórica, movimento negro e ensino de história

Ana Boff de Godoy. Os dilemas da negritude

Augusto Buonicore. O pensamento radical de Clóvis Moura

Célia Regina Tokarski, Domingos Leite Lima Filho, Ivo Pereira de Queiroz, Mariana Prohmann. O sujeito negro e a educação tecnológica: potencialidades a partir de aproximações conceituais de Clovis Moura e Andrew Feenberg

Christian Carlos Rodrigues Ribeiro. Considerações iniciais sobre a produção histórico-sociológica de Clóvis Moura

Danilo Ramos Silva. Clóvis Moura e a sua rebelião (Resenha de Rebeliões da Senzala)

Dennis de Oliveira. Uma análise marxista das relações raciais

Diego Ricardo Pacheco. Clóvis Moura e Florestan Fernandes: O protesto escravo na derrocada do sistema escravista nas obras Rebeliões da senzala e brancos e negros em São Paulo

Diorge Alceno Konrad. Clóvis Moura: 5 anos sem o “pensador quilombola”

Diorge Alceno Konrad. Na senzala a resistência, no quilombo a liberdade: a obra de Clóvis Moura

Encarte especial da Revista Princípios (textos de Augusto Buonicore, Clóvis Moura, Martiniano J. Silva, José Carlos Ruy, Soraya Moura e Edson França)

Érika Mesquita. Clóvis Moura (1925-2003)

Érika Mesquita. Clóvis Moura e a sociologia da práxis

Érika Mesquita. Clóvis Moura: uma visão crítica da história social brasileira

Fábio Nogueira de Oliveira. Clóvis Moura e a sociologia da práxis negra

Fábio Nogueira de Oliveira. Modernidade, política e práxis negra no pensamento de Clóvis Moura

GT Clóvis Moura. Quem foi Clóvis Moura?

Gustavo Orsolon de Souza. Clóvis Moura e o livro Rebeliões da Senzala: um breve panorama sobre o debate da resistência escrava

Gustavo Orsolon de Souza. “Rebeliões da senzala”: diálogos, memória e legado de um intelectual brasileiro.

João Baptista Jorge Pereira. O último legado de Clóvis Moura

José Carlos Ruy. Clóvis Moura investigava o passado histórico para melhor compreender as lutas do presente

José Carlos Ruy. Um intelectual marxista engajado e generoso

José Carlos Ruy. Um clássico sobre a luta de classes no Brasil

José Maria Vieira de Andrade. Cidadania e questões raciais na produção intelectual de Clóvis Moura, na segunda metade do século XX

José Maria Vieira de Andrade. Clovis Moura, engajamento, escrita e crítica literária

Karin Sant’Anna Kössling. As lutas anti-racistas de afro-descendentes sob vigilância do DEOPS/SP (1964-1983)

Márcio Farias. Pensamento social e relações raciais no brasil: convergências e divergências nas obras de Clóvis Moura e Octavio Ianni

Márcio Farias. Classe e raça no pensamento de Clóvis Moura

Mário Maestri. Brasil: A visão germinal de Clóvis Moura

Mário Maestri. Dez anos sem Clóvis Moura

Mário Maestri. Silêncio, Marginalização, Superação e Restauração. O Cativo Negro na Historiografia Brasileira

Talita dos Santos Molina. Clóvis Moura. Vida intelectual e arquivo pessoal (1925-2003)

Walber Monteiro. Clóvis Moura e sua visão sobre o negro na dinâmica da luta de classes no Brasil

Weber Lopes Góes e Renato Pereira Correia. Clóvis Moura: delineamentos gerais para a superação do racismo à brasileira

Vídeos:

Dialética radical do negro brasileiro – debate

O pensamento radical de Clóvis Moura – debate

Vida e obra de Clóvis Moura (parte 1)

Vida e obra de Clóvis Moura (parte 2)

Áudio:

Clóvis Moura: um pensador das raízes da opressão no Brasil (por Soraya Moura)

 

 

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Heleieth Saffioti: marxismo, gênero e feminismo

saffioti

Com muita satisfação, apresentamos, neste 8 de março de 2016, o dossiê “Heleieth Saffioti”. Coordenado por Danilo Enrico Martuscelli, do Comitê editorial de marxismo21, o dossiê traz um extenso e rigoroso conjunto  de textos da autora símbolo da resistência feminina no pais, seja no plano das lutas políticas, seja no plano das lutas ideológicas e teóricas.

marxismo21, blog que divulga a produção teórica marxista no Brasil contemporâneo, não poderia deixar de fazer esta homenagem à autora que, no campo das ciências sociais no Brasil, representa uma inovação nos estudos sobre as questões de gênero, valorizando a importância da discussão sobre as lutas femininas, sem dissociá-las da polêmica questão da luta de classes no capitalismo contemporâneo.

Desde janeiro de 2013, quando publicou o dossiê “marxismo e feminismo” – organizado à época por Angélica Lovatto e Paulo Barsotti -, marxismo21 dá ênfase ao tema. O dossiê tem sido republicado nos dias 8 de março de cada ano, sendo sempre muito acessado e com um elevado número de download dos textos ali inseridos. No conjunto bibliográfico selecionado, encontravam-se também – como não podia deixar de ser – muitos textos de Heleieth Saffioti, inclusive a disponibilização de um dossiê sobre a autora, publicado pela revista Lutas Sociais, n.27.

Mas já era hora de ser organizado um dossiê específico sobre Heleieth Saffioti. Nele, o leitor(a) poderá acessar seus livros, artigos, entrevistas, além de documentos e trabalhos produzidos sobre a obra da autora, muitos deles de difícil acesso em nossos acervos acadêmicos.

A Editoria é grata a Angélica Lovatto (Unesp) e Renata Gonçalves (Unifesp) pela organização do dossiê que contou também com a valiosa colaboração de estudiosos da obra da autora e da problemática do feminismo. Agradecidos somos, pois, a Juliane Furno, Luciana Camargo Bueno, Maira Abreu, Maria Antônia Cardoso Nascimento, Maria Aparecida de Moraes Silva, Raphael Baptista e Rodrigo Duarte Fernandes dos Passos.

Editoria

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Heleieth Saffioti e o marxismo feminista

Renata Gonçalves

Neste 8 de março de 2016, o blog marxismo21 nos presenteia com a divulgação de grande parte da obra da socióloga feminista marxista Heleieth Saffioti. Eis um belo convite à reflexão sobre a origem do próprio Dia Internacional da Mulher. Longe de um simples evento de mercado em que se ganham flores e presentes, o 8 de março foi dedicado à luta dos movimentos de mulheres em todo o mundo. marxismo21 nos repõe o desafio para refazermos o vínculo entre as lutas pelo fim da desigualdade entre os sexos e pela transformação social, que nem sempre se manteve tão íntegro.

Com imensa criatividade teórica, Saffioti deu pistas para a reconstrução deste fio. Em condições muito desfavoráveis, ajudou a colocar, em novos termos, o marxismo no interior da luta das mulheres e vice-versa. Daí a importância de seu primeiro grande livro, A mulher na sociedade de classes.

Fruto do que deveria ter sido sua tese de doutorado, a publicação do livro resultou de muitas ousadias. A começar pela aventura de escrever sobre um tema pouco aceito, num ambiente predominantemente masculino, com um referencial teórico marxista, durante uma ditadura militar. A escassez era grande: pouquíssima literatura feminista, ausência de fontes organizadas sobre a condição feminina no país e carência bibliográfica acerca dos referenciais teóricos.

Era 1967, Heleieth já alçava voos como docente da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara (FFCLA), da hoje Universidade Estadual Paulista. Com aspirações socialistas e rodeada de comunistas, tinha consciência do incômodo que causava. Tamanhas foram as pressões no interior da Faculdade que, para preservar sua orientanda, Florestan Fernandes a encaminhou diretamente para a livre-docência. Em pouco tempo, a tese virou livro e o livro ganhou o mundo.

Publicado pela primeira vez em 1969, A mulher na sociedade de classes não teve inicialmente grande repercussão no Brasil. Eram ainda incipientes os estudos e movimentos feministas no país, que ganhariam corpo no calor do combate à ditadura militar e com as contribuições da Segunda Onda feminista que crescia na Europa e nos Estados Unidos. O livro publicado em inglês, em 1978, pela Monthly Review colocou em evidência o pioneirismo de Heleieth Saffioti: a primeira mulher na América Latina a escrever sobre a condição feminina na perspectiva da transformação social. A repercussão incluiu muitas críticas: ser marxista demais, ser feminista de menos e vice-versa. ler mais

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I. Livros:

A mulher na sociedade de classes: mito e realidade

Do artesanal ao industrial: a exploração da mulher – um estudo de operárias têxteis e de confecções no Brasil e nos Estados Unidos

Emprego doméstico e capitalismo – tomo 1 (1978)

Emprego doméstico e capitalismo – tomo 2 (1979)

Gênero, patriarcado, violência

Mulher brasileira é assim (co-organizadora Monica Muñoz-Vargas)

O poder do macho

Violência de gênero: poder e impotência

Women in class society

II. Artigos:

A discriminação de gênero e as diversas formas de violência contra a mulher

A exploração sexual de meninas e adolescentes: aspectos históricos e conceituais

A mulher e as contradições do capitalismo agrário (coautoria com Vera L. S. B. Ferrante)

A mulher sob o modo de produção capitalista

A questão da mulher na perspectiva socialista

A vida privada de pessoas públicas: Clinton vs. Lewinsky

Abuso sexual pai-filha

Brasil: violência, poder e impunidade (coautoria com Suely Souza de Almeida)

Circuito fechado: abuso sexual incestuoso

Conceituando o gênero

Considerações sobre o fenômeno urbano no Brasil (coautoria com Maria das Graças Grossi Ackermann)

Contribuições feministas para o estudo da violência de gênero

Contributions féministes pour l’étude de la violence (dans les rapports sociaux) de genre

Da casa para a “rua”: a caminhada das mulheres bóias-frias (coautoria com Vera L. S. B. Ferrante)

Diferença ou indiferença: gênero, raça/etnia, classe social

Enfim, sós Brasil rumo a Pequim

Famílias rurais no Estado de São Paulo: algumas dimensões da vida feminina (coautoria com Vera Lúcia Silveira Botta Ferrante)

Força de trabalho feminina no Brasil: no interior das cifras

Gênero e patriarcado

Grande perda para a sociologia brasileira (homenagem a Luiz Pereira)

Incesto versus abuso incestuoso ou amor versus violência

Já se mete a colher em briga de marido e mulher

Movimentos sociais: face feminina

Novas perspectivas metodológicas de investigação das relações de gênero

O estatuto teórico da violência de gênero

O fardo das brasileiras – de mal a pior

O segundo sexo à luz das teorias feministas contemporâneas

O trabalho da mulher no Brasil

Ontogênese e filogênese do gênero

Política agrícola no Brasil contemporâneo e suas consequências para a força de trabalho feminina

Primórdios do conceito de gênero

Quantos sexos? Quantos gêneros? Unissexo/Unigênero?

Quem tem medo dos esquemas patriarcais de pensamento?

Rearticulando gênero e classe social

Relações de gênero: violência masculina contra a mulher

Reminiscências, releituras, reconceituações

Ser ou estar sociólogo

Subjetividad

The social position of women

Trabalho feminino e capitalismo

Violence sexuelle et prostitution au Brésil contemporain

Violência contra a mulher e violência doméstica

Violência de gênero no Brasil atual

Violência de gênero: o lugar da práxis na construção da subjetividade

Violência doméstica ou a lógica do galinheiro

Violência doméstica: questão de polícia e da sociedade

Violência estrutural e de gênero – mulher gosta de apanhar?

Women, Mode of Production, and Social Formations

III. Prefácios

Prefácio da obra Errantes do fim do século, de Maria Aparecida de Moraes Silva

Prefácio da obra O “bóia-fria”: acumulação e miséria, de Maria Conceição D’Incao e Mello

Um prefácio diferente, mas nem tanto da obra Mulheres espancadas: violência denunciada, de Maria Amélia Azevedo

IV. Entrevistas:

Entrevista com Heleieth Saffioti (entrevistada por Juliana Cavilha Mendes e Simone Becker)

Heleieth Saffioti por ela mesma: antecedentes de “A mulher na sociedade de classes (entrevistada por Renata Gonçalves e Carolina Branco)

SAFFIOTI, Heleieth (Entrevistada por Natalia Pietra Méndez)

IV. Documentos:

Noticiário do campus de Araraquara

V. Textos sobre Heleieth Saffioti

Albenício Lourenço da Silva e Marta Rosenaide Lucena. Gênero e emancipação humana: uma reflexão sócio-cultural

Albertina de Oliveira Costa e Cristina Bruschini. Uma contribuição ímpar: Os Cadernos de Pesquisa e a consolidação dos estudos de gênero

Angélica Lovatto. Desvendando O poder do macho: um encontro com Heleieth Saffioti

Barbara Celarent. Women in Class Society (resenha)

Bila Sorj. Dois olhares sobre Heleieth Saffioti: o feminismo adentra a academia

Céli Regina Jardim Pinto. O feminismo bem-comportado de Heleieth Saffioti (presença do marxismo)

Elaine Bezerra. A originalidade do pensamento de Heleieth Safifoti na análise crítica sobre a condição da mulher na sociedade capitalista (resenha)

Estudos Feministas. Nota de falecimento: Heleieth Saffioti (1934-2010)

Fabrícia F. Pimenta. Resenha do livro Gênero, Patriarcado, Violência, de Heleieth Saffioti

Fernanda Pompeu. Heleieth Saffioti (Brasileiras guerreiras da paz – projeto 1000 mulheres)

Joana Maria Pedro, Soraia Carolina de Mello, Veridiana Bertelli Ferreira de Oliveira. O feminismo marxista e o trabalho doméstico: discutindo com Heleieth Saffioti e Zuleika Alambert

Leila de Menezes Stein, Mariana Tonussi Milano, Géssica Trevizan Pera, Janaína Oliveira, Joyce Ancelmo, Beatriz Isola Coutinho. Homenagem a Heleieth Saffioti

Leonardo Nogueira Alves. Relações de gênero e patriarcado: uma contribuição crítica

Lúcio Flávio de Almeida. Heleieth Saffioti!

Luzinete Simões Minella. Heleieth Saffioti, uma pioneira dos estudos feministas no Brasil

Maelly da Silva Veron. Heleieth I. B. Saffiotti (1934-2010): contribuições norteadoras para pesquisa sobre violência doméstica e intrefamiliar contra a mulher

Margareth Rago. As mulheres na historiografia brasileira

Maria Amélia de Almeida Teles. Heleieth, a ousadia do livre pensar feminista ! (1934 – 2010)

Maria Aparecida de Moraes Silva. Uma homenagem a Heleieth Saffioti: minha maior mestra

Mary Garcia Castro. Notas sobre a potencialidade do conceito de patriarcado para um sujeito no feminismo. Contribuições de Heleieth Saffioti- em memória e pelo devir

Natalia Pietra Mendéz. Com a palavra, o segundo sexo: percursos do pensamento intelectual feminista nos anos 1960

Natalia Pietra Mendéz. A “descoberta” do segundo sexo: intelectuais brasileiras e suas aproximações com o feminismo

Olívia Rangel Joffily. Esperança equilibrista. Resistência feminina à ditadura militar no Brasil (1964-1985)

Renata Gonçalves. Heleieth Saffioti e a articulação entre teoria marxista e ideias feministas nas Ciências Sociais

Renata Gonçalves. O feminismo marxista de Heleieth Saffioti

Rohrlich-Leavitt Ruby. H.I.B. Saffioti, Women in Class Society (Resenha)

VI. Vídeos

A mulher na sociedade de classes hoje: redescobrindo Heleieth Saffioti

Homenagem a Heleieth Saffioti

Lançamento de A mulher na sociedade de classes, de Heleieth Saffioti

Mesa redonda: o legado das feministas que se foram: Bel, Cuca, Cristina, Heleieth e Karin

Irmão de Heleieth Saffioti durante lançamento de A mulher na sociedade de classes

 

 

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Marialice Foracchi

Neste breve dossiê são examinadas algumas contribuições de Marialice Mencarini Foracchi (1929-1972) – docente de Sociologia da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP – sobre a problemática da juventude, da condição estudantil e das lutas sociais e políticas dos marginalizados nas sociedades de classes. Nas palavras da organizadora do dossiê, “reconhecer Foracchi como grande intérprete da sociedade brasileira significa dar voz à presença, também marginalizada, da mulher na Universidade, tornando-se, além de um reconhecimento acadêmico, um ato político”. Somos gratos a Tatiana Gomes Martins, organizadora do dossiê e à colaboração de Nilson Weisheimer.

Editoria

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Marialice Mencarini Foracchi: uma Sociologia do protagonismo social.

Tatiana Gomes Martins

Você é contra a juventude? Esse é o título de um artigo de Marialice Mencarini Foracchi publicado na Revista Claudia no ano de 1968, conhecido como paradigma de transformação cultural e comportamental. Nesse quadro de ascensão e forte pressão dos movimentos sociais tem-se a presença marcante da juventude que passou a ser alvo de julgamentos e interpretações vindos de diversos setores da sociedade, justificando, em certa medida, a publicação do artigo na revista. Provocativo, o texto desmistifica a ideia da mobilização da juventude como mera “rebeldia” ou “conflito de gerações”, associando o movimento ao quadro de crise vivido pela sociedade brasileira e à ascensão da chamada nova classe média. Desse modo, a socióloga põe em discussão três aspectos essenciais da questão: a) dialoga diretamente com os argumentos que circulavam entre setores tradicionais e conservadores, inclusive na própria Universidade; b) define o movimento estudantil como força e como expressão das desigualdades sociais; c) chama a sociedade brasileira à responsabilidade pela situação conflitante em que esses jovens se encontram. Essa forma de construção analítica é uma característica de Marialice Mencarini Foracchi, levada à cabo pela busca constante por uma compreensão totalizante que permeou o conjunto de seus trabalhos e que resultou em uma rica interpretação sociológica da juventude e do estudante universitário cujo valor é reconhecido até os dias de hoje.

A temática da Juventude e do Estudante Universitário compõe uma particularidade da produção intelectual da socióloga considerada clássica que muito se deve a essa forma de construir e mobilizar sociologicamente o objeto de análise. O estudo em destaque corresponde à Tese de Doutorado de Foracchi, defendida no ano de 1964 e publicada em 1965. Nela, as concepções de família, classe social, trabalho, socialização, ideologia, mobilidade social, entre outras, são articuladas conferindo originalidade à interpretação do alcance social e político do movimento estudantil universitário no início dos anos 1960 e no pós-1968. Além disso, a análise acompanha e enfrenta tensões fundamentais da sociedade brasileira do período, como aquelas que antecedem o Golpe de 1964 e as que se desdobram ao endurecimento do Regime Militar, no final dos anos 1960, o que expressa o interesse da autora em desvendar não apenas o protagonismo, mas, também, o potencial político de transformação social do estudante universitário. Esse interesse pela temática do protagonismo político-social já antecipa a ênfase posterior sobre temática dos Movimentos Sociais que – apesar de incompleta em função da morte prematura da autora – já se releva nas propostas e ementas dos cursos organizados pela autora sobre o tema. Essa tendência também põe em evidência a maneira pela qual a obra da autora acompanhou as mudanças sociais pelas quais passava a sociedade brasileira no pós-1968, sobretudo com o papel que passam a desempenhar os movimentos sociais. ler mais

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I. Livros:

Educação e planejamento (1960)

O Estudante e a Transformação da Sociedade Brasileira (1965)

A juventude na sociedade moderna (1972)

A Participação Social dos Excluídos (1982)

II. Artigos:

El radicalismo vinculado al sistema: condiciones sociales de la politización del estudante brasileño (1966)

1968: El movimiento estudiantil en la sociedad brasileña (1969)

III. Textos sobre a obra e a vida intelectual de Marialice Mencarini Foracchi

Claudinei Carlos Spirandeli. Trajetórias intelectuais: professoras do curso de Ciências Sociais da FFCL-USP (1934-1969)

Fabiano P. Silva. A sociologia brasileira e os primeiros estudos sobre a juventude e o universo estudantil

Laura L. Luciani. Movimiento estudiantil y juventud en Brasil: Una mirada desde la sociología de Marialice Mencarini Foracchi

Lidiane Soares Rodrigues. A produção social do marxismo universitário em São Paulo: mestres, discípulos e um “seminário” (1958-1978)

Maria Helena Oliva Augusto. Retomada de um legado intelectual Marialice Foracchi e a sociologia da juventude

Marina Rebelo Tavares. Juventude ou Classe Social? O Debate Teórico Acerca do Movimento Estudantil

Nilson Weisheimer. Marialice Foracchi e a Formação da Sociologia da Juventude no Brasil

Nilson Weisheimer. O cinquentenário da publicação de “O estudante e a transformação da sociedade brasileira” de Marialice Foracchi

Tatiana Gomes Martins. Educação e desenvolvimento: a sociologia de Marialice Mencarini Foracchi

Tatiana Gomes Martins. Movimento Estudantil, Classe Média e Radicalismo na obra de Marialice Mencarini Foracchi (1929-1972)

IV. Estudos e textos influenciados pela obra de Marialice Mencarini Foracchi

Alessandra Martins dos Reis. O sentido do movimento estudantil contemporâneo pela voz dos estudantes de saúde

Aline Michele Nascimento Augustinho. Revisitando o movimento estudantil de 1968: a trajetória dos estudantes do interior paulista

Claudia Maria Gusson. Movimento estudantil e repressão judicial: o regime militar e a criminalização dos estudantes brasileiros (1964-1979)

Décio Saes. Cara a Cara com Décio Saes (entrevista)

Décio Saes. Raízes sociais e o caráter do movimento estudantil

Flávio Munhoz Sofiati. Religião e juventude: os jovens carismáticos

João Roberto Martins Filho. Movimento estudantil e militarização do Estado no Brasil (1964-1968)

Samir Pérez Mortada. Memória e política: um estudo de psicologia social a partir de depoimentos de militantes estudantis

V. Inventário do acervo da Profa Marialice M. Foracchi

 

 

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marxismo e religião

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   A questão religiosa esteve presente nos estudos e análises desenvolvidos pelo marxismo desde o início, como indicam os trabalhos dos jovens Marx e Engels sobre as relações entre religião, filosofia, política, ideologia e revolução. Apesar da forte presença da questão religiosa nas reflexões dos principais teóricos marxistas, ao longo dos anos o debate sobre o tema foi relativamente subvalorizado por conta de uma interpretação equívoca do legado marx-engelsiano, que concebia o fenômeno religioso como um mero reflexo da dinâmica econômica ou como simples ideologia passadista, destinada ao desaparecimento histórico.

   No entanto, a força social demonstrada pelo fenômeno religioso desde o final do século XX levantou a necessidade de atualização deste componente da tradição marxista, suscitando o aparecimento de novos trabalhos e estimulando o debate entre acadêmicos, estudiosos e militantes. Além disso, ao longo do século XX vários budistas, cristãos, judeus e muçulmanos inspiraram-se em diferentes aspectos da tradição marxiana, construíram projetos políticos emancipatórios nela inspirados e também aproximaram vertentes dessas religiões e vários de seus praticantes de temas do marxismo, bem como dos grupos e partidos políticos de esquerda, inclusive da tradição comunista.

   Por conta disto, marxismo21 busca inserir-se neste processo, apresentando a seus leitores um dossiê sobre marxismo e religião. Somos gratos à relevante colaboração dos pesquisadores Eduardo F. Chagas (UFC) – cujo texto de abertura do dossiê foi especialmente elaborado para o blog –  e Muniz Ferreira (UFRRJ).

Finalmente, observamos que, excepcionalmente, este dossiê publica vários textos em outras línguas além do português e o castelhano na medida em que estes trabalhos são relevantes para a pesquisa marxista sobre a problemática da religião

Os Editores.

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A crítica da religião como crítica da realidade social no pensamento de Karl Marx.

Eduardo Chagas, UFC

   Marx não desenvolveu de maneira detida e sistemática sua crítica à religião, considerando até um problema já amplamente trabalhado por Feuerbach[1], embora tenha dado diversos destaques à relação entre a religião e o capitalismo, tal como fê-lo, meio século depois, Max Weber na associação do protestantismo com o capitalismo em sua obra Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.[2] No entanto, pode-se dizer que Marx esboçou diferentes concepções acerca da religião, tratando dela, tal como da ética, da filosofia, da família, da política, do direito, do Estado etc., como um produto das ideias, das representações teóricas, da consciência utópica, como produção espiritual de um povo, como uma forma social de consciência, pertencente à esfera da superestrutura ideológica[3] (como ideologia religiosa), condicionada, pois, pela produção material, pela estrutura econômica, a base da sociedade, e pelas relações sociais correspondentes. Como Marx diz no Prefácio (Vorwort) à Para a Crítica da Economia Política (Zur Kritik der politischen Ökonomie) (1859):

   “A totalidade das relações de produção constitui a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política e à qual correspondem determinadas formas de consciência social. O modo de produção da vida material condiciona em geral o processo da vida social, política e intelectual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; mas, ao contrário, é o seu ser social que determina a sua consciência. […] Com a transformação da base econômica altera-se, mais ou menos rapidamente, toda a imensa superestrutura. Na consideração de tais transformações é necessário sempre distinguir entre a transformação material – que se pode comprovar de maneira cientificamente rigorosa – das condições econômicas de produção e as formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas, em resumo, as formas ideológicas”.[4]

   Mas, para Marx, como materialista e ateu convicto, a religião ocupa uma posição especial na superestrutura, diferentemente das demais formas ideológicas, a saber, a política, a social e a cultural, na medida em que ela, não na sua dimensão privada, exercida por um indivíduo particular, que só a ele diz respeito, mas na sua dimensão social e política enquanto expressão de alheamento do homem de seu mundo real e de conformação social com esse mundo, corroborando para a “perpetuação” de uma dada sociedade, deve ser suprimida positivamente. Suprimir positivamente a religião significa, de acordo com o meu parecer, negar a religião não na esfera privada, enquanto prática individual, mas na esfera pública, a função social dela.

   O foco de Marx é a crítica ao revestimento religioso, ou seja, a presença da religião, por exemplo, na sociedade civil (como na religião, em que há uma cisão entre a esfera terrena e a esfera celeste, a sociedade civil enquanto esfera do aquém, privada, profana, está em oposição à esfera do além, do “sagrado”, do Estado), no Estado (como um universal sagrado, eterno, uma totalidade, um guardião protetor), no capital (a fé no capital, visto como um grande deus, o deus-capital, o verdadeiro deus, o único deus real e vivo, o deus implacável, o deus sinistro, que faz e desfaz, que cria e destrói, que pode ser conhecido, visto, tocado, cheirado, provado, um deus todo-poderoso, ilimitado, eterno, internacional, universal, presente em todos os locais, manifestado sob diferentes formas), no “milagre” das tecnologias, na mercadoria (as transformações, as encarnações de uma mercadoria em outras), no reino do dinheiro, do ouro (o dinheiro como objeto adorado, venerado, como “a alma” do capitalismo, que move o universo e é mercadoria milagrosa que contém em si outras mercadorias), nos “princípios sagrados, eternos” do trabalho (o trabalho como atividade sagrada, da qual deus compensa)[5], como objetos de adoração, que, embora profanos, laicos, se revestem de religiosidade, se apresentam de forma religiosa, ocultando seus conteúdos. ler mais

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I. Clássicos:

Nota prévia a “A guerra dos camponeses alemães” – Friedrich Engels https://www.marxists.org/portugues/marx/1870/02/11.htm

Contribuição para a história do cristianismo primitivo – Friedrich Engels https://www.marxists.org/portugues/marx/1895/mes/cristianismo.htm

A questão judaica – Karl Marx https://www.marxists.org/portugues/marx/1843/questaojudaica.htm Feuerbach.

Oposição das Concepções Materialista e Idealista. (Capitulo Primeiro de A Ideologia Alemã) –  Karl Marx e Friedrich Engels https://www.marxists.org/portugues/marx/1845/ideologia-alema-oe/index.htm

Sobre a Religião – Karl Marx e Friedrich Engels, http://marxismo21.org/revistas-online/.

Porque crê em Deus a burguesia – Paul Lafargue, https://www.marxists.org/portugues/lafargue/1906/deus/index.htm

O Socialismo e a Religião – V. I. Lênin, http://pcb.org.br/fdr/index.php?option=com_content&view=article&id=36:o-socialismo-e-a-religiao&catid=8:biblioteca-comunista

Textos sobre religião – V. I. Lenin, http://www.communisme-bolchevisme.net/download/Lenine_Textes_sur_la_religion.pdf

O socialismo e as Igrejas – Rosa Luxemburg, https://www.marxists.org/portugues/luxemburgo/1905/mes/igrejas.htm

Origens e fundamentos do cristianismo,  Kautsky, https://pt.scribd.com/doc/140295974/Cristianismo-Kautsky

Acción católica, católicos integrales, jesuitas, modernistas (Cuaderno 20) – Antonio Gramsci. https://bibliophiliaparana.wordpress.com/2011/09/05/gramsci-antonio-cuadernos-de-la-carcel-tomo-vi

II. Debate marxista

Marxism and religion, David Mc Lellan

LeMarxisme et religion – Giulia Acqua, http://quefaire.lautre.net/Marxisme-et-religion

Benjamin e o capitalismo. – Giorgio Agamben, http://www.ihu.unisinos.br/noticias/520057-benjamin-e-o-capitalismo-artigo-de-giorgio-agamben

A Vontade é Livre? Natureza e Ética em Ludwig Feuerbach- Eduardo F. Chagas, http://www.revistadialectus.ufc.br/index.php/RevistaDialectus

A Religião em Feuerbach: Deus não é Deus, mas o Homem e/ou Natureza Divinizados – Eduardo F. Chagas, http://www.revistadialectus.ufc.br/index.php/RevistaDialectus

A crítica de Marx à religião como ilusão e inversão de mundo. – Eduardo F. Chagas, ,https://goo.gl/gVh4Qa

Aspectos do pensamento de Mariátegui e a perspectiva descolonial dos estudos de religião –  Allan da Silva Coelho  file:///C:/Users/marcia/Downloads/Mari%C3%A1tegui%20e%20o%20Estudo%20de%20Religi%C3%A3o%20(1).pdf

Tillich , leitor de Marx. – Eduardo Gross. https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/COR/article/viewFile/1785/1770

Le combat du marxisme contre la religion (dossiê). https://fr.internationalism.org/rint110/religion.htm

Marxisme et religion – Jihane Halsanbe. https://npa2009.org/node/37380

A guerra dos deuses: religião e política na América Latina – Vera Irene Jurkevics, file:///C:/Users/marcia/Downloads/2721-5559-1-PB.pdf

Um olhar crítico: O pensamento de Marx acerca da religião. – Robertino Lopes, http://robertinolopes.blogspot.com.br/2013/01/um-olhar-critico-o-pensamento-de-marx.html

Marx e a religião – Domenico Losurdo, https://www.youtube.com/watch?v=1EArRsjY6Pg

Os mercadores, o templo e a filosofia: Marx e a religiosidade, Mauro Castelo Branco de Moura

Marxismo e religião: ópio do povo? Michael Löwy,  http://www.diarioliberdade.org/mundo/batalha-de-ideias/37025-marxismo-e-religi%C3%A3o-%C3%B3pio-do-povo.html

Marx e Engels como sociólogos da religião – Michael Lowy,  http://www.scielo.br/pdf/ln/n43/a09n43.pdf

Marxisme et religion: Antonio Gramsci  – Michel Löwy,  ftp://ftp2.marxau21.fr/marxau/reserve/ML_marxisme_religion-AG.pdf

Por uma Sociologia marxista da religião: entrevista com Michael Löwy – Deni Alfaro Rubbo e Marcelo Netto Rodrigues

http://www.revistas.usp.br/plural/article/viewFile/102227/100624

Marx e a Religião: Pressupostos Básicos para uma Compreensão da Religião na Obra de Marx. – Francisco Alencar Motta. http://www.revistadialectus.ufc.br/index.php/RevistaDialectus

Marxismo, política e religião de um “marxista convicto e confesso”: Michael Löwy leitor de José Carlos Mariátegui. – Deni Ireneu Alfaro Rubbo, http://www.revistaoutubro.com.br/edicoes/21/out21_09.pdf

Marxismo e religione (dossiê), http://old.marxismo.net/marxismo-e-religione/teoria-marxista/marxismo-e-religione

Marxisme et religion (dossiê), http://www.europe-solidaire.org/spip.php?rubrique907

More than opium: marxism and religion – John Molyneux, http://isj.org.uk/more-than-opium-marxism-and-religion/

A presença de Marx no pensamento religioso de Rubem Alves. – Antônio Vidal Nunes, http://www.abhr.org.br/plura/ojs/index.php/anais/article/viewFile/424/482

Marxismo, ideologia e religião – Antonio Ozaí,  https://antoniozai.wordpress.com/2013/08/10/marxismo-ideologia-e-religiao/

Ludwig Feuerbach e o jovem Marx: a religião e o materialismo antropológico dialético. – Deive Redyson, https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnxyZWxpZ2lhb2VmaWxvc29maWF8Z3g6N2FkYjkzYTE5OWM4YThhOA

O sentido da evolução em Teilhard de Chardin e no materialismo dialéctico.  – Antonio Soares., http://bdigital.ipg.pt/dspace/bitstream/10314/700/1/revista%20N%C2%BA3%20-%20Soares%20%281988%29.pdf

O marxismo e a religião – Alan Woods, http://www.marxist.com/marxismo-religiao-socialismo.htm

Clássicos do marxismo e crítica da religião, Delos B. Mckown,

Do diálogo à causa comum. – Raimundo Santos, http://www.acessa.com/gramsci/?page=visualizar&id=196

Rethinking Marx and religion – A. Toscano, http://www.marxau21.fr/index.php/textes-thematiques/religion/5-rethinking-marx-and-religion

Les fondements de la théorie marxiste sur la question religieuse – sem autoria, http://www.leftcommunism.org/spip.php?page=imprimer&id_article=270&lang=fr

III. Marxismo e cristianismo

Crítica à crítica marxista do cristianismo – Abílio Tadeu Arruda, http://fathel.com.br/revista/wp-content/uploads/downloads/2010/12/critica_a_critica_arruda.pdf

Avaliação Crítica de alguns Conceitos elaborados pelos Intelectuais da Doutrina Social – Adriana Gilioli Citino. file:///C:/Users/marcia/Downloads/ARTIGO%20REVIS%C3%83O%20DE%20DOCUMENTOS%20(1).pdf

A Igreja Católica na Assembléia Nacional Constituinte de 1933/1934 – Adriana Gilioli Citino, file:///C:/Users/marcia/Downloads/artigo%20Adriana%20Gilioli%20Citino%20(1).pdf

El marxismo em los CPS – Cristianos por el Socialismo. – Antonio Moreno de la Fuente, http://www.cristianosporelsocialismo.org/Archivos/DOCUMENTO%2038.doc

O catolicismo latino-americano radicalizado – Michael Lowy,  http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141989000100005

A ética católica e o espírito do anticapitalismo – Michael Lowy,  https://www.youtube.com/watch?v=XP-rUaV4kfg

Marxismo e cristianismo na América Latina  – Michael Lowy, http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-64451989000400002

A Igreja Católica e os Movimentos Sociais do Campo: a Teologia da Libertação e o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra – Antonio Julio Menezes Neto, http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-49792007000200010

Teologia da Libertação: revolução e reação interiorizadas na Igreja – Sandro Ramon Ferreira da Silva, http://www.historia.uff.br/stricto/td/924.pdf

A Teologia da Libertação no Brasil: Aspectos de uma crítica político-teológica à sociedade capitalista. – Claudete Gomes Soares., http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=vtls000210321&fd=y

Religião e Juventude: os jovens carismáticos – Flávio Munhoz Sofiati., http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-05022010-175056/pt-br.php

Elementos sócio-históricos da Renovação Carismática Católica – Flávio Munhoz Sofiati, https://www.metodista.br/revistas/revistas-ims/index.php/ER/article/viewFile/1528/1554

Gramsci e as tendências orgânicas do catolicismo brasileiro. – Flavio Munhoz Sofiati, http://portal.anpocs.org/portal/index.php?option=com_docman&task=doc_view&gid=2150&Itemid=229

A historiografia da teologia da libertação na América Latina e a questão dos pares assimétricos – Mairon Escorsi Valério, http://www.periodicos.ufgd.edu.br/index.php/FRONTEIRAS/article/viewFile/1729/1512

Marx e o Cristianismo – Henrique C. de Lima Vaz S. J., https://goo.gl/hQg4Zr

Origens da Teologia da Libertação, Marco Antonio Mitidiero Junior

A Teologia da Libertação e a opção preferencial pelos pobres na América Latina – Camila Follegati Zanini, Marcus Baccega, Rafael Balan Zappia, http://www.seer.ufu.br/index.php/historiaperspectivas/article/view/19361

Acción católica, católicos integrales, jesuitas, modernistas (Cuaderno 20) – Antonio Gramsci, https://bibliophiliaparana.wordpress.com/2011/09/05/gramsci-antonio-cuadernos-de-la-carcel-tomo-vi/

Darwin, caixas pretas e o retorno do criacionismo, Maurício Vieira Martins

Sociologia da ciência e o embate entre criacionistas e evolucionistas, Maurício Vieira Martins

IV. Marxismo e budismo

 Occupy Budhism: Or Why the Dalai Lama is a Marxist – Stuart Smithers, http://www.tricycle.com/web-exclusive/occupy-buddhism

The Buddha’s Jatakas and Karl Marx’s Volumes on Capital – Towards an authentic perspective of Buddhist Economics for ASEAN

Dalai Lama´s a marxist-budhism – Ed Halliwell, http://www.theguardian.com/commentisfree/belief/2011/jun/20/dalai-lama-marxist-buddhism

A Blueprint for Buddhist Revolution: The Radical Buddhism of Seno’o Girō (1889–1961) and the Youth League for Revitalizing Buddhism – James Mark Shields, http://www.jstor.org/stable/23343743

Buddhism and Marxism in Taiwan: Lin Qiuwu´s Religious Socialism and Its Legacy in Modern Times – Charles B. Jones, http://www.globalbuddhism.org/jgb/index.php/jgb/article/download/17/23

Can you be marxist and budhist? – Michael Slotthttp://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/14639947.2011.610640

The Relation with China’s Native Cultures: A Comparison Between Marxism and Buddhism – Yao Hongyue, http://en.cnki.com.cn/Article_en/CJFDTOTAL-CQGS201201015.htm

The Localization of Buddhism as a Source of Inspiration for the Localization of Marxism in China – Xiao Li-bin,  http://en.cnki.com.cn/Article_en/CJFDTOTAL-YWHL201101020.htm

V. Marxismo e zen-budismo

Popularization of Marxism as informed by the massification of Buddhism – Yao Hongyue, http://en.cnki.com.cn/Article_en/CJFDTOTAL-WHKS201104009.htm

On Zen marxism, https://www.jstor.org/action/showLogin?redirectUri=/action/showRegistrationUpdate

Zen Marxism – Paul Shackley,  http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/14639940108573748?journalCode=rcbh20#.VlxiGHarTIU

VI. Marxismo e islamismo

 Islamophobie: le véritable point de vue des marxistes sur la religion – Pierre Tevanian, http://www.michelcollon.info/Interview-avec-Pierre-Tevanian-Le.html?lang=fr

Political Islam: a marxist analysis (Parte 1) – Deepa Kumar, http://isreview.org/issue/76/political-islam-marxist-analysis

Political Islam: a marxist analysis (Parte 2) – Deepa Kumar, http://isreview.org/issue/78/political-islam-marxist-analysis

Marxism and Islam, http://en.internationalism.org/icconline/201207/5032/marxism-islam

Shariati and Marx: A Critique of an “Islamic” Critique of Marxism – Assef Bayat, https://openaccess.leidenuniv.nl/bitstream/handle/1887/9774/12_606_015.pdf?sequence=1

Marxism in islamic South Yemen – Michael G. Russel, http://www.dtic.mil/dtic/tr/fulltext/u2/a215991.pdf

Socialists’ attitude to religion and to political Islam: the 2013 controversy (dossiê), http://www.workersliberty.org/story/2013/11/18/socialists-attitude-religion-and-political-islam-2013-controversy

Marxism and Shi´ism – Bilal Ahmedhttp://souciant.com/2014/02/marxism-and-shiism/

Marxism, Modernity, and Revolution: The Asian Experience, www.springer.com/…/9783319097398-c1.pdf

Le marxisme et l´Islam (essai de bibliographie) – Jean-Paul Charnay, http://www.persee.fr/doc/assr_0003-9659_1960_num_10_1_2701

Marx, Lenine, les bolcheviks et l´Islam – Bruno Drweski, http://www.michelcollon.info/Marx-Lenine-les-bolcheviks-et-l.html?lang=fr

Marxisme et monde musulman – Maxime Rodinson, https://www.monde-diplomatique.fr/1972/11/CHALIAND/31213

Vários textos de M. Rodinson sobre religiões e marxismo: 

VII. Marxismo e judaísmo

Karl Marx, Abram Leon and the Jewish Question: a reappraisal – John Rose, http://isj.org.uk/karl-marx-abram-leon-and-the-jewish-question-a-reappraisal/

Jews, Marxism and the Worker’s Movement (dossiê), https://www.marxists.org/subject/jewish/

VIII. Vídeos:

A ética católica e o espírito do anticapitalismo. Michael Lowy, https://www.youtube.com/watch?v=XP-rUaV4kfg

Sobre a questão judaica – Arlene Clemesha, https://www.youtube.com/watch?v=qkEorztMlmg

 Vídeo-aulas de Michael Löwy sobre Marxismo e religião:

Aula 1: Apresentação (Michael Lowy)

https://www.youtube.com/watch?v=oFY_poT0X6U

Aula 2: Engels como sociólogo da religião (Michael Lowy)

https://www.youtube.com/watch?v=cXzd57sYOg4

Aula 3: Walter Benjamin e o capitalismo como religião (Michael Lowy)

https://www.youtube.com/watch?v=gPsLrvhO3TE

Aula 4: Gramsci, sociólogo da religião (Michael Lowy)

https://www.youtube.com/watch?v=0vOGttCtLwo

Aula 5: Ernst Bloch, a religião como utopia (Michael Lowy)

https://www.youtube.com/watch?v=cPAuCC2f_Js

Aula 6: E. P. Thompson: a religião dos operários (Michael Lowy)

https://www.youtube.com/watch?v=JAT6sKq1RnU

Aula 7: Hobsbawm e a sociologia do milenarismo camponês (Michael Lowy)

https://www.youtube.com/watch?v=CbByx_0AY6Y

 

 

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marxismo, linguagem e discurso

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Alexander Rodchenko (1891-1956)

O ensaio abaixo examina a problemática teórica e os objetivos do dossiê “marxismo, linguagem e discurso”. No decorrer do texto, o autor justifica a ordenação do extenso material que consta do dossiê.

Somos gratos a Rodrigo Oliveira Fonseca (UFSB) por este valioso e qualificado trabalho de pesquisa que teve a colaboração de Ana Zandwais (UFRGS), Florence Carboni (UFRGS), Helson Fávio da Silva Sobrinho (UFAL), Maria Virgínia Borges Amaral (UFAL) e Mónica Zoppi-Fontana (Unicamp).

Editoria / Outubro de 2015

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Marxismo, linguagem e discurso

Rodrigo Oliveira Fonseca (UFSB)

Apresentação

Há tempos as classes dominantes dispõem de uma considerável clareza acerca do papel exercido pela língua nos processos de assujeitamento. Nesse sentido, é elucidativa uma passagem do texto de instituição do Diretório dos Índios, de 1755, que diz o seguinte:

Sempre foi máxima inalteradamente praticada em todas as nações que conquistaram novos Domínios introduzir logo nos Povos conquistados seu próprio idioma, […] um dos meios mais eficazes para desterrar dos Povos rústicos a barbaridade de seus antigos costumes; e ter mostrado a experiência que ao mesmo passo que se introduz neles o uso da Língua do príncipe que os conquistou, se lhes radica também o afeto, a veneração, e a obediência ao mesmo Príncipe.

É justamente no século XVIII, com a reconfiguração e centralização do domínio português no continente americano (com destaque para as reformas pombalinas), que a diversidade linguística existente começa a ser estrategicamente combatida, incluindo-se aí a língua tupi (a “língua geral” paulista), gramatizada no final do século XVI pelo padre Anchieta visando a evangelização dos indígenas e a sobrevivência dos enclaves europeus, como também o quimbundo, proveniente de Angola e gramatizado na Bahia pelo padre Pedro Dias no final do XVII com vistas a facilitar o assujeitamento dos africanos escravizados[1]. Por certo e por sorte, a imposição e manutenção de uma língua do Estado não é apenas uma forma de radicar afeto, veneração e obediência às classes dominantes, permitindo também intercâmbios, aquisições e resistências simbólicas variadas dos dominados, como a possibilidade de simular, confundir, ofender e ridicularizar o dominante em sua própria língua!

O ideal do monolinguismo no Brasil chegou pela imposição de uma língua imaginariamente fechada e unitária que asseguraria a integridade dos vastos povos e territórios na América enlaçados nos domínios lusitanos. Esquecidos os propósitos originais, esse imaginário sobre a língua segue servindo na luta das classes dominantes contra os modos de falar das maiorias, em prol de seu silenciamento, e, mais recentemente, como elemento ideológico e político do sub-imperialismo brasileiro, supostamente preocupado com os estrangeirismos e uma presumida desvalorização de nossa língua[2].

Esse fenômeno não é uma peculiaridade da formação social brasileira, e não por acaso, em Sobre o Marxismo em Linguística, Josef Stálin (1950) afirma que a língua russa (como a ucraniana, a tártara, a bielorrussa etc.) não teria sofrido nenhuma modificação séria com o desenrolar do processo revolucionário. Françoise Gadet e Michel Pêcheux (em A língua inatingível, de 1981) mostram que tanto a revolução de 1789 quanto a de 1917 implicaram em profundas transformações nas línguas efetivamente faladas na França e na Rússia. Quando as massas em revolução “tomam a palavra”, passando a falar em seu próprio nome, uma profusão de neologismos e transformações sintáticas induzem na língua uma mexida comparável àquela que os poetas realizam, ainda que em menor proporção.

Na Rússia, os novos funcionamentos linguísticos desencadeados pela proliferação de formas metafóricas, slogans, palavras de ordem, siglas, jogos de palavras,… tudo isso foi sendo paulatinamente freado e domesticado em meio à burocratização e às seguidas “depurações ideológicas” do processo revolucionário: “O pássaro de fogo caiu no quotidiano dos utensílios de cozinha”, escreveu Maïakovski, que, assim como os jovens poetas Blok, Khlebnikov e Essenin, e o escritor Zamiatin, não viveria o suficiente para ver o desfecho da revolução nos anos 1930. A partir daí advém um processo de despolitização das artes (e da sociedade), que dará vazão a uma espécie de neo-classicismo proletário, em que a emoção psicológica, o pitoresco simbólico e o realismo reaparecem, agora pintados de vermelho (Gadet e Pêcheux, op.cit., p. 88). Eliminadas, em tese, a burguesia e a exploração, erigido um Estado de todo o povo, vivendo-se em uma ordem social sem classes hostis e sem contradições (no máximo, “dificuldades de organização”), a revolução poderia então vir de cima segundo Stálin. ler mais

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  1. Textos diversos sobre marxismo e linguagem

Ana Zandwais. Contribuições de teorias de vertente marxista para os estudos da linguagem.

Carlos Henrique Escobar. Introdução ao livro Semiologia e linguística hoje.

Florence Carboni e Mário Maestri. A Linguagem Escravizada

Maurício José d’Escragnolle Cardoso. Sobre a teoria do valor em Saussure, Marx e Lacan.

Nelson Barros da Costa. Contribuições do Marxismo para uma Teoria Crítica da Linguagem

Nildo Viana. Discurso e Poder  

________, Linguagem, poder e relações internacionais.

Sírio Possenti. Resenha de Linguística Chomskyana e ideologia social.

Adam Schaff. A gramática generativa e a concepção das ideias inatas.

Adam Schaff. Lenguage y Conocimiento.

Eliseo Verón. Ideología y comunicación de masas: La semantización de la violencia política.

_________,  Semiosis de lo ideológico y del poder.

_________, Discurso-Ideologia e Sociedade

Ferruccio Rossi-Landi. A linguagem como trabalho e como mercado

Françoise Gadet. 1977: Em Torno de Um Momento-chave do Surgimento da Sociolinguística na França

Jean-Pierre Faye. La crítica del lenguage y su economia.

Jean-Pierre Faye. Introdução às Linguagens Totalitárias.

Julia Kristeva. As epistemologias da linguística.

Paul Lafargue. La langue française avant et après la Révolution.

Serge Latouche. Linguística e economia política.

Trân Duc Thao. Estudos sobre a origem da consciência e da linguagem

construtivismo-russo20

Alexander Rodchenko

II. Os estudos de linguagem na União Soviética e o Círculo de Bakhtin  

Ana Zandwais. Formas de apropriação de concepções de Bakhtin/Volochinov por estudos acadêmicos europeus contemporâneos 

Ana Zandwais. O funcionamento da subjetividade: um contraponto entre estudos comparatistas e a filosofia da linguagem russo-soviética. 

Ana Zandwais. O papel das leituras engajadas em Marxismo e Filosofia da Linguagem. http://conexaoletrasufrgs.com/04/AnaZandwais.pdf

Claudiana Narzetti. A filosofia da linguagem de V. Voloshinov e o conceito de ideologia. 

Florence Carboni. Para além do espelho: os problemas das leituras do Círculo de Bakhtin.v http://www.upf.br/seer/index.php/rd/article/view/485/296

Rodolfo Vianna. Marxismo e filosofia da linguagem à luz d’A ideologia alemã http://revistas.pucsp.br/index.php/bakhtiniana/article/download/3368/2238

Craig Brandist. Le marrisme et l’héritage de la Vôlkerpsychologie dans la linguistique soviétique.

Fréderic François. Bakhtin completamente nu.

Iúri Medviédev e Dária Medviédev. O Círculo de M. M. Bakhtin: sobre a fundamentação de um fenômeno.

Mikhail Bakhtin. Estética da criação verbal 

___________. A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. 

Patrick Seriot. A Sociolingüística Soviética Era Neo-Marxista?

Serguei Tchougounnikov. O Círculo de Bakhtin e o marxismo soviético: uma “aliança ambivalente” 

Stálin. Sobre o Marxismo na  Linguística  https://www.marxists.org/portugues/stalin/1950/06/20.htm

Valentin Voloshinov. El discurso en la vida y el discurso en la poesía   

Valentin Voloshinov. Marxismo e Filosofia da Linguagem  http://minhateca.com.br/Reinaldo210/Documentos/BAKHTIN/BAKHTIN*2c+Mikhail.+Marxismo+e+Filosofia+da+Linguagem,478819399.pdf 

III. Análise do discurso / Michel Pêcheux  

Jaqueline Wesselius e Michel Pêcheux. A respeito do movimento estudantil e das lutas da classe operária: 3 organizações estudantis em 1968.

Françoise Gadet e Tony Hak. Por uma Análise Automática do Discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux.

Michel Fichant e Michel Pêcheux. Sobre a História das Ciências

Michel Pêcheux. Semântica e Discurso.

___________, Sobre a (des-)construção das teorias linguísticas

___________, Há uma via para a linguística fora do logicismo e do sociologismo?

____________, Posição Sindical e Tomada de Partido nas Ciências Humanas e Sociais

_____________, Remontemos de Foucault a Spinoza

_____________, El extraño espejo del análisis de discurso.  http://www.magarinos.com.ar/courtine.htm

______________, Delimitações, inversões e deslocamentos.

______________, Ousar pensar e ousar se revoltar. Ideologia, marxismo, luta de classes. http://scholar.oxy.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1072&context=decalages

______________, Análise do discurso: Michel Pêcheux (textos escolhidos por Eni Orlandi)

_______________, Sobre os contextos epistemológicos da AD http://www.labeurb.unicamp.br/portal/pages/pdf/escritos/Escritos4.pdf

_______________, O Discurso: estrutura ou acontecimento. 

Michel Pêcheux e Françoise Gadet. A língua inatingível

Pêcheux e Henry Haroche. A semântica e o corte saussuriano http://www.letras.ufscar.br/linguasagem/edicao03/traducao_hph.php

Herbert. Observações para uma teoria geral das ideologias.

IV. Confrontos e aproximações entre linhas teóricas

Belmira Magalhães. O sujeito do discurso: um diálogo possível e necessário  http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/Linguagem_Discurso/article/download/247/262

Indursky. Remontando de Pêcheux a Foucault   http://www.ufrgs.br/analisedodiscurso/anaisdosead/1SEAD/Paineis/FredaIndursky.pdf

Gabriela Persio Harrmann. Diálogos possíveis entre o Círculo de Bakhtin e a Análise do Discurso: apontamentos.  http://jararaca.ufsm.br/websites/l&c/download/Artigos11/gabriela.pdf.pdf

Ismael Ferreira-Rosa, Diana Pereira Coelho de Mesquita, Sônia de Fátima Elias Mariano Carvalho. (Re)ler e (res)significar Pêcheux em relação a Althusser  http://seer.fclar.unesp.br/alfa/article/view/4176/3774

Fernando Voss dos Santos. A respeito de Bakhtin e Foucault: aproximações e disparidades entre os conceitos de enunciado.  http://www.letras.ufscar.br/linguasagem/edicao12/art_04.php

Ludmila Mota de Figueiredo Porto e Maria Cristina Hennes Sampaio. Bakhtin e Pêcheux: leitura dialogada  http://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/polifonia/article/viewFile/619/1112

Maria Virgínia Borges Amaral.  Ideologia e discurso: aproximações da análise do discurso das teorias de Lukács e Bakhtin   http://online.unisc.br/seer/index.php/signo/article/view/522/352 

Maria do Socorro Aguiar de Oliveira Cavalcante. O sujeito responsivo / ativo em Bakhtin e Lukács. http://anaisdosead.com.br/2SEAD/SIMPOSIOS/MariaDoSocorroAguiarDeOliveiraCavalcante.pdf

Pedro Guilherme Bombonato. Reflexões sobre ideologia em Pêcheux e Bakhtin http://www.letras.ufscar.br/linguasagem/edicao05/artigoic_ed05_bombonatopgo.php

Renata Silva. Espacialidade em Bakhtin e Pêcheux: semelhanças e dessemelhanças

Vanice Maria Sargentini. Os estudos do discurso e nossas heranças: Bakhtin, Pêcheux e Foucault. http://www.gel.org.br/estudoslinguisticos/edicoesanteriores/4publica-estudos-2006/sistema06/vmos.pdf

Pedro Karczmarczyk. La relevancia de Wittgenstein para una teoría materialista del discurso. https://www.academia.edu/1199591/_La_relevancia_de_Wittgenstein_para_una_teor%C3%ADa_materialista_del_discurso_

Pedro Karczmarczyk. Materialismo, Ideología y Juegos de Lenguage.   https://www.academia.edu/3494290/Materialismo_ideolog           %C3%ADa_y_juegos_de_lenguaje

foto rodchenko

V. Questões sobre a análise do discurso

Ana Cleide Chiarotti Cesário e Ana Maria Chiarotti Almeida. Discurso e ideologia: reflexões no campo do marxismo estrutural 

Ana Zandwais. Como os domínios da filosofia da linguagem e da semântica contribuíram para delimitar o objeto da Análise do Discurso.  http://www.abralin.org/revista/RVE2/2v.pdf

Belmira Magalhães. Ideologia, sujeito e transformação social. 

Claudiana Nair Pothin Narzetti Costa. A formação do projeto teórico de Michel Pêcheux:  de uma teoria geral das ideologias à análise do discurso  http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/93964/narzetti_cnp_me_arafcl.pdf?sequence=1&isAllowed=y

Edmundo Narracci Gasparini. Língua e la langue na análise do discurso de Michel Pêcheux  http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000784368

Eni Orlandi –A Análi se de Discurso em suas diferentes tradições intelectuais: o Brasil

Eni Orlandi. Análise de Discurso: princípios e procedimentos.

Fábio Ramos Barbosa Filho. Althusser, Pêcheux e as estruturas do desconhecimento.

Gílber Martins Duarte. O marxismo revolucionário constitutivo da teoria de Michel Pêcheux  https://socialistalivre.wordpress.com/2013/12/13/o-marxismo-revolucionario-constitutivo-da-teoria-discursiva-de-michel-pecheux-2/

Gisele Toassa, Relações entre comunicação, vivência e discurso em Vigotski: observações introdutórias

__________, Conceito de consciência em Vigotski

Helson Flávio da Silva Sobrinho. Análise do Discurso e a insuportável luta de classes na teoria e na prática.

Helson Flávio da Silva Sobrinho. O Analista de Discurso e a Práxis Sócio-Histórica: um gesto de interpretação materialista e dialético.   http://seer.ufrgs.br/index.php/conexaoletras/article/view/55120

João Marcos Mateus Kowaga. Por uma arqueologia da análise do discurso no Brasil  http://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/100084/kogawa_jmm_dr_arafcl.pdf?sequence=1

Lauro Siqueira Baldini e Mónica Zoppin-Fontana. A Análise do Discurso no Brasil. 

Luciana Nogueira e Mariana Jafet Cestari. Análise de Discurso e militância política 

Luís Fernando Figueira Bulhões. O althusserianismo em linguística. http://repositorio.ufu.br/handle/123456789/3090

Luís Fernando Figueira Bulhões. Há uma via para a Análise de discurso fora da gramaticalização e da desmarxização?  http://anaisdosead.com.br/6SEAD/SIMPOSIOS/HaUmaViaParaAAnalise.pdf

Maria Virgínia Borges Amaral. O marxismo da Análise do Discurso: a teoria materialista/revolucionária de Michel Pêcheux 

Maurício Beck e Phellipe Marcel Esteves. O sujeito e seus modos http://www.seer.ufal.br/index.php/revistaleitura/article/view/1152

Maurício Beck e Amanda Eloina Scherer. As Modalidades Discursivas de Funcionamento Subjetivo e o legado marxista-leninista.   http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/letras/article/view/11986

Mónica Zoppi-Fontana. Objetos paradoxais e ideologia http://www.estudosdalinguagem.org/ojs/index.php/estudosdalinguagem/article/view/8/12

Mónica Zoppi-Fontana. Althusser e Pêcheux, um encontro paradoxal. http://seer.ufrgs.br/index.php/conexaoletras/article/view/55118

Roberto Leiser Baronas. Efeito de sentido de pertencimento à Análise de Discurso http://www.ufrgs.br/analisedodiscurso/anaisdosead/2SEAD/SIMPOSIOS/RobertoLeiserBaronas.pdf

Rodrigo Oliveira Fonseca, Maurício Beck e Phellipe Marcel da Silva Esteves. O marxismo de Michel Pêcheux. http://www.ifch.unicamp.br/formulario_cemarx/selecao/2012/trabalhos/7288_Fonseca_Rodrigo.pdf

Rodrigo Oliveira Fonseca. Michel Pêcheux e a crítica aos recalques da história e da língua

Rodrigo Oliveira Fonseca. Uma pedagogia discursiva contra-hegemônica. 

Suzy Lagazzi. Em torno da prática discursiva materialista

Dossiê El discurso político. Reúne os trabalhos apresentados em um colóquio internacional no México, em 1978, com expoentes da Análise do Discurso: Pêcheux, Guespin, Marcellesi, Verón, Robin e outros.       https://www.dropbox.com/s/n6qa40m3vht3t8c/El%20DISCURSO%20POL%C3%8DTICO%20%20-Mario%20Monteforte%20Toledo.pdf?dl=0

Dossiê Revista Décalages

Dossiê Revista Signo y Seña: Análisis del Discurso en Brasil: teoría y práctica. 

 Jean-Jacques Courtine. O discurso inatingível: marxismo e linguística (1965-1985).  http://pt.scribd.com/doc/268029163/COURTINE-J-J-O-Discurso-Inatingivel-Marxismo-e-Linguistica#scribd

Pedro Karczmarczyk. Discurso y subjetividad. Michel Pêcheux: hacia una teoría de las garantías ideológicas  

Thierry Guilbert. Pêcheux é reconciliável com a Análise do Discurso? http://www.uesc.br/revistas/eidea/revistas/revista4/eidea4-11.pdf

VI. Análises

 Belmira Magalhães. Na fala da vítima o discurso opressor.   http://www.anpoll.org.br/revista/index.php/revista/article/view/490/500

Belmira Magalhães e Helson F. da Silva Sobrinho. Práticas sociais, discurso e arquivo: a mídia e os gestos de leitura subjacentes. 

Fábio Tfouni – Memória e fetichização da mercadoria   http://seer.ufrgs.br/index.php/organon/article/view/30019

Freda Indursky – Lula lá: estrutura e acontecimento  http://seer.ufrgs.br/index.php/organon/article/view/30020/18616

Helson Flávio da Silva Sobrinho. Discurso, velhice e classes sociais: a dinâmica contraditória do dizer agitando as filiações de sentidos na processualidade histórica.  https://www.dropbox.com/sh/lr70wienqxhxuh3/AADwtsWtZ8BHYlohyvPbWF_Da/Discurso%2C%20Velhice%20e%20Classes%20Sociais%20Helson%20Sobrinho.pdf?dl=0

Maria Emília Amarante Torres Lima. A nação e a noção de povo dos discursos de Getúlio Vargas. 

Maria do Socorro Aguiar de Oliveira Cavalcante. Mobilidade do sujeito e dos sentidos no espaço político: processos de identificação/desidentificação http://seer.ufrgs.br/index.php/conexaoletras/article/view/55123/33523

Maria do Socorro Aguiar de Oliveira Cavalcante, Fabiano Duarte Machado
“O rugido das ruas” em 15 de março de 2015, no Brasil: acontecimento, discurso e memória.

Maria Virgínia Borges Amaral. O invisível da responsabilidade social na estrutura polêmica do discurso  

Maria Virgínia Borges Amaral. A unicidade em tempos de guerra: os sentidos dos discursos da gestão empresarial.  

Maria Virgínia Borges Amaral. Evidencias de responsabilidade no discurso do pacto global. 

Mónica Zoppi-Fontana. Identidades (in)formais: contradição, processos de designação e subjetivação na diferença   http://www.seer.ufrgs.br/organon/article/download/30027/18623

Solange Mittmann – Funcionamentos discursivos de saturação e omissão na notícia em rede   http://seer.ufrgs.br/organon/article/view/31364/19482

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ajuste fiscal

ajuste fiscal

O esgotamento do ciclo de crescimento impulsionado pela bolha especulativa internacional instalou definitivamente a crise econômica no Brasil. Seus efeitos devastadores sobre a vida nacional polarizam a luta de classes em torno de uma questão fundamental: como sair da crise? Com o apoio integral da grande mídia, os sacerdotes da ordem bombardeiam a opinião pública com a ideia de que a solução da crise brasileira passa por um draconiano ajuste fiscal. Equiparando a economia política do setor público à economia doméstica das famílias, a sabedoria convencional clama pelo enquadramento do Brasil no regime de austeridade fiscal, cuja essência consiste em buscar o equilíbrio fiscal pelo corte sistemático de gastos públicos, supostamente os responsáveis pela trajetória ascendente da dívida pública.

Os oito textos reunidos neste dossiê – escritos especialmente para o blog – desmistificam a farsa. Eles mostram que o desequilíbrio das contas públicas não está associado ao “excesso” de gasto público, pois, na realidade, o superávit primário – a diferença entre a receita tributária e os gastos com política social e investimentos – foi de cerca de 3% do PIB nos últimos treze anos. Em outras palavras, o Estado brasileiro não fez nenhuma gastança como se apregoa histérica e irresponsavelmente nos meios de comunicação, mas uma expressiva economia de recursos. O rombo nas contas públicas é provocado pelos efeitos perversos das operações monetárias e do setor externo do Banco Central sobre as despesas financeiras do setor público, reforçado pelo próprio movimento endógeno de expansão da dívida determinado pela lógica de capitalização de juros. A dinâmica perversa que explica a expansão da dívida pública, por sua vez, é intrínseca a uma política econômica que subordina o Estado brasileiro aos interesses do grande capital nacional e internacional – o Plano Real. Os autores evidenciam que o verdadeiro objetivo do “arrocho ortodoxo” não é equilibrar as contas públicas – o que seria impossível sem uma substancial desvalorização da dívida pública –, mas assegurar gigantescas transferências de fundos públicos para os capitalistas e, sobretudo, perpetuar a submissão da política econômica à disciplina do capital internacional em tempos de crise. A crítica da visão distorcida e fetichista da crise fiscal e da naturalização do ajuste ortodoxo como remédio inexorável para os problemas da economia brasileira constitui uma importante trincheira da batalha das ideias contra a noção de que “não há alternativa” senão reforçar a marcha insensata que coloca o Brasil na mesma rota que levou à tragédia grega.

Somos gratos a Plínio de Arruda Sampaio Jr., docente do Instituto de Economia da Unicamp e membro do Conselho Consultivo do blog, pela produção do dossiê, inclusive pela autoria deste breve texto de Apresentação.

Difundindo a produção teórica marxista no Brasil, marxismo21 busca também intervir no debate sobre temas e problemáticas relevantes da conjuntura política e social do país.

Editoria / Outubro de 2015

ps. Ao final do dossiê, novos textos serão inseridos após serem avaliados pela Editoria.

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Política de “Ajuste Fiscal e Monetário” em 2015: Antecedentes e Situação Recriada,

Guilherme Delgado

Dívida Pública e Ajuste Fiscal: As Armadilhas do Circuito Fechado do Endividamento

Jean Peres

21 Anos de Plano Real, Sistema da Dívida e Ajuste Fiscal

José Menezes Gomes

Política Econômica e Ajuste Fiscal: A Receita Universal do Capital Financeiro e da Direita

Luiz Filgueiras

Neoliberalismo, Ortodoxia e Ajuste Econômico: Crítica da Economia Política Brasileira

Marcelo Dias Carcanholo

O Ajuste Fiscal Alimenta o Corrupto Sistema da Dívida Pública

Maria Lúcia Fattorelli

Superávit ou Déficit Primário? O Debate Rebaixado

Rodrigo D’Ávila

Descalabro Fiscal ou Luta pela Riqueza

Rúbens Sawaya

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Ajuste fiscal impopular, dívida pública, inflação e a necessidade de reformas populares

Leonardo de Magalhães Leite

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Florestan Fernandes

f fernandes

Florestan Fernandes figura entre os mais destacados marxistas brasileiros, não só por seu rigor teórico e pela abrangência e originalidade de sua obra, mas também por seu compromisso militante com uma ciência social crítica. Ao longo de cinco décadas Florestan Fernandes buscou articular, direta e indiretamente, pesquisa, reflexão e consciência crítica com engajamento politico e social, estabelecendo um diálogo rico e inovador entre o marxismo e outras contribuições teóricas. Como professor, pesquisador, militante e politico profissional Florestan foi um intelectual socialista vinculado às lutas sociais e aos interesses dos “de baixo”, resgatando historicamente a organização social das sociedades indígenas, denunciando a situação social dos negros e despossuídos, analisando a dinâmica, os limites e as contradições do Estado e do capitalismo no Brasil, apontando os desafios e os impasses das lutas sociais em favor de profundas transformações sociais.

Por conta disto, ao se completar vinte anos de seu falecimento, marxismo21 publica um novo dossiê sobre a obra e a trajetória deste rigoroso e radical intelectual, em especial neste momento, em que as ilusões acerca das soluções políticas estritamente institucionais, tantas vezes por ele denunciadas, voltam a ameaçar os trabalhadores.

Os editores são gratos a seus leitores e membros do Conselho Consultivo pelo envio de novos materiais (artigos, trabalhos acadêmicos, entrevistas e vídeos) que ampliam o primeiro dossiê publicado em 2012.

10 de agosto de 2015

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Florestan Fernandes marxista

Antonio Candido

              É significativo e oportuno que seja prestada homenagem a Florestan Fernandes no quadro de um simpósio dedicado a celebrar o centenário da morte de Friedrich Engels, pois Florestan era um marxista convicto, embora não dogmático. Mesmo porque chegou ao marxismo, no curso de um processo intelectual completo, que não anulou, mas incorporou outras linhas teóricas. Basta dizer que ao mesmo tempo em que estudava a obra de Marx, nos anos 40, pautava a sua investigação pelos princípios do positivismo sociológico francês e do funcionalismo anglo-americano. Àquela altura, de um lado traduziu e fez uma sólida introdução à Contribuição à crítica da economia política, de Marx; de outro lado, usou o arsenal teórico do funcionalismo para desvendar a organização social dos tupinambá. Além disso, era militante no grupo trotskista liderado por Hermínio Sacchetta, que tentou em 1945 formar uma frente ampla com o nome de Coligação Democrática Radical, que não deu certo, mas à qual o jovem Florestan dedicou muito esforço durante certo tempo. Diante disso, pode-se perguntar: era um eclético? Não. Em primeiro lugar, notem que estou descrevendo a fase inicial de uma formação que ainda não amadurecera por completo. Em segundo lugar, porque vendo as coisas de hoje percebe-se que estava explorando como socialista linhas teóricas de maneira, por assim dizem paralela, acabando por extrair da sua interação uma visão coerente e flexível. Assim foi que ao cabo de certo número de anos o seu paralelismo teórico chegou ao que se poderia chamar de marxismo enriquecido, que foi a sua fórmula pessoal. Marx também explorou diferentes linhas, por vezes potencialmente conflitantes, com a economia liberal, inclusive a teoria de Ricardo, o radicalismo democrático francês, o materialismo filosófico alemão, e nem por isso foi eclético.

            Florestan Fernandes pode, portanto, ser considerado um marxista de formação lenta e compósita, mas muito pessoal. O seu grande feito sob este aspecto consistiu em fundir harmonicamente o rigor da sociologia acadêmica com a perspectiva politica. Quando chegou a isto, estava pronto o Florestan Fernandes que instituiu no Brasil um novo tipo de sociologia, transformando a sociologia científica neutra em sociologia participante, sem perder nada do rigor metodológico e da objetividade na investigação. Creio que ele foi o primeiro e até hoje o maior praticante no Brasil desse tipo de ciência sociológica, que é ao mesmo tempo arsenal da práxis, fazendo o conhecimento deslizar para acrítica da sociedade e a teoria da sua transformação. O texto continua à p. 58 

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I, Obras de Florestan Fernandes

A função social da guerra na sociedade Tupinamba

A integração do negro na sociedade de classes (vol. I)

Comunidade e Sociedade como entidades típico-ideais

Significado do protesto negro

 Mudanças sociais no Brasil

Capitalismo dependente e classes sociais na América Latina

 Família patriarcal e suas funções econômicas

Padrões de dominação externa na América Latina

 Fundamentos empíricos da explicação sociológica (Parte 1)

 A revolução burguesa no Brasil

O negro no mundo dos brancos

Circuito fechado

Que tipo de República?

Nem federação, nem democracia

Depoimento – Memória viva da educação brasileira

Depoimento – História, histórias

Reflexiones sobre las revoluciones interrompidas

Ciências sociais na ótica do intelectual militante

Democracia e Socialismo

Sobre o trabalho teórico 

Entrevista, Tempo Social, 1993

Depoimento – História, histórias

Depoimento – Memória viva da educação brasileira

Depoimento Sobre Hermínio Sacchetta

Significado Atual de José Carlos Mariátegui

Revolução, um fantasma que não foi esconjurado

Prestes, O Herói Sem Mito

A ciência aplicada e a educação como fatores de mudança cultural provocada

A percepção da Assembleia Nacional Constituinte

Sumário do Curriculum de Florestan Fernandes

florestan2

II. Textos sobre a obra de Florestan Fernandes

Florestan Fernandes: 20 anos depois. Um exercício de memória, Vera Cepêda e  Thiago Mazucato

O intelectual Florestan Fernandes e seus diálogos intelectuais, Vera Cepêda e Thiago Mazucato

Celebrando Florestan Fernandes e a questão da educação brasileira , Amone Inacia Alves

Um breve depoimento, Maria Arminda do Nascimento Arruda

A sociologia de Florestan Fernandes, Maria Arminda do Nascimento Arruda

O mito da burguesia nacional no pensamento de esquerda no Brasil pré-64: a crítica de Caio Prado Junior e Florestan Fernandes, Mabelle Bandoli

Apontamentos sobre a Revolução burguesa em Florestan Fernandes, Gilcilene de Oliveira Barão

A Função Social da Guerra na Sociedade Tupinambá, Paula Beiguelman

Florestan Fernandes e os Sem Terra, Ademar Bogo

O nome verdadeiro, Márcia Camargos

Lembrando Florestan Fernandes, Antonio Candido

Florestan Fernandes: a criação de uma problemática, Miriam Limoeiro-Cardoso

FF e a crítica da economia política desenvolvimentista, Rodrigo Castelo

A “transição transada”. Florestan Fernandes e a democratização 1984-1994), Rodrigo Chagas

Florestan Fernandes e o radicalismo plebeu em Sociologia, Gabriel Cohn

Florestan Fernandes Grande Mestre e Lutador do Povo, Consulta Popular

Marxismo e “imagem do Brasil em FF”, Carlos Nelson Coutinho

Florestan, um intelectual do povo, Glauco Faria

Democracia e educação em Florestan Fernandes , Osmar Fávero (org.).

Vinte anos sem Florestan, Heloísa Fernandes

Florestan e a educação, Heloísa Fernandes

Em busca da universidade pública e popular: a Escola Nacional Florestan Fernandes, Heloisa Fernandes

A atualidade da interpretação sociológica de Florestan Fernandes, Heloisa Fernandes

Florestan Fernandes, Um Sociólogo Socialista , Heloísa Fernandes

As três casas de Florestan Fernandes, Heloísa Fernandes

As chaves do exílio e as portas da esperança, Heloisa Fernandes

Capitalismo selvagem e revolução dentro da ordem, Heloisa Fernandes

Florestan Fernandes: revisitado – Barbara Freitag

A Sociologia de Florestan Fernandes, Octavio Ianni

Florestan Fernandes e a defesa da escola pública, Roberto Leher

A leitura sociológica do folclore paulistano: a contribuição de Florestan Fernandes, Débora Mazza

Capitalismo dependente e reforma universitária consentida, Kátia Regina de Souza Lima

Florestan Fernandes e a contra-revolução Brasileira, Rogério Fernandes Macedo e
Roziane da Silva Cerqueira

Florestan Fernandes e a profissionalização da Sociologia,  Jacob Carlos Lima

Florestan Fernandes e a questão do transformismo na transição democrática brasileira, David Maciel

A revolução burguesa sob o olhar de um socialista revolucionário, Mário Maestri

A Educação segundo Florestan Fernandes, Iziane Andrade Maia

Pensar o capitalismo contemporâneo a partir da obra de FF, Thiago Mandarino

Conceito de integração em Florestan Fernandes, Duarcides Ferreira Mariosa

Florestan Fernandes: a vitalidade de um pensamento político, Paulo Henrique Martinez

Florestan: sociologia e consciência social no Brasil, José de Souza Martins

Florestan Fernandes e a Consolidação das Ciências Sociais no Brasil,  Thiago Pereira da Silva Mazucato

Florestan Fernandes e a consolidação das Ciências Sociais no Brasil , Thiago Pereira da Silva Mazucato e Vera Alves Cepêda

Florestan Fernandes, clássico da interpretação do Brasil, Jaldes Menezes

Florestan Fernandes e o negro: uma interpretação política, Clóvis Moura

Interpretando a Modernização Conservadora: A Imaginação Sociológica Brasileira em Tempos Difíceis, Fernando Perlatto

Florestan Fernandes: Elementos para uma reflexão militante, Adelar Pizetta

O legado de Florestan Fernandes, Adelar Pizetta

Florestan Fernandes: La historia y la sociologia como conciencia, Julio Le Riverend

Indivíduo e sociedade: Florestan Fernandes e Nobert Elias, Marcelo Rosa

Florestan Fernandes, o sociólogo militante, Vladimir Sachetta

Universidade e o papel do intelectual em Florestan Fernandes, Zuleide Silva

A Questão Racial Analisada por Florestan Fernandes, Cleito Pereira dos Santos

Partido Político em Florestan Fernandes, Michael Silva

F. Fernandes e os dilemas intelectuais contemporâneos, Eliane Veras Soares

Florestan Fernandes: Questão Racial e Democracia – Rafael Marchesan Tauil

Sociologia e Socialismo na obra de Florestan Fernandes, Caio N. de Toledo

A questão democrática em Florestan Fernandes, Silvana Tótora

O Retorno dos Ancestrais, ou Alguma Coisa Que Sei Sobre o Florestan dos Antropólogos,  Felipe Vander Velden

III. Trabalhos acadêmicos

Revista Florestan

Florestan Fernandes em questão: um estudo sobre as interpretações de sua sociologia, Diogo Valença Costa

As raízes ideológicas da Sociologia de Florestan Fernandes, Diogo Valença Costa

Florestan Fernandes e a sociologia como críticas dos processos sociais, Duarcides Ferreira Mariosa

Desvendando mitos: as relações entre raça e classe na obra de Florestan Fernandes, Daniele Cordeiro Motta.

A crítica do capitalismo dependente, Plínio Arruda Sampaio Jr.

Capitalismo dependente e (contra) revolução burguesa no Brasil, Carlos Paiva

Florestan Fernandes e Guerreiro Ramos : um debate, Tatiana Martins

Sociologia de F. Fernandes e a questão educacional, Debora Mazza

Florstan Fernandes : pedagogia nova e a centralidade da categoria Revolução, Gilcilene Barão

Florestan Fernandes e a questão da intelectualidade, Tatiana Martins

IV. Vídeos

 “O mestre”, TV Câmara Federal

Entrevista Roda Viva, 1984

Depoimento: “Em defesa do marxismo”1991,  USP

Antonio Candido: homenagem a Florestan Fernandes

“Capitalismo dependente e classes sociais no Brasil

Florestan Fernandes: programa RodaViva, 1994

Pensando com Florestan Fernandes, programa Realidade Brasileira.

Florestan Fernandes e a Escola Paulista de Sociologia

50 Anos de “A Integração do Negro na Sociedade de Classes”

Cordel na Praça da Sé sobre Florestan Fernandes – Evocações na Contramão

Florestan Fernandes e a Escola Paulista de Sociologia

Florestan Ferrnandes comenta Plano Cruzado

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a crise da universidade

imagem 2

A CRISE DO CAPITALISMO E A UNIVERSIDADE, OU A UNIVERSIDADE EM CRISE

Atualmente, as universidades passam por uma importante crise que ameaça a sua existência enquanto espaço privilegiado de produção, reprodução e divulgação do conhecimento em suas diferentes formas e modalidades, especialmente aquele comprometido com o pensamento crítico e com a práxis revolucionária.

Na Europa, nos Estados Unidos, na América Latina e no Brasil, a crise pela qual atravessa o capitalismo impacta o funcionamento das universidades, sejam elas públicas ou privadas, acarretando em dificuldades de financiamento das instituições, das pesquisas nelas realizadas e também dos próprios discentes. Nos EUA, por exemplo, o crescente endividamento dos estudantes universitários para com as instituições financeiras que financiam o pagamento dos cada vez mais caros cursos de graduação cria uma geração de jovens profissionais endividados.

Além disso, o projeto político-econômico neoliberal para a educação e o ensino superior, hegemônico em muitos países, aumentou a inserção da lógica do capital no ambiente universitário, tanto nas universidades privadas como também nas próprias universidades mantidas e financiadas pelo Estado, ampliando o papel das grandes corporações universitárias administradas por fundos de pensão cujo principal objetivo é expandir o máximo possível o capital investido.

No Brasil, o “ajuste fiscal” do governo federal ora em curso cortou parte substancial das precárias verbas das universidades públicas federais, inviabilizando seu pleno funcionamento até o final de 2015, caso se mantenham as atuais condições. Além disso, várias universidades públicas estaduais passam também por sérios problemas de financiamento nesta conjuntura de crise nas contas públicas de diferentes estados da federação. Enquanto isso, o governo federal transfere vultosas verbas públicas para o ensino superior privado, por intermédio do PROUNI, programa que financia as mensalidades dos estudantes matriculados em instituições privadas de ensino superior. Por outro lado, o Projeto de Lei  número 7200/2006 que “estabelece normas gerais da educação superior, regula a educação superior no sistema federal de ensino e altera a lei de diretrizes e bases da educação nacional” tramita vagarosamente há anos no Congresso Nacional sem que tenha sido amplamente debatido nas universidades e nos diferentes setores da sociedade civil brasileira interessados no tema.

As condições de trabalho dos docentes e dos demais profissionais  pioram progressivamente, principalmente devido à precarização das condições de trabalho causada, principalmente, pelo arrocho salarial e pela introdução de ferramentas de avaliação de desempenho que privilegiam a produtividade de viés quantitativo e burocrático. A necessidade dos professores de produzir artigos em profusão e, assim, preencher o notório currículo Lattes produz distorções importantes na produção científica e acadêmica brasileira, muitas das quais anedóticas e até escandalosas.

A greve de estudantes, funcionários e professores de inúmeras universidades federais e estaduais em andamento é uma das consequências dessa crise e uma oportunidade política para a discussão de seus aspectos conjunturais e estruturais.

Esse dossiê procurou compilar textos, vídeos, etc. que contribuem para formar um quadro dinâmico e ampliado da questão da crise universidade brasileira em sua totalidade nacional e internacional;  relacionando-o com a crise em curso das forças produtivas capitalistas e com os projetos para a universidade em andamento, sejam eles das classes dominantes ou aquelas balizadas por projetos anti-hegemônicos. Desse modo, incluímos material em língua estrangeira que ajude a pensar a questão a partir de uma perspectiva internacional, ainda que tendo como referência o caso brasileiro.

Somos gratos à colaboração de Lalo Watanabe Minto (Unicamp), Paulo Denisar Fraga (UNIFAL) e Sebastian Budgen (Historical Materialism).

Editoria

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I) HISTÓRIA DA UNIVERSIDADE E DA EDUCAÇÃO SUPERIOR

 1) Mundo

Jalons pour une histoire transnationale de l´université

Universidade: a ideia e a história, Franklin Leopoldo e Silva

2) Brasil

A Universidade no Brasil: das origens à Reforma Universitária de 1968. Maria de Lourdes de Albuquerque Fávero

A reforma universitária de 1968 e a abertura para o ensino superior privado no Brasil, Carlos Benedito Martins

A reforma universitária de 1968 e as transformações nas instituições de ensino superior, Isa Cristina Barbosa Antunes, Rafael Oliveira da Silva e Tainá da Silva Bandeira

Uma historiografia da reforma universitária de 1968.  Roldão Ribeiro Barbosa e Antônio de Pádua Carvalho Lopes

Lauro de Oliveira Lima: a questão da universidade brasileira na década de 1960,  Vânia de Fátima Matias de Souza, Angela Mara de Barros Lara

A universidade na década de 1960 na visão de Álvaro Vieira Pinto e União Nacional dos Estudantes (UNE), Crislaine de Camargo Titsk

A atualidade do pensamento de Álvaro Vieira Pinto para o debate sobre a reforma universitária no Brasil, Michelle Fernandes Lima

A universidade necessária ao Brasil na década de 1960. A visão de Roque S. M. de Barros, Michelle F. Lima

O movimento civil-militar de 1964 e os intelectuais. José Luís Sanfelice

Incríveis legados da “reforma universitária” de 1968. Lalo Watanabe Minto e César Augusto Minto

A educação da “miséria”: particularidade capitalista e educação superior no |Brasil , Lalo Watanabe Minto

 II) REALIDADE E CRISE DA UNIVERSIDADE CONTEMPORÂNEA

“Grandes grupos econômicos estão ditando a formação de crianças e jovens brasileiros”. Entrevista com o atual reitor da UFRJ Roberto Leher.

“Situação financeira da UFRJ é dramática, diz reitor  recém-eleito. Entrevista com o atual reitor da UFRJ Roberto Leher.

Um conto de duas universidades. Álvaro Bianchi e Ruy Braga.

Almalaurea, rapporto sulla morte programmata dell’università pubblica (Itália)

XVII Rapporto 2015 Almalaurea: Sulla Condizione Occupazionale Dei Laureati (Itália)

Incontro organizzato dal PCI su i problemi della scuola e dell’università. PCI (Itália)

Crise na universidade pública brasileira

La crisi dell’università: responsabilità, problemi, soluzioni?, Andrea Graziosi

Penser la crise de l’université (et de la recherche). Premières réactions. Alain Caillé

L’universite française, entre crise et refondation: Vers un nouveau régime académique? Jean-Louis Derouet  e Romuald Normand

Mais si ! L’université est en crise et la crise s’aggrave. Olivier Beaud, Alain Caillé e François Vatin.

La universidade pública española. retos y prioridades en el marco de la crisis del primer decenio del siglo XXI, Francesc Xavier Grau Vidal

Dossier: L´université en crise: mort ou réssurection?

Dossier: La crise de l’université dans le monde et les projets de reforme.

The slow death of the university. Terry Eagleton

The death of american universities. Noam Chomsky

The role of universities in the transformation of societies: an international research project

Les nouvelles usines du savoir du capitalisme universitaire. Christian Laval

A questão da universidade e da formação em ciências sociais. Sylvia Gemignani Garcia

Do discurso e das condicionalidades do banco mundial, a educação superior “emerge” terciária. Raquel Goulart Barreto e Roberto Leher

Globalização e a mudança do papel da universidade federal brasileira: uma perspectiva da economia política. João dos Reis Silva Júnior e Eric Spears

Mundialização do capital, reforma do estado, pós-graduação e pesquisa no Brasil, João dos Reis Silva Júnior e Fabíola Bouth Grello Kato

Modernização conservadora e ensino superior no brasil: elementos para uma crítica engajada. Epitácio Macário, Erlenia Sobral do Vale e Danielle Coelho Alves

A educação superior na particularidade do capitalismo brasileiro: sentido histórico e questões para os movimentos sociais. Lalo Watanabe Minto

Universidade, ciência e revolução. Sergio Lessa

Theorizing the entrepreneurial University: Open questions and possible answers. Panagiotis Sotiris

https://www.academia.edu/4070529/Theorizing_the_Entrepreneurial_University_Open_questions_and_possible_answers

A universidade pública e o vírus do privatismo. Marcos Del Roio

Reféns na cidadela inimiga: a relação universidade-movimentos sociais na América Latina. Henrique Tahan Novaes

 III – REFORMAS CONTEMPORÂNEAS DA EDUCAÇÃO SUPERIOR

Concepções de educação tecnológica na reforma da educação superior (1995-2010). Estudo comparado Brasil e Portugal , Zuleide S. Silveira

Reforma universitária brasileira: projeto de lei  número 7200/2006 em tramitação no congresso nacional. Legislação

Análise do projeto de lei nº 7200/2006: a educação superior em perigo! ANDES

Universidade em ritmo de mercado (Dossiê). Antonio Ozaí da Silva e Walter Praxedes

Reforma da educação superior nos anos de contra-revolução neoliberal: de Fernando Henrique Cardoso a Luiz Inácio da Silva. Kátia Lima

Faces da reforma universitária do governo Lula e os impactos do PDE sobre o ensino superior. ANDES

A reforma da educação superior do governo Lula da Silva: da inspiração à implantação , Celia Regina Otranto.

Governo Lula e “reforma universitária”: presença e controle do capital no ensino superior. Lalo Watanabe Minto

Reforma universitária: quem ganha, quem perde ?, Nildo Viana

Políticas de reforma do ensino superior brasileiro: governo de Luís Inácio Lula da Silva, período 2002/2006. Sandra Taveira do Nascimento

Reforma universitária do governo Lula: protagonismo do banco mundial e das lutas antineoliberais. Roberto Leher

Neoconservadorismo e reforma da educação superior, Maria das Graças Ribeiro

Reforma universitária: reflexões sobre a privatização e a mercantilização do conhecimento. Deise Mancebo

“Capitalismo humanizado” e o papel do ORUS na reforma da educação superior brasileira no governo Lula. Kátia Souza Lima

Políticas de democratização da educação superior e a perspectiva metodológica de Antonio Gramsci, Regina Michelotto e Michelle Lima

O boom da educação a distância de nível superior no Brasil: uma crítica da crítica,  Alexandre Marinho Pimenta

 IV – AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA E TRABALHO DOCENTE

Instituições de ensino superior do sistema ACAFE e autonomia universitária: o trabalho docente nos (des)encontros entre o proclamado e a práxis (Tese de Doutorado). Maurício José Siewerdt

Le problème de l’autonomie est constitutif de l’université. Ana Maria Netto Machado e Vitor Hugo Mendes

Expansão e reestruturação das universidades federais e intensificação do trabalho docente: o programa REUNI. Kátia Regina de Souza Lima

Trabalho docente na educação superior brasileira: mercantilização das relações e heteronomia acadêmica. Deise Mancebo

Educação superior, trabalho docente e capitalismo no brasil: problematizando o ensino à distância (EAD). Lalo Watanabe Minto

Estranhamento e desumanização nas relações de trabalho na instituição universitária pública. Eduardo Pinto e Silva e João dos Reis Silva Júnior

A precarização do trabalho docente nas universidades públicas no Brasil (1980-2011): sob a pressão do tacão de ferro. Antônio de Pádua Bosi

Crise e reforma do Estado e da universidade brasileira: implicações para o trabalho docente. Deise Mancebo, Olgaíses Maués e Vera Lúcia Jacob Chaves

 Trabalho docente crítico como dimensão do projeto de universidade. Roberto Leher e Vania Cardoso da Motta

As atuais políticas públicas de avaliação para a educação superior e os impactos na configuração do trabalho docente. Elisa Antonia Ribeiro

O REUNI na UFF: da precarização das condições de trabalho à luta nos campi, Matheus Castro da Silva

O program do Reuni: intensificação e precarização do trabalho docente, Alisson Slider do Nascimento de Paula

Trabalho docente, carreira docente. elementos que impactam a saúde mental dos docentes da UFRJ,  Alzira Mitz Bernardes Guarany

 V – EXPANSÃO E MERCANTILIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR

Crítica à privatização do Ensino Superior no Brasil (e-book). Mauri Antonio da Silva (org.)

Políticas de expansão da educação superior no Brasil 1995-2010. Deise Mancebo, Andréa Araujo do Vale e Tânia Barbosa Martins

Modelo de expansão da educação superior no Brasil: predomínio privado/mercantil e desafios para a regulação e a formação universitária. Valdemar Sguissardi

A nova lei de educação superior: fortalecimento do setor público e regulação do privado/mercantil ou continuidade da privatização e mercantilização do público? João dos Reis Silva Júnior e Valdemar Sguissardi

O papel da avaliação institucional na reconfiguração do ensino superior brasileiro: as políticas neoliberais e a expansão do setor privado. Jaime Farias

Expansão da privatização/mercantilização do ensino superior brasileiro: a formação dos oligopólios. Vera Lúcia Jacob Chaves

A face mercadológica da educação superior no contexto do capitalismo dependente, Alisson de Paula e Kátia Lima

VI – CLASSES SOCIAIS E EDUCAÇÃO SUPERIOR

Considerações sobre o caráter de classe da universidade brasileira: desigualdade escolar e condições de acesso. Davisson Cangussu de Souza

Frações burguesas em disputa e a educação superior no governo Lula. José Rodrigues

Higher education and class production or reproduction. Panagiotis Sotiris

O ensino superior em disputa: alianças de classe e apoio à política do ensino superior do governo Lula. Patrícia Vieira Trópia

VII – UNIVERSIDADE E CONTRA-HEGEMONIA

Universidades dos movimentos sociais: apostas em outra educação. Júlia Figueiredo Benzaquen

Universidades dos movimentos sociais: apostas em saberes, práticas e sujeitos descoloniais (Tese de doutorado). Júlia Figueiredo Benzaquen

University movements as laboratories of counter-hegemony. Panagiotis Sotiris

1o Seminário Nacional sobre universidade popular (2011)

2o  Seminário Nacional sobre universidade popular (2014)

VIII – VÍDEOS, DOCUMENTÁRIOS.

College, Inc. (Documentários)

http://www.thirteen.org/programs/frontline/college-inc/

Universidade em crise. Direção Renato Tapajós (sobre a greve dos alunos da Faculdade de Filosofia da USP, no início dos anos 1970)

A universidade hoje: crise e processos políticos. José Luis Souto  Maior (Parte 1)

A universidade hoje: crise e processos políticos.  Pedro Arantes (Parte 2)

A universidade hoje: crise e processos políticos. Ricardo Antunes (Parte 3)

A universidade hoje: crise e processos políticos. Debate (Parte 4)

A universidade hoje: crise e processos políticos. Beatriz Abramides (Parte 5)

Contra a universidade operacional. Marilena Chauí

Melhor e mais justo: a universidades brasileiras, Arthur Zimerman, Alexandre Silva e Otaviano Helene – Parte 1)

Melhor e mais justo: a universidades brasileiras, Arthur Zimerman, Alexandre Silva e Otaviano Helene – Parte 2)

Melhor e mais justo: a universidades brasileiras, Arthur Zimerman, Alexandre Silva e Otaviano Helene – Parte 3)

IX- BLOGS e SÍTIOS

 Universidade Popular dos movimentos sociais

http://www.universidadepopular.org/site/pages/pt/em-destaque.php

Olhar do Campus

 

 

 

 

 

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a conjuntura pós-eleitoral

conjuntura

Buscando contribuir para examinar a atual situação politica e social no Brasil, e dando continuidade ao debate iniciado antes das eleições de 2014, marxismo21 convidou colaboradores e leitores a submeter suas reflexões a fim de integrar um dossiê sobre a atual conjuntura política brasileira.

Três questões foram propostas para orientar o debate: a) Está configurada uma conjuntura de crise no Brasil? b) Caso sim, qual é a especificidade e a natureza desta crise? c) Se não há uma crise, o que caracteriza o processo político brasileiro na situação atual? Os textos aqui publicados buscam responder a esta problemática e apresentam um variado elenco de questões e possibilidades interpretativas, confirmando o compromisso de marxismo21 com a pluralidade e o debate franco e aberto. Parte dos textos (a maioria de autoria de membros do Conselho Consultivo) foi retirada de portais da esquerda brasileira.

Por conta do caráter dinâmico do atual momento no Brasil, convidamos nossos leitores a colaborar com este dossiê;  contribuições devem ser enviadas a mouro1818@gmail.com

A Editoria se reserva o direito de avaliar as contribuições enviadas a partir da problemática sugerida e de seus critérios editoriais.

Editoria / maio de 2015

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A crise atual no  Brasil

David MACIEL

Brasil no fim de ciclo dos governos “pòs-neoliberais” latino-americanos

Gonzalo ROJAS

Crise e conservadorismo no Brasil

Gustavo Moura de Cavalcanti Mello

A falácia da “freada de arrumação”

Leda Maria PAULANI

Notas sobre o desamparo periférico: crise e regressão das massas no Brasil do século 21

Leomir HILÁRIO

Que crise? Elementos para análise da conjuntura brasileira

Marcelo Badaró MATTOS

Que Crise é esta?

Marcos del ROIO

Sinais de fumaça no ar do Brasil!

Maria Orlanda PINASSI

Gritam impeachment e querem a renúncia

Mário MAESTRI

No meio do redemoinho

Plínio de Arruda SAMPAIO JR.

Eleições já!

Oto Filgueiras e Mário Maestri

 

 

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direitas: política & ideologia

direita

 DIREITAS: POLÍTICA & IDEOLOGIA

A atual ofensiva de uma direita ideológica e orgânica no Brasil reitera uma tendência que vem se verificando no mundo desde o final da 1ª Guerra Mundial, a saber, a tentativa de apropriação de aspectos do pensamento e da ação das forças progressistas imprimindo-lhes um selo reacionário. Neste caso, trata-se da construção de uma hegemonia neoconservadora na sociedade civil brasileira através do uso de instrumentos de formação da opinião pública.

O primeiro exemplo desta mimetização foi o fascismo das décadas de 1920 e 1930, que celebrava os valores militaristas mesclando-os com uma “política social” corporativa e combinava a exaltação da hierarquia com a mobilização de massas em torno dos chauvinismos nacional e/ou racial.

Na década de 1950 surgiu o neoconservadorismo estadunidense, que misturou individualismo com defesa de princípios e valores tradicionais e economia de mercado com mobilização das consciências contra os supostos riscos de enfraquecimento ou desintegração do establishment econômico, político e social em vigor naquele país.

Nos anos 1970 e 1980, o neofascismo, em diferentes partes do mundo anglo-saxão e europeu em geral, realizou uma peculiar apropriação das formulações diferencialistas e identitárias típicas da chamada pós-modernidade, juntando a afirmação dos valores comunitários com a defesa do direito à diferença e da liberdade de expressão e manifestação de suas ideias em nome de objetivos racistas, xenófobos e anti-imigratórios.

No Brasil atual, a direita ideológica e orgânica se propõe a fazer algo que as forças de esquerda e centro-esquerda integrantes do bloco político governamental desistiram de fazer: disputar a hegemonia política e cultural na sociedade, cujo efeito direto é a deflagração de uma ofensiva direitista no parlamento, na mídia, nos púlpitos e altares das igrejas e, mais recentemente, nas ruas, em defesa de posições conservadoras e retrógradas.

O acirramento das contradições e dos conflitos é uma decorrência do próprio amadurecimento do capitalismo brasileiro em sua etapa monopolista e de incorporação ao imperialismo mundial, processo este que expressa, no plano das ideias e dos discursos, a centralidade dos conflitos de classe em nossa sociedade, assumindo contornos estruturais.

Em seu esforço de afirmação na sociedade, a direita ideológica levanta bandeiras que lhe permitam delimitar posições e disputar a opinião pública. Com o desgaste das fórmulas e proposições neoliberais, adota ela temas visando reacender, no imaginário das massas, os componentes mais moralistas e conservadores anteriormente adormecidos ou desmobilizados pela influência das forças e dos processos progressistas na sociedade, na política e na cultura.

A recusa das forças de esquerda do atual governo em disputar a hegemonia cultural e política na sociedade e seus sucessivos recuos em face das reações conservadoras facilitam o avanço da direita ideológica e orgânica e pavimentam o caminho para sua ascensão ao poder. Tal processo evidencia o logro da opção do neopetismo no sentido de neutralizar a oposição política empregando os instrumentos de cooptação e clientelismo disponibilizados pelo “presidencialismo de coalizão”. Foge à compreensão desta esquerda que a eficácia de tais instrumentos é possível apenas no trato com a direita fisiológica, uma vez que a aspiração da direita orgânica e ideológica é nada menos que o monopólio do exercício da representação e do poder.

O presente dossiê busca oferecer aos nossos leitores textos de análise do pensamento e práticas das correntes de direita atuantes na contemporaneidade brasileira e mundial, apresentando suas vertentes fundamentais: o autoritarismo militar, o neoconservadorismo, o neoliberalismo, o fundamentalismo e integrismo religiosos, os fascismos e a chamada nova direita.

Nosso objetivo terá sido atingido se esta coletânea contribuir para uma tomada de consciência sobre a necessidade de retomar, em larga escala, a ofensiva contra hegemônica por parte de intelectuais, militantes políticos e ativistas sociais comprometidos com a luta pela transformação socialista da sociedade.

Editoria / abril de 2015

I. Discussões teóricas

ANDRADE, Guilherme Ignácio Franco de. O desafio teórico metodológico do uso do conceito de fascismo e de extrema direita.

APPLE, Michael W. Podem as pedagogias críticas sustar as políticas de direita?

AUGUSTO, André Guimarães. O que está em jogo no “Mais Mises, menos Marx”

BEAUVOIR, Simone. O pensamento de direita, hoje

BERTONHA, João Fábio. Fascismo de esquerda? Sobre a necessidade de revisão conceitual de um termo perigoso.

CASTRO, Ricardo Figueiredo de. Extrema-direita, pseudohistória e conspiracionismo: o caso do Negacionismo do Holocausto

DAVIES, Peter e LYNCH, Derek. The routledge companion to fascism and the far right

FERNANDES, Florestan. Notas sobre o fascismo na América Latina

GEERTZ, René. Separatismo e anti-razão. Indicadores Econômicos

GRÜN, Robert. Entre a plutocracia e a legitimação da dominação financeira.

HARVEY, David.  Breve história do neoliberalismo

JIMENEZ, Juan Retana. Notas sobre o neoconservadorismo na cultura política e no trabalho profissional.

MANDEL, Ernest. A teoria do fascismo segundo Leon Trotsky

MORAES, Reginaldo. Neoliberalismo. De onde vem, para onde vai?

Marxists on fascism: Gramsci, Trotsky etc.

PINASSI, Maria Orlanda. Metástase do irracionalismo

REICH, Wilhelm. Psicologia de massas do fascismo

SEGRILLO, Angelo. A Confusão Esquerda/Direita no Mundo Pós-Muro de Berlim: Uma análise e uma hipótese

SEGRILLO, Angelo. A confusão esquerda-direita no mundo pós-muro de Berlim.

THALHAIMER, August. Sobre o fascismo.

________________, Fascismo: pequena burguesia e classe operária

TROTSKY, Leon. La lucha contra el fascismo.

VALLE, Maria Ribeiro do. Pensamento político conservador norte-americano na virada dos anos 1970

II. Discussões teóricas sobre a direita no Brasil   

Lucas Patschiki, Marcos Alexandre Smaniotto e Jefferson Rodrigues (orgs.). Tempos conservadores: estudos críticos sobre as direitas

 

ALMEIDA, Ludmila Chaves. PPB: Origem e trajetória de um partido de direita no Brasil.

BENEVIDES, Maria Victoria de Mesquita, A UDN e o udenismo. Ambiguidades do Liberalismo Brasileiro (1945-1965)

CASIMIRO, Flávio Henrique C. A construção da hegemonia neoliberal no Brasil da Nova República: o Instituto Liberal e o discurso de “flexibilização” e ataque às propostas de Reforma Agrária.

DIAS, Adriana Abreu. Os argonautas do teutonismo virtual. Neonazismo na internet

GONÇALVES, Rodrigo Jurucê Mattos. História fetichista: o aparelho de hegemonia filosófico Instituto Brasileiro de Filosofia/Convivium (1964-1985).  

__________________________.  A consciência conservadora no Brasil, de Paulo Mercadante, uma obra clássica do conservadorismo brasileiro

GROS. Denise Barbosa. Institutos neoliberais e Neoliberalismo no Brasil

KORNIS, Monica. As “revelações” do melodrama, a Rede Globo e a construção de uma memória do regime militar.

LOPES, Vanessa Viegas. A Renovação Carismática Católica (RCC): entre o tradicionalismo e o novo. Anais dos Simpósios da ABHR.

MAGNANINI, Samantha Cintra. Cultura: teoria, neoconservadorismo e mídia brasileira nos novos palcos de disputa simbólica da conjuntura pós 11 de setembro.

MEIRELES, Gabrielle  L. O surgimento da Rede Globo: a partir da legislação das telecomunicações.  

MELO, Demian, Raizes ideológicas da direita brasileira

MENDES, Ricardo. Marchando com a família, com Deus e pela liberdade – O “13 de Março” das direitas.

MORAES, Maria Lygia. Direitos humanos e terrorismo de estado: a experiência brasileira.

MOREIRA, Fernanda Teixeira. O Que Lembrar e Esquecer? Intelectuais de direita e as disputas pela memória da ditadura civil-militar.

PIERUCCI, Antonio Flavio. As bases da nova Direita.

__________________,  A Direita mora do outro lado da cidade

PLATT, Adreana Dulcina. As políticas da “nova direita”: políticas sociais inclusivas e políticas econômicas excludentes

_____________________. Programas educacionais na década de noventa: a implementação das políticas da “nova direita” no Brasil..

______________________. As políticas da “nova direita”: políticas sociais inclusivas e políticas econômicas excludentes. Seminário Nacional Estado e Políticas Sociais no Brasil.

POWER,  Margareth. Conexões transnacionais entre as mulheres de direita Brasil, Chile e Estados Unidos

RAGO, Antônio.  J. Chasin: a crítica ontológica do anticapitalismo romântico típico da “Via Colonial” – os integralismos

ROSA, Marcelo. Oligarquias agrárias, estado e neoliberalismo no Brasil.

­­­­­_____________. Oligarquias agrárias, estado e neoliberalismo no Brasil.

SILVA, Carla Luciana. A retórica do “não há alternativas” como face da luta de classes: a revista veja dos anos 1990.

TARUCO, Gabriela e Madeira, Rafael Machado. Partidos, programas e o debate sobre esquerda e direita no Brasil.  

III. Movimentos de direita no Brasil

a) Ação Integralista Brasileira (AIB): 1932-1945

BARBOSA, Jefferson Rodrigues. Sob a sombra do Eixo: camisas-verdes e o jornal integralista Acção

CAZETTA, Felipe Azevedo. Fascismos e autoritarismos: a cruz, a suástica e o caboclo – fundações do pensamento político de Plínio Salgado, 1932-1945.

CHASIN, José. O integralismo de Plínio Salgado

CRUZ, Natália dos Reis. O Integralismo e a questão racial: a intolerância como princípio

FERREIRA, Laís Mônica. Integralismo na Bahia: gênero, educação e assistência social em O Imparcial (1933-1937).

SILVA, Giselda Brito (org.). Estudos do Integralismo no Brasil.

TRINDADE, Hélgio. Integralismo: teoria e prática política nos anos 30.

b) O Integralismo: de 1945 aos dias de hoje

Blog de estudos sobre o integralismo, com vários artigos científicos, teses e dissertações

Dossiê sobre o Integralismo: Revista de História da Biblioteca Nacional

ANDRADE, Guilherme Franco de. A trajetória da extrema direita no Brasil: integralismo, neonazismo e revisionismo histórico (1930 – 2012).

BARBOSA, Jefferson R. Integralismo e ideologia autocrática chauvinista regressiva: crítica aos herdeiros do Sigma.

____________________. Organizações chauvinistas no Brasil contemporâneo: Frente Integralista Brasileira (estruturas organizacionais, localização dos núcleos e principais dirigentes)

_____________________. Organizações chauvinistas no Brasil contemporâneo: Movimento Integralista e Linearista Brasileiro

_____________________. Integralismo e ideologia autocrática chauvinista regressiva: crítica aos herdeiros do sigma. (Tese de Doutorado).

_____________________. Intelectuais do sigma e o integralismo contemporâneo: os herdeiros de Plínio Salgado.

______________________. Ideologia e intolerância: a extrema-direita latino-americana e a atuação no Brasil dos herdeiros do Eixo.

CALIL, Gilberto. O integralismo no processo político brasileiro – o PRP entre 1945 e 1965: Cães de Guarda da Ordem Burguesa

CARNEIRO, Márcia Regina da S. Do sigma ao sigma – entre a anta, a águia, o leão e o galo – a construção de memórias integralistas.

DOTTA, Renato Alencar. Um esboço necessário sobre a trajetória do Integralismo brasileiro – da AIB ao ciberintegralismo (de 1932 a atualidade).

NETO, Odilon C. Neointegralismo e direitas brasileiras: entre aproximações e distanciamentos.

c) Tradição, Família, Propriedade (TFP)

SILVA, Filipe Francisco da. Cruzados do Século XX: O Movimento Tradição, Família e Propriedade (TFP): origens, doutrinas e práticas (1960-1970)

ZANOTTO, Gizele. Plínio Corrêa e a TFP: um reacionário a serviço da contra-revolução.

_____________. A luta anti-agro-reformista de Plínio Corrêa de Oliveira. Dissertação CFCH-UFSC, 2003.

TFP em foco na academia.

d) Instituto Millenium

MARINGONI, Gilberto. O rosnar golpista do Instituto Millenium.

PASTORE, Bruna. Complexo IPES/IBAD, 44 anos depois: Instituto Millenium?

PATSCHIK, Lucas. A classe dominante em organização: uma análise sobre a hierarquia do Instituto Millenium (2005-2013).

e) Revista Veja

AUGUSTI, A. R. Jornalismo e comportamento: os valores presentes no discurso da revista Veja.

BENETTI, Marcia. A ironia como estratégia discursiva da Revista Veja.

KRUPINISKI, Ricardo. Época e Veja e as exportações de capitais (2003 a 2006) 

MELLO, Maria e VILLAS BÔAS, Rafael. Veja. A Importação da doutrina antiterror

RAUTENBERG, Edina. A Revista Veja: de 23 mil exemplares à marca de 300 mil: acompanhando os dez primeiros anos de construção editorial da revista.

SILVA, Carla Luciana. Veja: o indispensável partido neoliberal (1989-2002) http://www.historia.uff.br/stricto/td/508.pdf

TOSTES, Suzane Conceição P. Reflexão sobre a relação da Revista Veja com a CUT e o PT durante os anos de 1985-1989.

IV. Extrema-direita hoje no Brasi

ALMEIDA, Alexandre. Skinheads: os mitos ordenadores do Poder Branco paulista.

_______________. A locomotiva Skinhead: a relação entre música e memória na construção da identidade de uma organização White Power paulista.

ANDRADE, Guilherme Franco de. A ideologia racial do grupo neonazista Valhalla 88 e a influência da teoria racial de Adolf Hitler.

_________________________. Neonazismo, racismo e supremacia racial: a ideologia racial do Valhalla 88.

ANDRADE, Guilherme I. F. A trajetória da extrema direita no Brasil: integralismo, neo-nazismo e revisionismo histórico.

BRITO, Adriana et al. A extrema-direita na atualidade.

COIMBRA, Cecilia Maria Bouças. Doutrinas de segurança nacional: banalizando a violência.

CONCEIÇÃO, Gilmar Henrique. Algumas questões ideológico-educativas da extrema-direita.

FRANÇA, Carlos Eduardo. Skinheads no Brasil: As múltiplas percepções, representações e Ressignificações das formações identitárias dos “Carecas do Brasil” e do Poder Branco paulista.

GALEÃO-SILVA, Luis Guilherme. Adesão ao fascismo e preconceito contra negros: um estudo com universitários na cidade de São Paulo

IASI, Mauro. De onde vem o conservadorismo?

MAYNARD, Dilton. Ciberespaço e Extremismos Políticos no Século XXI.

MENEZES, Wellington Fontes. Breves peculiaridades do fascismo à brasileira

PARANÁ, Edemilson. As raízes da escalada do conservadorismo no Brasil atual 

PATSCHIKI, Lucas. Os litores da nossa burguesia: o Mídia sem Máscara em atuação partidária (2002-2011).

PATSCHIKI, Lucas. Fascismo e internet: uma possibilidade de análise social através das redes extrapartidárias: o caso do “Mídia sem Máscara”

SANTANA, Monica da Costa. Neonazismo no Ciberespaço: uma análise comparativa entre os sites Valhalla88 e Ciudad Libre Opinión(2000-2007).

SILVA, K. K. J. e Maynard, D. C. S. Intolerância Digital: história, extrema-direita e cibercultura (1996-2009). Scientia Plena, vol. 6, n. 12, 2010.

SILVA, Adriana Brito da et alli. A extrema-direita na atualidade.  http://pt.scribd.com/doc/255185357/A-Extrema-direita-Na-Atualidade

STEFFEN, Cesar. Ódio.org.br. Rastreamento e caracterização de movimentos de ódio na Internet em português.

V. Anticomunismo, ontem e hoje

BETT, Ianko. A (re)invenção do comunismo: discurso anticomunista católico nas grandes imprensas brasileira e argentina no contexto dos golpes militares de 1964 e 1966.

MENDES, Ricardo Antonio Souza. As direitas e o anticomunismo, 1961-1965.

PATSCHIK, Lucas (entrevista). Anticomunismo é a base ideológica comum para o espectro fascista no Brasil

RODEGHERO, Carla S. Religião e patriotismo: o anticomunismo católico nos Estados Unidos e no Brasil nos anos da Guerra Fria

SILVA, Carla Luciana. Anticomunismo brasileiro: conceitos e historiografia.

VI. Dossiês temáticos e coletâneas

BERTONHA, João Fábio – Coletânea de artigos disponíveis online

BOHOSLAVSKY, Ernesto; ECHEVERRIA, Olga (Orgs.) “Las  derechas em el Cono Sur, siglo XX”

RODRIGUES, Jefferson. Entre milícias e militantes

Revista de História da Biblioteca Nacional, dossiê sobre o Integralismo:

Revista Crítica Marxista. Dossiê Neoliberalismo e neofascismo.

Dossiê Integralismo da Revista Tempo Presente.

Passapalavra. Dossiê extrema-direita.

Anais do Gepal, GT  Pensamento de direita e chauvinismo na AL

Dossiê “Pensamento de Direita e Chauvinismo na América Latina: Apontamentos sobre Manifestações Pretéritas e Contemporâneas”

VII. Financiamento e a Direita abraça a Rede

http://apublica.org/2015/06/a-nova-roupa-da-direita/

http://apublica.org/2015/06/a-direita-abraca-a-rede/

VIII – Blogs e sites de direita no Brasil

Rádio Jovem Pan: a voz da direita

(Por exigência da revista piaui, o blog foi solicitado a retirar o link que permitia o acesso à matéria dessa publicação. Fica evidenciado que a revista – embora crítica de ideias políticas conservadoras – não abre mãos do direito de propriedade. Editores liberais, mas,a rigor, não são democráticos.)  

Instituto Millenium 

O Instituto Millenium se autodefine como um “think tank” liberal no Brasil, posição expressa em seu manifesto editorial. Sediado no Rio de Janeiro, tem nomes influentes entre seus colaboradores ativos, acadêmicos e não acadêmicos. Sob a rubrica “Especialistas” encontra-se um conjunto de intelectuais ligados ao instituto que atualizam o debate em torno dos princípios reivindicados pelo síte (“Estado de Direito, liberdades individuais, responsabilidade individual, meritocracia, propriedade privada, democracia representativa, transparência, eficiência e igualdade perante a lei”, no link “Editorial”), entre os quais são mencionados nomes como Edmar Bacha, Eduardo Viola, Hector Leis, Henrique Meirelles, Ives Gandra, José Álvaro Moisés, Leandro Piquet Carneiro, Leôncio Martins Rodrigues Netto, Marco Antonio Villa, Mario Vargas Llosa e Roberto Da Matta. Sabe-se que alguns destas figuras, no período da ditadura militar, tinham posicionamentos democráticos e progressistas.

Na seção “colaboradores” constam empresas nacionais e internacionais, entre elas a editora Abril e o grupo Estadão. Entre os nomes de colaboradores individuais encontram-se, entre outros, Armínio Fraga e João Roberto Marinho.

Escola sem partido 

O grupo “Escola sem partido” define-se como uma “uma iniciativa conjunta de estudantes e pais preocupados com o grau de contaminação político-ideológica das escolas brasileiras, em todos os níveis: do ensino básico ao superior”. Em geral, o grupo considera que viceja no país, de forma hegemônica, em todos os níveis de ensino, a “doutrinação” política de esquerda. Defende a retomada de uma educação “séria”, “objetiva” e politicamente “neutra”. Como “neutros”, curiosamente, o grupo apresenta princípios universalmente reconhecidos como conservadores e à direita no espectro político. Reúne exemplos-denúncia de professores supostamente doutrinadores e propõe formas legais de apresentação de queixas a respeito nas instâncias jurídicas. Trata-se de um site que conta com nomes secundários da ideologia conservadora no Brasil, como Rodrigo Constantino e Reinaldo Azevedo.

Instituto de Estudos Empresariais. 

Este instituto se autodefine como entidade sem fins lucrativos e, declaração comum nesses casos, sem “compromissos político-partidários”. Propõe “incentivar e preparar novas lideranças com base nos conceitos de economia de mercado e livre iniciativa”. Também como de praxe, entoa loas às vagas noções de “liberdades individuais” e “Estado democrático de direito”. Possui uma revista eletrônica abrigada no próprio sítio, que se apresenta como “ferramenta disponibilizada para a formação de líderes identificados com as ideias liberais.”. Tal revista pode ser baixada no formato pdf. Divulga artiguetes de auto-confirmação dos próprios princípios com aspecto de editoriais, em geral tratando de algum tema específico relativo à liberdade de mercado.

Instituto Liberal 

Historicamente próximo de outros, como Instituto Liberdade e Instituto de Estudos Empresariais, possui um caráter mais acadêmico, nos moldes do Instituto Millenium. O sítio do instituto apresenta como objetivos, em suas próprias palavras, “Promover a pesquisa, a produção e a divulgação de idéias, teorias e conceitos sobre as vantagens de uma sociedade baseada: no Estado de direito, no plano jurídico; na democracia representativa, no plano político; na economia de mercado, no plano econômico; na descentralização do poder, no plano administrativo”. Parece haver, por parte do instituto, uma preocupação especial relativa à sofisticação teórica das próprias perspectivas e conceitos, já que em seu sítio se podem encontrar obras de quase todos os clássicos fundadores do pensamento liberal. É possível ler também, entretanto, textos de qualidade duvidosa, marcados pelo mais boçal proselitismo elitista, como se nota de antemão já nos títulos: “Por que as leis trabalhistas prejudicam o trabalhador” ou “A ilusão da reforma agrária: um conceito vazio e irresponsavelmente utilizado”, dentre outros.

Instituto Liberdade 

Em sua página de apresentação, o Instituto Liberdade declara compromisso com a pesquisa, difusão e consolidação dos valores de uma sociedade “organizada com base nos princípios dos direitos individuais, de governo limitado e representativo, de respeito à propriedade privada, aos contratos e à livre iniciativa. Declara-se intelectualmente vinculado à “Escola Austríaca de Economia”. Historicamente originado do Instituto Liberal do Rio Grande do Sul, considera-se um “think tank por excelência, pois firma-se no mercado local, nacional e internacional como produtor de ideias e construtor de influências.” Caracteriza-se, na verdade, por um americanismo aberto e um tanto subserviente, recheado de textos sobre as virtudes do capitalismo estadunidense. De resto, é pródigo em articulistas menores revezando-se em saudações simplistas e reverências pouco criativas ao regime da “liberdade”.

Movimento Endireita Brasil 

O Movimento Endireita Brasil é uma das poucas organizações liberais e/ou conservadoras de caráter público a reivindicar abertamente a localização à direita do espectro político. Propõe uma atuação pública baseada no “pensamento da Nova Direita liberal, e no compromisso de luta pela diminuição do Estado e pelo fim de todos os mecanismos que limitam ou ferem a liberdade do cidadão”. Apesar de reivindicar independência partidária, propõe-se a participar ativamente dos processos eleitorais em eventual apoio a candidatos que se identifiquem com a plataforma do movimento. Além do fomento e divulgação de suas ideias pelos meios convencionais de textos públicos, seminários e panfletos, também enfatiza o que considera ser a necessária mobilização popular nas ruas e pela internet. Fundado em 2006 por estudantes da burguesia paulistana, apresenta visíveis identidades com o PSDB.

Instituto Von Mises 

Extensão institucional da chamada “Escola Austríaca”, o Von Mises se propõe à realização e divulgação de estudos que “promovam os princípios de livre mercado e de uma sociedade livre”. Entre os objetivos comuns a seus congêneres, há outros que denotam certo caráter acadêmico, ou academicista, à organização. Por exemplo, o objetivo de “restaurar o crucial papel da teoria, tanto nas ciências econômicas quanto nas ciências sociais, em contraposição ao empirismo”. Crente em uma “ordem natural do mercado”, o instituto considera que qualquer interferência governamental contrária àquela ordem é passível de provocar “proteção aos poderosos e aos grupos de interesse”, além de “reprimir a livre expressão e as oportunidades dos indivíduos”. Fiel a suas origens teóricas, o instituto promove a defesa de um fenômeno curioso na história do pensamento político: o anarcocapitalismo, ou capitalismo libertário, espécie de extinção definitiva do Estado por meio do privatismo radicalizado. O instituto adota o padrão-ouro para colaborações: “A associação ao Instituto Ludwig von Mises Brasil tem o valor equivalente a 1g de ouro (valor aproximado, conforme cotado na Bolsa de Valores) e tem validade até o final do ano corrente.”

 Mídia Sem Máscara 

Editado a partir dos Estados Unidos pelo já mais ou menos notório Olavo de Carvalho, o sítio se considera uma via de denúncia da suposta manipulação de caráter comunista da mídia brasileira em geral. Apontando, entre outros, o “tucanato” como facção interna do movimento comunista no Brasil, embora “comunista de direita”, o sítio assim se apresenta:“Desde agosto de 2002, o MÍDIA SEM MÁSCARA é um website destinado a publicar as idéias e notícias que são sistematicamente escondidas, desprezadas ou distorcidas em virtude do viés esquerdista da grande mídia brasileira. Embora sem recursos para promover uma fiscalização ampla, MÍDIA SEM MÁSCARA colhe amostras, que por si só, bastam para dar uma ideia da magnitude e gravidade da manipulação esquerdista do noticiário na mídia nacional.”, adiantando ainda, em outro trecho, que “na grande mídia brasileira não existe jornalismo nenhum. Existe apenas manipulação a serviço da esquerda.” Em seu time de colunistas possui, entre outros, oficiais da reserva dos exércitos brasileiro e colombiano.

Reaçonaria 

Sítio com uma editoração muito boa, embora o conteúdo que a preenche não seja dos mais sofisticados. Ativa oposição de direita ao PT e ao governo Dilma Roussef, entusiasta dos dogmas conservadores da Igreja Católica e do Partido Republicano estadunidense. No grupo de colunistas, um tipo de mistura entre pretensão pueril, arrogância sem lastro e descontração quadrada faz com que alguns se apresentem com nomes como “Overlord”, “Penso Estranho” e “Space Ghost”. Em suas próprias palavras, “A Reaçonaria é formada por um grupo de conhecidos que comungam de algumas ideias. Compartilharemos aqui opiniões, livros originais e traduzidos, vídeos históricos com discursos e debates que propagam ideais de Liberdade, respeito à Lei e promoção das melhores políticas e costumes que construíram as mais justas sociedades de nosso tempo.” 

VIII. Grupos de trabalho acadêmicos

GT Partidos e Movimentos de Direita-Anpuh

GT Direitas, História e Memória

Grupo de Estudos do Integralismo

GT – Pensamento de direita e chauvinismo na AL

abaixo PF

 

 

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marxismo e cultura

PA76

A problemática da produção cultural sob a perspectiva da teoria marxista é objeto deste novo dossiê. “Marxismo e Cultura”, aqui editado, buscou reunir e organizar a produção marxista nacional e estrangeira disponível na internet e em português sobre cinema, teatro, literatura, música e arquitetura. A pesquisa resultou numa listagem de mais de 80 autores e duas centenas de trabalhos, entre artigos, capítulos de livros, obras na íntegra, entrevistas impressas e vídeos. Esclarecemos que a seleção, tanto dos autores quanto das obras, possui lacunas posto que foram selecionados apenas textos e vídeos disponíveis para download gratuito.

Somos gratos a Emiliano César de Almeida, pesquisador do IFCH, Unicamp, pela organização deste valioso e alentado dossiê.

A ilustração desta seção é a maquete da “Torre de Tatlin”, projeto idealizado após a Revolução de Outubro pelo notável escultor russo, Vladimir Tatlin, para a sede da III Internacional em Petrogrado.

Editoria

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I. Autores brasileiros

João Emiliano Fortaleza de AQUINO

Espetáculo, comunicação e comunismo em Guy Debord

Emiliano César de ALMEIDA

Literatura e História

O método crítico de Antonio Candido

Paulo ARANTES

Providências de um crítico literário na periferia do capitalismo

Sentimento da dialética na experiência intelectual brasileira

Adéle Cristina Braga ARAÚJO

Estética em Lukács: reverberações da arte no campo da formação humana

Alexandre Rossato AUGUSTI; Michele NEGRINI

O legado de Guy Debord: reflexões sobre o espetáculo a partir de sua obra

Marcos André de BARROS; Luigi BORDIN

Walter Benjamin e Bertolt Brecht: para uma prática estética contra a barbárie e em defesa da vida

Hermenegildo BASTOS; Isabel BRUNACCI

História literária entre acumulação e resíduo: o eixo Graciliano-Rulfo

Hermenegildo BASTOS

Água brusca: utopia e ameaça na poesia de M. Bandeira

A estética da mercadoria no poema “O açúcar” de Ferreira Gullar

A obra literária como leitura/ interpretação do mundo

“As alvarengas”: relendo os passos de outro modernismo

“Atroadas de máquinas, motores, estrugidos”: lírica e sociedade na poesia de Joaquim Cardozo

Conhecimento e ameaça numa canção de Joaquim Cardoso

Literatura como trabalho e apropriação

O que vem a ser representação literária em situação colonial

Só o literário nó da questão (amplidão e confinamento em Pedro Páramo)

Um antagonismo fecundo: Guimarães Rosa e Graciliano Ramos

Um romance histórico de Leonardo Sciascia

Carlos Eduardo Ornelas BERRIEL

No centenário de George Orwell

Augusto BOAL

Brecht e, modestamente, eu!

Conversa com Augusto Boal: questão de crítica e outras entrevistas 

O que é a cultura?

Que pensa você da arte de esquerda?

Sérgio de CARVALHO

A atualidade de Brecht

Apontamentos sobre Fatzer

A superação do drama

Das vantagens de usar Brecht

Entrevista

Langhoff defende o teatro do escândalo

Nota sobre Bertolt Brecht

Obra expande caráter “laboratorial” de Brecht

O dia posto em cena

O tao do marxismo

Propostas brechtianas para um teatro no centro de São Paulo

Vera CECARELLO

O anagrama de Nael: paradoxos e memória presentes no narrador do romance “Dois irmãos” de Milton Hatoum

Maria Elisa CEVASCO

Momentos da crítica cultural materialista

O sentido da crítica cultural

Danielle CORPAS; Carlos LEAL

Benjamin e Kracauer: algumas passagens

Danielle CORPAS

“Tudo tinha de semelhar um social”. Perspectiva e retórica justificadora no narrador de Grande Sertão: Veredas.

Variações sobre um filme-sinfonia na crítica de Siegfried Kracauer

Iná Camargo COSTA; Paulo ARANTES

Debate no Seminário “Teatro épico e teatro pós-dramático na sociedade do espetáculo”.

Iná Camargo COSTA; Maria Elisa CEVASCO

Terry Eagleton: uma apresentação

Iná Camargo COSTA

A comédia desclassificada de Martins Penna

Antônio José e o teatro do Setecentos

A produção tardia do teatro moderno no Brasil

Entrevista. “Intelectuais têm pavor de revolução”

Fragmentos do encontro com Iná Camargo Costa e José Fernando de Azevedo

Por uma crítica cultural dialética

Sobre a atualidade de Brecht no seu centenário

Stanislavski na cena americana

Teatro de Arena, Marco Zero

Teatro de grupo contra o deserto do mercado

Teatro na luta de classes

Teatro político no Brasil

Ana COTRIM

Reflexos da guinada marxista de Georg Lukács na sua Teoria do Romance

Rodrigo CZAJKA; Miliandre Garcia de SOUZA

Um convite à estética

Rodrigo CZAJKA

Hegemonia cultural de esquerda, marxismo e mercado em Roberto Schwarz

Juarez DUAYER

Lukács e a atualidade da defesa do realismo na estética marxista

Fábio Akcelrud DURÃO

Adorno e Derrida: uma tentativa de aproximação

Alguns fragmentos sobre a literatura da destruição e o “Ulisses”, de James Joyce

As artes em nó

Cadernos Benjaminianos: Número especial em homenagem a Jeanne Marie Ganebin

Crítica da Multiplicidade

Da dialética da intoxicação em “Naked Lunch”, de David Cronenberg

Da politização da desconstrução em Gayatri Spivak

Das aspas invisíveis em “The Dead”, de James Joyce

De volta a Adorno na interpretação da cultura

Do pastiche sobre si: estilo e antropomorfismo no ‘Nausicaa’, de “Ulysses”

Da superprodução semiótica: caracterização e implicações estéticas

Do texto à obra

Duas formas de se ouvir o silêncio: revisitando 4’33

Ecolalias” – A Língua como Esquecimento

Entrevistas com Robert Hullot-Kentor

Fome de Ordem

Giros em falso no debate da Teoria

Impressões de um brasileiro em Nova Délhi

Modernismo e Coerência

O Efeito das Notas

Por uma crítica da multiplicidade nos estudos literários

Rememórias: Entrevistas sobre o Brasil do seculo XX

Sobre a atualidade dos estudos literários hoje

Três ideias para a validade da Dialética do Esclarecimento

Um esquecimento e dois conceitos

Vicissitudes da Perfeição: Resenha de *Labirintos da Aprendizagem*, de Marcos Mazzari

Natália Rizzatti FERREIRA

O pensamento político e social em Quarup, de Antonio Callado

Sérgio FERRO

Arquitetura e luta de classes (entrevista)

Celso FREDERICO

A sociologia da literatura de Lucien Goldmann

Cotidiano e arte em Lukács

Eduardo Luiz Viveiros de FREITAS

Dossiê Brecht

Sheila Cabo GERALDO

“Origem do Drama Alemão”: leitura e tentativa de compreensão das noções de Origem, Redenção, Mônada, Alegoria, Melancolia e Linguagem.

Aristeu Portela JUNIOR

Para compreender a sociedade espetacularizada: revisitando o pensamento de Guy Debord

Geraldo Witeze JUNIOR; Elias NAZARENO

América, lugar da utopia: de Bartolomé de Las Casas a Vasco de Quiroga

Geraldo Witeze JUNIOR

A utopia como gênero de fronteira entre história e literatura

Cultura utópica e o debate histórico social: o caso de Vasco de Quiroga

Onde está o não-lugar? um percurso em busca da utopia

Os muitos caminhos do Quixote: pluralidade de vozes e interpretação

Sancho Pança, governador: utopia e história em Dom Quixote

Vasco de Quiroga e a utopia na América

Milton Esteves JUNIOR

Guy Debord e o cinema, ou a redecomposição do espetáculo

Maria Rita KEHL

O espetáculo como meio de subjetivação

Leandro KONDER

Antonio Candido

A poesia de Brecht e a história

Benjamin e o marxismo

Mário de Andrade

Sérgio Buarque de Holanda

Oswald de Andrade

Walter Benjamin: o marxismo da melancolia

Luiz Renato MARTINS

Economia política da arte moderna/ providências para uma história crítica

O debate entre construtivismo e produtivismo, segundo Nikolay Tarabukin

Outubro outra vez ou as pontes de Petrogrado

A arte entre o trabalho e o valor

Uma crítica dialética nas artes visuais

As longas raízes do formalismo no Brasil

Michael LÖWY

A estrela da manhã: surrealismo e marxismo

Carga explosiva: o surrealismo como movimento romântico revolucionário

Ernest Bloch e Theodor Adorno: luzes do Romantismo

Lukács, Proust e Kafka, de Carlos Nelson Coutinho

Carlos Eduardo Jordão MACHADO

Walter Benjamin: crítica à ideia do progresso, história e tempo messiânico

Iraldo Alberto Alves MATIAS

Projeto e revolução: do fetichismo à gestão, uma crítica à teoria do design

Projeto, utopia e revolução: introdução ao debate entre “urbanistas” e “desurbanistas” soviéticos

Priscila MATSUNAGA

Cultura e política: o trabalho de Boal

Rodrigo de Negreiros MOURA; Irenísia Torres de OLIVEIRA

Walter Benjamin e o Surrealismo

Daniela MUSSI

Bolívar, Goya: o político e o artista diante da revolução burguesa

Dilemas interpretação como atividade crítica: Quentin Skinner e Antonio Gramsci

Literatura e política nos Cadernos do Cárcere

Política e cultura: Antonio Gramsci e os socialistas italianos

Política e literatura nos Cadernos do Cárcere: notícias de uma pesquisa

Rodrigo Alves do NASCIMENTO

A “alma russa” como espetáculo

O encontro de Tchékhov com o Oficina: desbunde, política e algumas contradições.

Maria Neli Costa NEVES

Influências e convergências: Brecht, Artaud, Glauber Rocha

Marcelo Brice Assis NORONHA

Crítica e realização: aspectos machadianos

Marxismo e estética: esboço de algumas relações

Maurício Miranda dos Santos OLIVEIRA

Marcuse e Jameson: da cultura afirmativa ao Pós-modernismo

Rainer PATRIOTA

A relação sujeito-objeto na Estética de Georg Lukács: reformulação e desfecho de um projeto interrompido.

Ricardo Prestes PAZELLO

Adolfo Sánchez Vázquez: marxismo criativo entre a utopia e a estética

Alexandre PILATI

O poeta nacional sem nação: impasses da formação do Brasil na lírica de Carlos Drummond de Andrade.

Alcides Freire RAMOS

Bertolt Brecht e o cinema alemão dos anos 1920

Luciana REQUIÃO

O valor econômico da cultura: um debate sobre formas de apropriação do conceito de cultura

Luís Távora Furtado RIBEIRO; Marcus Flávio Alexandre da SILVA

Prólogo da Estética de Lukács: um esboço para apresentação

Pablo Alexandre Gobira de Souza RICARDO

Guy Debord, jogo e estratégia: uma teoria crítica da vida

Marcelo Siqueira RIDENTI

A canção do homem enquanto seu lobo não vem: a agitação cultural e a opção pela revolução brasileira, 1964-69.

Entrevista: “Sibila debate 64: Marcelo Ridenti”

Márcia Regina RODRIGUES

Algumas considerações sobre o teatro épico de Brecht

Daniela Vieira dos SANTOS

As representações da “crise” da canção no projeto estético ideológico de Caetano Veloso: uma análise do álbum Circuladô Vivo (1992)

Brasilidade revolucionária: um século de cultura e política (resenha)

Não vá se perder por aí: a trajetória dos Mutantes

O nacional-popular no projeto estético de Caetano Veloso

Roberto SCHWARZ

Antonio Candido, um verbete

As ideias fora do lugar

Brincalhão, mas não ingênuo

Cultura e política, 1964-1969

Entrevista IEntrevista II

Entrevista III

Entrevista IV (vídeo)

Forma excêntrica de luta de classes

Leituras em competição

Nacional por subtração

Que horas são?: ensaios.

Sentimento íntimo do país (vídeo)

Sequências brasileiras

Um mestre na periferia do capitalismo

19 princípios para a crítica literária

Andréa Túbero SILVA

Guy Debord: antes e depois do espetáculo

Arlenice Almeida da SILVA

O lirismo em György Lukács

O símbolo esvaziado: a Teoria do Romance do jovem György Lukács

Carlos Augusto Moraes SILVA

Um charlatão ou um negador? Questões sobre o narrador e a representação do outro de classe em A hora da estrela de Clarice Lispector.

Marcos Henrique SILVA

Pintura realista russa no século XX – a construção da realidade proletária

Leandro Candido de SOUZA

Avessos da dialética: Adorno, Lukács e o realismo no século XX

Catarina VAZ

A sociedade do espetáculo – belo e contemplação

Carla Prado Lima Silveira VILELA

Trabalho, Linguagem e Literatura

Thyago  Marão VILLELA

Leon Trotsky e André Breton: os caminhos cruzados antes do Manifesto da FIARI (1938)

Ismail XAVIER

Cinema político e gêneros tradicionais: a força e os limites da matriz melodramática

Corrosão social, pragmatismo e ressentimento: vozes dissonantes no cinema brasileiro de resultados.

Da violência justiceira à violência ressentida

Entrevista I

Entrevista II

Entrevista III

Indagações em torno de Eduardo Coutinho e seu diálogo com a tradição moderna

O olho mágico, o abrigo e a ameaça: convulsões – Ruy Guerra filma Chico Buarque

Os deuses e os mortos: maldição dos deuses ou maldição da história?

Paulo Emilio e o estudo do Cinema

Um cinema da crueldade: o cine “underground” de Júlio Bressane

II. Marx e Engels e autores marxistas

Karl MARX e Friedrich ENGELS

Sobre Literatura e Arte

Theodor ADORNO

Notas sobre literatura I

Teoria Estética

Louis ALTHUSSER

O “Picollo”, Bertolazzi e Brecht (notas sobre um teatro materialista)

El conocimiento del arte y la ideología

Cremonini, pintor del abstrato

Sobre Brecht e Marx

Walter BENJAMIN

A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica

Magia e técnica, arte e política.

Obras escolhidas

Bertolt BRECHT

Amplitude e variedade do modo de escrever realista

Estudos sobre teatro

Teoria do rádio

André BRETON; Leon TROTSKY.

Por uma arte revolucionária independente

Guy DEBORD

A sociedade do espetáculo

Os situacionistas e as novas formas de ação na política ou na arte

Antonio GRAMSCI

Os intelectuais e a organização da cultura

György LUKÁCS

A alma e as formas

A relação sujeito-objeto na estética

A Teoria do Romance

Conversando com Lukács

Der Spiegel entrevista o filósofo Lukács

Ensaios sobre Literatura

Entrevista

Estética (Tomos I, II, III e IV)

Goethe e sua época

Introdução a uma estética marxista

Realismo crítico hoje

Vídeos sobre a obra de Lukács

Leon TROTSKY

Literatura e Revolução

III. Críticos marxistas contemporâneos

Aijaz AHMAD

A retórica da alteridade de Jameson e a “alegoria nacional”

Yann BEAUVAIS

A influência de Guy Debord no cinema experimental e na videoarte (parte I)

A influência de Guy Debord no cinema experimental e na videoarte (parte II)

Terry EAGLETON

A Ideia de Cultura

A Ideologia da Estética

As ilusões do pós-modernismo

Depois da teoria: um olhar sobre os Estudos Culturais e o pós-modernismo

Entrevista I

Entrevista II

Entrevista III

Marx estava certo

Marxismo e Crítica Literária

Fredric JAMESON

Filmar O capital?

O fim da temporalidade

O romance histórico ainda é possível?

Pós-modernidade e Sociedade de Consumo

Reificação e utopia na cultura de massa

Sobre a intervenção cultural

Anselm JAPPE

A arte de desmascarar

Douglas KELLNER

A cultura da mídia e o triunfo do espetáculo

Alexander KLUGE

Marx, Joyce e Eisenstein: a abstração mata

Pierre MACHEREY

Para uma teoria de la producción literaria

Leonardo PEGORARO

Ideologia e Estética

Nicolas TERTULIAN

Hartmann e Lukáca: uma aliança fecunda (parte I)

Hartmann e Lukács: uma aliança fecunda (parte II)

Adolfo Sanchez VÁZQUEZ

Convite à estética

Raymond WILLIAMS

Cultura

Marxismo e Literatura

Sites

Revista Atquitextos

 

 

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Octavio Brandão

Octávio Brandão discursando em comício do BOC

Octávio Brandão discursando em comício do BOC

Octavio Brandão foi um pioneiro e contribuiu de forma inovadora no interior do marxismo brasileiro.

Foi um dos precursores da luta pela reforma agrária no país, logo após romper, aos 16 anos de idade, com o catolicismo nas Alagoas do início do século XX. Ao escrever o livro Canais e Lagoas, entre 1916 e 1917, sobre o complexo lagunar Mundaú-Manguaba, também em seu estado natal, poderia ser visto como um dos primeiros ecologistas brasileiros. Em 1923, traduziu da versão francesa preparada por Laura Lafargue a primeira edição do Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels. Em 1925, participou da criação do jornal A Classe Operária, órgão do Partido Comunista do Brasil (PCB) – que ajudava a construir integrando a sua direção. Ao ser eleito, em 1928, pelo Bloco Operário e Camponês (BOC) para o Conselho Municipal da cidade do Rio de Janeiro, tornou-se um dos primeiros representantes comunistas em um órgão representativo do país.

Mas é, sobretudo, por sua obra Agrarismo e industrialismo – ensaio marxista-leninista sobre a revolta de São Paulo e a guerra de classes no Brasil, de 1926, que Octávio Brandão ficará conhecido na pesquisa marxista brasileira – inclusive, como revelam abaixo os textos dedicados à sua interpretação. Conforme o próprio título anuncia, trata-se de uma tentativa pioneira de análise da formação social brasileira apoiada na teoria marxista, e que iria influenciar por muitos anos não apenas a política dos comunistas brasileiros, mas também estudos posteriores de análise marxista. Brandão aborda não apenas aspectos como a geografia, o homem e a terra, como discute aspectos centrais da economia – agrarismo, industrialismo –, relacionando-os com o “Estado burguês agrário”, na tentativa de extrair indicações para a elaboração de uma política transformadora e a definição das alianças a serem feitas pelo proletariado brasileiro.

Nada mais justo e oportuno, portanto, do que este dossiê sobre o legado teórico e político de Octavio Brandão. Textos de sua autoria – entre eles, artigos disponibilizados pela primeira vez na versão digital – e ensaios sobre a obra e trajetória política do marxista alagoano integram este dossiê de marxismo21.

Editoria

I. Textos de Octávio Brandão

A vida política: uma lei sobre a imprensa brasileira, dez.1923

Reação e repressão: carta do Brasil, abril 1924

Uma etapa da história de lutas, jan.1957

A classe operária, 1978

A Penúria da Crítica, 1958

Literatura sem Ideologia? 1960

A Ascensão História do Brasil, 1960

Canais e Lagoas, 1960

Vida Vivida – Recordações, 1961

Pelo Realismo Revolucionário, 1961

O Primado da Natureza – Ciência e Filosofia, 1961

O Brasil Explorado e Oprimido, 1962

O Petróleo e a Petrobrás, 1962

Combates da Classe Operária, 1963

II. Entrevista

Entrevista de Octavio Brandão

III. Textos sobre a obra e trajetória política

Uma memória silenciada, Roberto Mansilla Amaral

Otavio Brandão, Margareth Alberico

Octávio Brandão (1896-1980), Leandro Konder

Octávio Brandão nas origens do marxismo no Brasil, Marcos del Roio

Octavio Brandão e o confisco da memória, Alvaro Bianchi

Agrarismo e industrialismo : uma primeira tentativa de interpretação marxista do Brasil, Angelo José da Silva

O livro na política, Felipe Castilho de Lacerda

A primeira interpretação marxista sobre o Brasil, Felipe Castilho de Lacerda

Octávio Brandão:uma leitura marxista dos dilemas da modernização brasileira, Alexandre M.E. Rodrigues

Agrarismo e industrialismo: o primeiro encontro do marxismo com o Brasil, Augusto Buonicore

Agrarismo e Industrialismo: pioneirismo de uma reflexão, Paulo Ribeiro da Cunha

O bruxo contra o comunista ou o incômodo ceticismo de Machado de Gustavo Bernardo Krause

As primeiras interpretações marxistas da realidade brasileira, Rafael Del’Omo Filho

IV. Vídeo

 

 

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esquerdas e eleições 2014

Esquerdas, eleições e transformações estruturais da sociedade brasileira.

Após o resultado final das eleição presidencial, convidamos os autores do dossiê publicado antes do primeiro turno (v. abaixo) a examinar as seguintes questões: 1) Considerando a análise marxista das classes sociais, qual é o significado da vitória apertada de Dilma Rousseff sobre Aécio Neves nas eleições presidenciais de 2014?; 2) Como avalia o desempenho eleitoral dos partidos de esquerda e de centro-esquerda nas eleições de 2014?; 3) É possível dizer que existe uma “onda conservadora” no Brasil? e 4) Quais são as perspectivas e tarefas políticas para os socialistas na conjuntura do novo governo eleito? 

Textos de organizações de esquerda são incluídos neste dossiê; serão divulgados todos que estiverem disponibilizados na web.

Seguem abaixo os textos dos colegas que aceitaram colaborar com este segundo dossiê.

Editoria / 8/12/2014

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I. Textos de autores convidados

Hegemonia política no Brasil sob o governo Rousseff

Aldo Duran Gil e Gustavo Cintra Lima

As esquerdas na encruzilhada: a crise do centrismo e o quadro político brasileiro

Carlos Eduardo Martins

Perspectivas de esquerda diante do segundo governo D Rousseff

David Maciel

Segundo governo Dilma: crise, fim de ciclo petista e as perspectivas da esquerda

Gonzalo Rojas

Classes e frações de classe no segundo Governo Dilma

Igor Grabois

Por onde recomeçar. As esquerdas e a nova conjuntura pós-eleitoral

Lúcio Flavio Rodrigues de Almeida

Tarefa dos comunistas e socialistas: construir uma política enraizada para superar o isolamento e a conciliação de classes

Renato Nucci Jr.

Eleições de 2014 no Brasil: classes e projetos em disputa

Roberto Leher

A fadiga do Lulismo, o reformismo impotente

Valério Arcary

 Significado social da vitória de Dilma

Wladimir Pomar

II. Textos de entidades de esquerda

Partido Comunista Brasileiro

Partido Comunista do Brasil

Centro de Estudos Victor Meyer

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Esquerdas, eleições e transformações estruturais da sociedade brasileira (textos elaborados antes do primeiro turno)

Em 2013, publicamos um dossiê com textos inéditos com o objetivo de realizar um balanço crítico dos 10 anos de governo do PT. No presente dossiê interpelamos nossos convidados a debater as seguintes questões: (1) O projeto de governo hegemonizado pelo PT teria se esgotado? (2) Qual o papel das esquerdas nas eleições de 2014? (3) Como construir uma política de esquerda socialmente enraizada e comprometida com a transformação da sociedade brasileira?

Como se poderá comprovar, Esquerdas, eleições e transformações estruturais da sociedade brasileira busca combinar a reflexão sobre os rumos da política nacional com o debate sobre os caminhos que as esquerdas devem perseguir no atual estágio das lutas de classes no Brasil. Mais de sessenta autores, de diferentes orientações políticas e ideológicas no campo das esquerdas brasileiras foram convidados a colaborar com este dossiê.

Estamos convencidos de que os 22 ensaios, especialmente elaborados para marxismo21, apresentam uma ampla diversidade de posições e enfoques – orientados pela teoria marxista – sobre instigantes e pertinentes questões da atual conjuntura nacional.  Aos autores somos gratos pela colaboração com mais esta inciativa teórico-política do blog.

Os Editores

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O INSTITUCIONAL E O SEU CONTRÁRIO

Ademar Bogo

NOTAS SOBRE A CONJUNTURA DA LUTA DE CLASSES E AS ELEIÇÕES DE 2014

Coletivo Cem Flores

A PERSPECTIVA DE CLASSE NAS ELEIÇÕES DE 2014

Coletivo Centro de Estudos Victor Meyer

A ESQUERDA E AS ELEIÇÕES: ENTRE O SOCIALISMO E O TRANSFORMISMO

Daniela Mussi

SOCIAL-LIBERALISMO, CLASSES DOMINANTES E OS DESAFIOS DA ESQUERDA SOCIALISTA NA CONJUNTURA ATUAL

Danilo Enrico Martuscelli

VICISSITUDES DO NEOLIBERALISMO MODERADO, ELEIÇÕES E PERSPECTIVAS PARA A ESQUERDA SOCIALISTA

David Maciel

DO “POR QUE PERDEMOS?” AO “O QUE FAZER?” PARA AS ESQUERDAS NA PRESENTE CONJUNTURA

Edilson José Graciolli

TRÊS QUESTÕES SOBRE AS ELEIÇÕES E A ESQUERDA

Eurelino Coelho

PROJETO DE GOVERNO, ELEIÇÕES E ESQUERDAS NO BRASIL

Francisco Pereira de Farias

FIM DO CICLO PETISTA, AS ESQUERDAS NO PROCESSO ELEITORAL E SUA CONSTRUÇÃO POLÍTICA

Gonzalo A. Rojas

NOVO PARADIGMA, NOVA FORMA DE ATUAR

Igor Grabois

 POLÍTICA NÃO SE REDUZ A ELEIÇÕES: RECONHECER A FRAGILIDADE, NÃO ENTREGAR OS PONTOS E SE PREPARAR PARA O QUE VIRÁ

Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida

 NAS RUAS OU NAS URNAS?

Maria Orlanda Pinassi

TRÊS APROXIMAÇÕES À ESQUERDA DA ORDEM

Pedro Otoni

OS LIMITES DO MELHORISMO PETISTA

Plínio de Arruda Sampaio Jr.

ELEIÇÕES, ESQUERDAS E PODER POPULAR

Rafael Litvin Villas Bôas

CONSTRUIR UMA POLÍTICA COMUNISTA SOCIALMENTE ENRAIZADA PARA SUPERAR A CONCILIAÇÃO DE CLASSE

Renato Nucci Jr.

ELEIÇÕES 2014: CONSENSO DO CAPITAL VERSUS DISSIDÊNCIA DOS TRABALHADORES ?

Roberta Traspadini

MOVIMENTOS DAS CLASSES DOMINANTES E DESAFIOS DA ESQUERDA SOCIALISTA

Roberto  Leher

POR QUE A ESQUERDA SOCIALISTA TERÁ POUCOS VOTOS NAS ELEIÇÕES DE 2014?

Valério Arcary

SOBRE PARTIDOS, CLASSES E ORDEM DO CAPITAL

Virgínia Fontes

ESQUERDAS, PT, DILMA E PROJETO DE REFORMAS

Wladimir Pomar

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